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dade; outros que, estando na situação mais afastada da nobreza, se inculcam como seus filhos genuinos, e se gloriam dos prejuizos d'uma classe, a que não pertencem. (Apoiado) Com um tom ostentoso de oraculo se chamou erro capital o imputar a guerra da successão á aristocracia ingleza, que se deu unicamente como filha da ambição de Luiz XIV. Qual foi em Inglaterra o partido, que suscitou, e sustentou a guerra da successão? foi o mesmo que fez a revolução de 1688. E este partido não era formado da aristocracia ingleza? Certamente: logo foi a aristocracia ingleza a causa da guerra da successão. Este partido poz no throno Guilherme 3.°, e então ao interesse da aristocracia se unio o do novo Rei, que por meio das armas pertendia obrigar Luiz XIV. a reconhece-lo. Este partido tinha um odio inveterado aos francezes, odio jurado por um de seus chefes pela fórma solemne, com que Annibal o jurara aos Romanos. Em uma palavra, se os inglezes nesta guerra tivessem só, como deviam ter, o intento razoavel de estabelecer o equilibrio entre a casa d'Austria, e a de França, deveria ella acabar nas negociações de Haya, porque ahi se estipulava nesse sentido, e havia disposição de satisfazer a essas inclinações; mas, pelo contrario, consumindo todas as riquezas do paiz, prolongaram cem tino a mesma guerra, e quasi á sua custa. Chegou tempo, em que o Imperador d'Austria não mandou soccorros alguns para a Hespanha, em que nós apenas lá sustentavamos alguns regimentos, e em que as outras potencias coalisadas faltavam a todos os artigos dos tratados; e a Inglaterra, e a Hollanda carregavam com todas as despezas da guerra, com a differença de que a Hollanda com o progresso della podia adiantar, e segurar a sua fronteira, e a Inglaterra nenhumas vantagens podia colher. Luiz XIV. ambicionava o throno da Hespanha para seu filho, e os inglezes, que ainda na vida de Rei Carlos, e sem elle saber, tinham feito diversas conferencias diplomaticas, e nellas tinham dividido os estados hespanhoes segundo o seu capricho e interesses, em toda esta pendencia não tinham o menor toque de ambição!! Quando o Rei Carlos de Hespanha soube destas perfidas conferencias, chamou, segundo o costume do tempo, os prelados, os notaveis, e os theologos: a elles foi commettida a questão da successão, e o filho de Luiz XIV. teve os votos da Assembléa, como tinha as sympathias do paiz.

Estes são os factos, que todo o mundo sabe, porque as historias estão abertas para quem sabe ler; e assim não é pouco imprudente a segurança, com que o Sr. Barão da Ribeira da Sabrosa taxa de erro capital o imputar a guerra da successão á aristocracia ingleza, que a provocou, que a prolongou, e que a sustentou, e sempre á custa da prosperidade do seu paiz, que tanto abateu por esse tempo, que o reinado dos Stuards foi lembrado com saudade. Disse-se que a Camara alta em Inglaterra não tinha nada de aristocratica, porque era um panthcon, em que iam descançar todas as notabilidades do Paiz, é verdade; mas quando lá entravam já iam corruptas. A aristocracia ingleza cerca, namora, lisongeia, e a final absorve para si todos os talentos, que apparecem na Nação. E' um milagre que um homem d'Estado resista aos ataques incessantes desta poderosa classe. Dizia Lord Chatam a seu filho - nunca sejas Lord. - Com effeito Pitt escapou ao titulo de nobre, mas não póde escapar ao vicio da nobreza. A aristocracia ingleza, quando larga o vicioso principio da herança, é para tomar o principio corruptor, e é por isso que ella se torna duplicadamente damnosa ao paiz. E porque existem estes corpos, que atrahem a si as notabilidades da classe media, é que o illustre Deputado por Evora, unindo talvez ao prognostico o desejo, sustentou que essa classe nunca poderia absorver as outras; mas S. Sa. deve notar que a força corruptora dos corpos aristocraticos vai diminuindo gradualmente á proporção, que a classe media acha em seu meritorial, com que contrabalançar as illusões do privilegio.

