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DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS
provido de todo; serve apenas para fazer a policia, e para esse mister só é excessivamente caro.
O illustre ministro reconhecerá que pésa sobre 8. ex.ª grande responsabilidade, responsabilidade que contrahiu logo
Que aceitou ser ministro da corria. Espero que s. ex.ª ha e tratar de obviar quanto podér aos males que todos os militares sentem na administração militar do nosso exercito.
N'este paiz ha duas escolas a respeito das nossas instituições militares: uma, que sustenta a idéa de que podémos prescindir de ter exercito permanente; e a outra, que é aquella a que eu pertenço e a que creio que pertence tambem o illustre ministro, que sustenta o principio opposto. Esta é a escola de Montesquieu e de outros illustres publicistas que dizem que os exercitos preparam se na paz para servir na guerra, e que os progressos de um para se avaliam pela sua boa organisação militar. O exemplo é caracteristico na Prussia.
Desejava tambem sôbre este ponto importante conhecer as idéas do sr. ministro da guerra; creio que tenho o direito de o pedir como representante do paiz, assim como sôbre algumas leis organicas do exercito, como, por exemplo, ácerca das leis a que me referi ainda agora, incluindo as leis sobre o accesso.
Desejava que o sr. ministro me dissesse se julga conveniente que continue a existir a legislação actual, ou, para melhor dizer, a não legislação sobre promoções. Eu ligo grande importancia á instrucção e pericia dos generaes. Talvez que se os francezes tivessem um bom general em chefe, não tivessem que lamentar as tristes circumstancias a que chegaram. Os destinos de um paiz dependem muitas vezes da capacidade de um general em chefe.
Não desejo cansar mais a attenção da camara com estas considerações, a que eu podia dar maior desenvolvimento.
Faço votos para que s. ex.ª com a sua iniciativa consiga mais do que tem podido obter os seus illustres antecessores. Se o mai vem de traz, como s. ex.ª diz, cumpre-lhe collocar-se adiante das necessidades do exercito, e dotar o paiz com uma organisação militar mais racional e economica.
Vozes: — Muito bem.
O sr. Presidente: — Tenho a lembrar que o sr. deputado pediu a palavra para dar explicações e não para fazer interpellações, a que talvez o sr. ministro da guerra não esteja habilitado a responder; pelo menos não é obrigado a responder á interpellação que o sr. deputado fez sem mandar para a mesa a sua nota, e sem se ter feito a communicação ao sr. ministro.
Eu digo isto, porque o sr. ministro não tem pratica das lides parlamentares, e para que não se julgue s. ex.ª obrigado a responder desde já ás interpellações que lhe fez o sr. deputado.
Tem a palavra o sr. ministro da guerra.
O sr. Ministro da Guerra (Moraes Rego: — Na sessão do dia 15 do corrente, respondendo ao illustre deputado, o sr. Camara Leme, conclui pedindo a s. ex.ª indulgencia.
Parece-me que este facto é bastante para que o illustre deputado, a quem muito respeito, e que ha pouco teve a bondade e fez a honra de me chamar seu amigo o sr. Camara Leme: — Peço a palavra.), se convença de que, quanto eu havia ponderado, não teve por rim fazer a s. ex.ª a mais leve censura (apoiados).
S. ex.ª no que disse hoje não queria de certo indispor-me com o nobre marechal Saldanha e outros cavalheiros que têem gerido a pasta da guerra, pois que me prezo de tambem ser conhecido por s. ex.ª, datando este conhecimento do campo de batalha; todavia declaro que não lancei censura alguma a s. ex.ª, e que respeito a todos.
Com relação ás observações que apresentou o illustre deputado, como v. ex.ª bem disse, s. ex.ª tocou em tantas materias que de prompto não é possivel responder (apoiados). Formule s. ex.ª a sua interpellação e eu a considerarei, porque ha pontos que precisam de ser meditados, e havendo tempo melhor será; no entretanto, posso asseverar a s. ex.ª que tudo quanto referiu esta na minha lembrança, e que hei de fazer em favor d'essas idéas quanto estiver ao meu alcance. Mas sejamos francos, a verdade é que para se fazer tudo isso é preciso dinheiro (apoiados). E preciso dinheiro, torno a repetir, e na actualidade não se póde ir pedir mais ao paiz. Não digo com isto que deixemos de nos armar e que nos esqueçâmos de nos organisar; no entretanto, para todos aquelles pontos essenciaes, importantes e de muita consideraçao em que o illustre deputado tocou, e com relação especialmente a armamentos, é preciso muito dinheiro.
Digo pois que tenhâmos alguma paciencia mais, continuemos a confiar no nosso patriotismo, o conseguiremos todos esses melhoramentos.
Com relação á lei de promoções que foi promulgada em 10 de dezembro de 1868, dezenove dias depois foi mandada sustar.
Está na rainha mente nomear uma commissão para se occupar da lei de promoções, trabalho que submetterei á consideraçao da camara.
Tenho concluido.
O sr. Barros é Cunha: — Usando da palavra n'este momento, venho talvez pouco a proposito, por isso que o assumpto que desejo apresentar não tem nada com as cousas da guerra, versa unicamente sôbre uma proposta minha que teve parecer, e que com o n.° 15 se acha na collecção dos projectos que estão sobre a mesa para se discutirem. E ácerca da moção sobre as juntas geraes de districto, que eu apresentei a esta camara e que eu desejava que fosse rejeitada ou approvada.
V. ex.ª póde de certo evitar mais considerações da minha parte se tiver a bondade de me dizer se por acaso tem idéa de o dar para ordem do dia de ámanhã.
O sr. Presidente: — Esse parecer já esta notado para ordem do dia de ámanha. Os projecto; que tenciono dar para ordem do dia soo os n.ºs 28, 15 e 23.
O sr. Barros e Cunha: — Obrigado a v. ex.ª, estou satisfeito.
O sr. Camara Leme: —Se eu pudesse adivinhar que o illustre ministro da guerra me dirigia as palavras benevolas que acabou de me dispensar, e que não tinha feito, no que disse, a mais pequena allusão á minha humilde pessoa, nem ao governo de que fiz parte, de certo me tinha poupado o dissabor de entrar n'esta discussão.
Pareceu-me que s. ex.ª pretendera lançar sobre mim a responsabilidade de actos que me não pertenciam directamente.
Ha pouco, quando fallei, esqueceu-me narrar a v. ex.ª e á camara uma circumstancia, que peço licença para apresentar agora.
O nobre duque de Saldanha tinha tanto a peito dotar o paiz com uma boa organisação militar, que depois de concluidos os trabalhas de que elle tinha encarregado dois illustres officiaes do nosso exercito, um dos quaes tem assento n’esta casa, s. ex.ª, apesar de eu ter a meu cargo as duas pastas, de marinha e obras publicas, pediu me encarecidamente que, debaixo de certos principios, que eram pouco mais ou menos aquelles que vem consignados na nossa organisação do conde de Lipe, de Gomes Freire, e nas obras de Trochu e de Briamont, e na notavel obra allemã publicada ha dois annos, sobre a organisação do exercito prussiano, me encarregasse de formar uni projecto de organisação, cuja minuta tenho aqui presente. E um trabalho de que eu não posso fazer uso sem auctorisação do nobre marechal.
Já vê v. ex.ª que da parte do ministerio de então houve todo o empenho em tratar com solicitude d'este importante ramo de serviço publico.
Não tenho mais nada a dizer. Agradeço ao illustre ministro as palavras benevolas que me dispensou, e á camara a attenção com que se dignou ouvir-me.