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feito. Os differentes prets importam em Lisboa 53 contos; as ferias importam em 20 contos; as Classes inactivas em Lisboa, porque e onde peza a maior parte, importam em 30 conto; só nestas differentes verbas temos nós uma despeza na importancia de 103 contos; isto alem de ordenados e soldos O que é verdade, Sr. Presidente, é que se torna inteiramente impraticavel nas nossas circumstancias, o satisfazer todos estes encargos, não digo com a regularidade que a Lei quer, que se satisfaçam, mas nem aproximadamente; e neste caso é preciso ver até onde chegam os recursos, e ir satisfazendo aos differentes pensionistas do Estado, conforme fôr possivel, e assim iremos vivendo ate que chegue um tempo, que espero não venha longe, de satisfazermos com mais regularidade as necessidades dos differentes servidores e pensionistas do Estado. O que é corto é que todos os dias na Repartição vejo diante de mim uma desgraçada taboleta das differentes despezas, a que é preciso attender; e perguntando qual será destas a mais urgente, leio desde a primeira até á ultima, e vejo que todas são urgentissimas: porque umas dizem respeito á subsistencia de differentes Classes de Servidores do Estado, e com outras esta ligado o credito do Governo. E neste momento convem fazer uma declaração, e vem a sei, que com quanto sejam bastante urgentes estas necessidades a que o Governo tem de acudir, ha uma a que eu não posso deixar de dar a preferencia, não obstante todas estas necessidades: que vejo diante de mim, o Governo deve cumprir a fé dos contractos; porque sem isso daria um grande golpe no credito publico; (Apoiados) eu hei de manter a fé de todos os contractos, que achei celebrados legalmente, e prometto que hei de cumprir isto religiosamente; (Muito bem) o apezar do apuro em que me acho para poder satisfazer a todos os encargos, eu hei de sempre satisfazei as condições desses contractos. (Apoiados)

Mas diz-se a Fez-se um emprestimo dividido em differentes prestações mensaes, e qual é a razão porque o Governo com este emprestimo não tem satisfeito completamente os encargos publicos?» Sr. Presidente, e forçoso dizer que o emprestimo já teve algum progresso; o nesta parte não posso deixar de fazei uma justiça a todos os cavalheiros, de que se compõe a Direcção do Banco do Portugal, porque neste negocio, assim como em todos os mais, andaram com a maior dignidade e do interesse que é possivel; e na verdade a Direcção do Banco de Portugal mostrou os maiores desejos de coadjuvar o Governo, e fazel-o saír do apuro em que se achava. Por conta deste emprestimo devia dai-se ao Governo uma prestação de 90 contos cada mez; porém ainda ha 25 contos que faltam para se completar esta prestação. Ora estes 25 contos que faltam para receber, juntos com os 37 contos, que existem do menos nas receitas para satisfazer o contracto de Pastor e Gonçalves Rio Tinto, veja o nobre Deputado, se com esta falta tão consideravel se é possivel podér o Governo satisfazei todos os encargos, arque esta obrigado com a regularidade que deseja. A vista disto entendo, que não é possivel nas nossas circunstancias fazer mais do que se tom feito; os annuncios que se tem feito provam a boa vontade, que o Governo tem de satisfazer os seus encargos á proporção dos meios que fôr realisando; e o nobre Deputado de certo não me quiz dirigir censura, quando disse que era escandaloso fazer annuncios de pagamentos que se não realisavam, porque inda não mandei fazer annuncios pagamentos, que se não tenham realisado nos dias para que foram annunciados; e ultimamente mandei fazer um pouco fóra do costume, para que desapparecesse qualquer idéa de engano nos interessados, a quem pertencesse o respectivo pagamento, por isso que o costume era publicai-se o annuncio de pagamento a uma Classe, e como o dinheiro não chegava, durava este pagamento o decurso de um ou dois mezes, e Os interessados iam immensas vezes ao Governo Civil sem receberem. Mas para que esses interessados soubessem, quando deviam ir procurar os seus pagamentos, mandei annunciar, que em dias determinados os cofies estariam habilitados com as sommas necessarias para satisfazer a esses pagamentos. Não posso dar mais explicações, e parece-me que tenho dado as necessarias, o as que devem descançar os desejos do illustre Deputado, que julgou ser este um dever, que lhe pertencia cumprir.

O Sr. Fontes Pereira de Mello: — Sr. Presidente, o Sr. Ministro da Fazenda respondeu cabalmente, dizendo que não paga porque não tem dinheiro; mas S. Ex.ª não respondeu cabalmente, porque não nos diz qual e o meio que entende se deve seguir, para se chegar a ter dinheiro. Talvez isto pareça um absurdo; mas eu entendo, que o não e. — Sr. Presidente, um Ministro da Fazenda qualquer não toma posse da pasta, unicamente para receber o que se lhe dá, e pagar com o que recebe as despezas inherentes ao serviço do Estado. E ou faço um conceito muito superior de S. Ex.ª para suppor, que S. Ex.ª entendesse, que a sua missão era unicamente aquella. Eu desejava que S. Ex.ª nos indicasse, a nós como Representantes do Povo, os moios de que carece, para nós habilitarmos o Governo com a somma necessaria, ou outro qualquer meio, pelo qual se resolva esta questão.

Sr. Presidente, eu se tivesse a honra de que Sua Magestade me mandasse convocar para tomar posse da pasta da Fazenda, do que estou livro, porque não tenho os conhecimentos necessarios para essa incumbencia; mas se isso acontecesse, preferia o ir preso para o Castello, a acceitar semelhante pasta; não porque não tenha a coragem necessaria para affrontar qualquer circumstancia penosa, que se me apresente; mas porque não sei qual ha de ser a maneira do resolvei esta questão..Entendo por tanto, que um Cavalheiro qualquer, que acceita o penoso encargo de Ministro da Fazenda, na situação em que nos achamos, deve ter um pensamento organisador que resolva a situação actual; e foi a isso, que eu desgraçadamente não encontrei resposta no discurso de S. Ex.ª Não e porque me persuada, que S. Ex.ª não tem esse pensamento, não lhe faço essa injuria, S. Ex.ª sabe, que eu tenho por elle a maior consideração, e mais alguma cousa, mas por isso mesmo que faço um alto conceito dos dotes de S. Ex.ª é que não pude convencei-me de que acceitasse aquella pasta, que se sentasse naquella cadeira tão cheia de espinhos, sem ler um pensamento organisador, e salvador das nossas circumstancias actuaes.

S. Ex.ª fez a censura mais pungente, que o possivel fazer-se, ao Ministro que foi substituir, porque veio confirmar tudo quanto se disse nesta Camara. Deste lado disso se — que o Orçamento era uma ficção — S. Ex.ª disse que assim era: disse-se — que a