O Sr. Conde da Taipa, combatendo a parte historica do meu discurso, foi muito levado de dous principios diversos, comparando a dictadura da revolução franceza com o governo absoluto de Carlos II. e Luiz XVI.; quiz prevenir os espiritos contra os horrores revolucionarios: a tenção foi bella, mas o recurso foi capuchinho. O nobre Deputado pertendeu desacreditar os excessos da liberdade pelos crime; do despotismo; mas as suas comparacies por forçadas ficaram destituidas de concludencia, e só a pureza dos seus fins póde desculpar a fraqueja dos seus meios. Acaso pode com parar-se um governo da excepção com um governo de principio? O mando e quero de um rei ungido com os decretos desesperados duma nação em delirio? Os esforços athleticos de um povo inteiro para salvar a sua independencia e liberdade com a tyrannia systematisada d'um principe para sustentar os seus caprichos, e regalos? - Sr. Presidente, o comité de salut publique queria a liberdade da França, e do mundo; e Carlos II e Luiz XVI espantar-se-iam só ao ouvir esta voz. - Asseverando que as desgraças da revolução franceza provieram da assembléa constituinte não querer annuir a um projecto de Constituição, que lhe apresentou a maioria da sua Commissão collocou-se S. Exca. no seu campo inculcando o projecto da maioria da nossa Commissão, intimidando-nos com as scenas da revolução franceza, se o não acceitamos.

Por ventura seria possivel transigir sobre materias constitucionaes ao rebentar da revolução franceza, quando um nobre chamando ao seu Castello os seus colonos e visinhos para uma testa, em quanto elles estavam entregues á alegria a mais innocente faz desmantelar esse Castello com uma explosão, e apontando para as ruinas em que estavam involvidos os corpos despedaçados da infelizes camponezes.- Disse brutamente? - Morrei debaixo d'essas pedras, que representam as regalias, que me quereis roubar. - Sr. Presidente, no principio da revolução franceza era impossivel qualquer transacção; e a Constituição modelada por esse espirito duraria ainda menos do que a decretada pela constituinte; os partidos tinham chegado á maior exaltação e intolerancia. Só se contentavam com o dominio exclusivo, com o triunfo completo. A revolução foi motivada pelos excessos da aristocracia, e para cortar o seu poder colossal. Q mesmo Luiz XVI. a recebeu com agrado porque, segundo a confissão unanime de todos os historiadores, a França era governada pelos caprichos de oito personagens, em quanto o Rei já não podia dar uma condecoração, nem uma pensão, nem um titulo, porque tudo lhe era disputado, porque todas as mercês se tinham tornado hereditarias; e em uma palavra porque o poder real tinha passado insensivelmente para as mãos da aristocracia; e a vida, que o infeliz monarcha perdeu depois no cadafalso por uma sentença popular ter-lhe-hia arrancado a nobreza com o punhal d'Ravoilac, ou uma preparação italiana. - Luiz XVI. nas primeiras eleições procurou solicitamente que sahissem muitos procuradores do baixo clero para com elles reagir contra a alta classe ecclesiastica, e muitas pessoas do terceiro estado para reagir contra a classe nobre; mas Luiz XVI. perdeu-se porque commetteu o erro capital de querer impôr a lei ao poder, a que tinha mendigado amparo Luiz XVI. era escravo da aristocracia; para se livrar dessa escravidão appellou para o povo, e depois temeu-o, e quiz escravisa-lo devendo-lhe a liberdade, e tendo lhe denunciado a sua fraqueza. Sr. Presidente, estão acabadas as minhas rectificações historicas; e por consequencia segura a doutrina, que sustentei = que a democracia é e principio vital das sociedades modernas. =

O illustre Deputado o Sr. Derramado aconselhou-nos, que abrissemos a historia ingleza, e que seguissemos os exemplos d'essa nação: mas que ha na historia ingleza que possa servir para fundamentar a doutrina d'uma Camara vitalicia? - Eu quero saber por uma vez que principios hei