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alguma ao que aqui se passa, porque tendo chamado a sua attenção umas poucas de vezes, tanto na outra como já nesta Sessão, sobre a necessidade de attender a este Serviço, tudo fôra despresado, e nenhum caso se fizera das minhas observações.

Sr. Presidente, se houvesse tanta economia nas outras Repartições Publicas como ha na Repartição Ecclesiastica, não se veria o Thesouro em tão grande apuro, os pagamentos longe de andarem atrazados poder-se-iam adiantar, porque a cifra da despeza ficaria reduzida a uma centessima parte. Os negocios da Igreja deviam merecer-lhe mais contemplação, e era já tempo de cessar o abandono em que tem estado as Sés do Reino.

Sr. Presidente, para fazer sentir á Camara a desigualdade com que são tractadas as Cathedraes das outras Dioceses em relação á de Lisboa, e para que se não pertenda justificar esta desigualdade, dizendo-se que ainda tem rendimentos proprios, e finalmente para que se conheça que esta verba não é de maneira alguma correspondente á que é indispensavel fazer-se, preciso mostrar qual é o rendimento actual de cada uma das Sés, e a quantia que se acha designada para ser paga pelo Thesouro, e para obter estes esclarecimentos é que faço o seguinte Requerimento (Leu).

E aproveitando-me da palavra mandarei para a Mesa uma Representação da Mesa da Sancta Casa da Misericordia da Villa de Estremoz, em que pede se declare ou interprete authenticamente a Lei de 23 de Junho de 1846 sobre Foraes, a fim de se evitarem os graves prejuisos, que soffrerá nos seus rendimentos. Eu considero esta Representação digna de toda a attenção pelo seu objecto, e por isso peço á illustre Commissão a que foi remettida, a tome na devida consideração, e que com a brevidade possivel apresente á Camara o resultado do exame, a que tiver procedido.

Sendo consultada a Camara sobre a urgencia do Requerimento do Sr. Deputado, resolveu negativament, e por isso delle se dará conta, quando tiver segunda leitura.

O Sr. Silva Cabral: — O fim a que me proponho, é muito simples, e a Camara depois de me ouvir, ha de fazer sem duvida justiça ás minhas intenções, e em particular á Mesa no pedido que vou fazer.

Já não é novo para a Camara, que se annunciou uma Crise Ministerial, escusado era dizer, que depois deste facto não póde seguir-se outro principio, não póde seguir-se outra douctrina, do que aquella que foi annunciada da Mesa. Entendo que o Parlamento ainda que deva conservar a sua vida, toda a sua actividade para outras cousas, não deve de maneira nenhuma, metter-se ou ingerir-se no exercicio das Prerogativas da Corôa (Apoiados); sem questão nenhuma devemos respeitar o exercicio das Prerogativas da Corôa, para que a Corôa respeite em toda a sua plenitude as nossas Prerogativas (Apoiados); e por isso a pratica em todos os Parlamentos, quando se dá este exercicio das Prerogativas da Corôa, e emmudecer o Parlamento (Apoiados).

Mas, Sr. Presidente, a minha situação é especialissima: desta situação, com toda a generosidade, e com toda a convicção da justiça que me assiste, fiz eu Juizo á Mesa. Eu sei que não posso querer para mim, o que não exijo para a sociedade. Sei que não posso exigir na actualidade, que os Srs. Ministros estejam presentes ás Explicações, para que o dever e a decisão da Camara me tem habilitado previa e devidamente; mas tambem é uma verdade, Sr. Presidente, que os Srs. Ministros depois de annunciada esta Interpellação, não sei se conveniente, ou inconvenientemente adiantaram uma crise, que já era muito velha, e da qual já havia cabal noticia, e ha muito tempo. Em todo o caso eu não posso retrogradar de maneira alguma do meu proposito (Apoiados). V. Ex.ª sabe, sabe a Camara, sabem todos, o que occurreu, e que tenho por isso necessidade de me explicar, não para ferir ninguem (Apoiados), mas para explicar ao Paiz a comparação que se fez entre José Bernardo da Silva Cabral, que senão acha aqui mais do que como Deputado, e o Duque de Saldanha, que eu não vejo nesta Casa, senão como Presidente do Conselho de Ministros.

É preciso que todas as circumstancias verdadeiras e necessarias, para que a Nação ajuise desta comparação, sejam apresentadas, e sejam apresentadas por mim com toda a sinceridade, com toda a verdade de que sou capaz. Eu temo, Sr. Presidente, eu receio, e digo-o na presença do meu Paiz, que depois deste facto tenhamos um Adiamento, e que desta maneira se me tire a palavra; mas eu appello para a justiça da Mesa, appello para a justiça da Camara, e declaro que se por ventura os Srs. Ministros, como entendo que não seria possivel, não apparecer em hoje, ámanhã estejam ou não presentes, heide pedir á Camara que permitta que eu me explique então na presença não do Ministerio, que é muito pouco comparado com a Nação, mas na presença da Nação inteira.

O Sr. Presidente: — O Sr. Deputado requereu hontem á Camara que lhe permitisse as Explicações ou hontem, ou hoje, ou ámanha, estando presentes os Srs. Ministros do Reino, e dos Negocios Estrangeiros: a Camara annuiu ao Requerimento do Sr. Deputado; — por consequencia a Mesa estava na obrigação de cumprir a decisão da Camara, e ha de cumpril-a hoje ou ámanhã, logo que estejam presentes os Srs. Ministros; mas não póde dar a palavra ao Sr. Deputado não estando presentes os Srs. Ministros, em quanto a Camara não decidir o contrario. Se pois os Srs. Ministros não vierem hoje, eu tenho de ámanhã consultar a Camara; mas desde já declaro que ainda hoje previno os Srs. Ministros deste incidente, para no caso de não poderem estar aqui hoje, ou o Serviço não poder dispensar a sua presença, estarem aqui ámanhã para ouvirem as Explicações (Apoiados), e quando não venham, consultar-se-ha a Camara, se assim devem ter logar as Explicações.

O Sr. Bispo Eleito de Malaca: — Sr. Presidente, a Deputação, que teve a honra de ser encarregada de assistir ao Funeral do fallecido Membro desta Camara o Sr. Antonio Larcher, cumpriu o seu dever, acompanhando os seus Restos Mortaes até ao Cemiterio dos Prazeres.

O Sr. Presidente: — A Camara fica inteirada.

SEGUNDAS LEITURAS

O Sr. Agostinho Albano: — Sr. Presidente, vou mandar para a Mesa duas Representações, assignadas uma por 53 Cidadãos, e outra por 93, das Freguezias de S. Pedro, e de S. Thiago, da Cidade de Coimbra, pedindo á Camara haja de reconsiderar ou fazer alguma declaração á Lei de 16 de Junho de 1818 para auctorisar o Governo a applicar o Ren-