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que esta Camara lhe impoz; e se no desempenho dessas obrigações tivesse a esperança de algum premio, ella não o podia conseguir maior do que aquelle que recebe dos agradecimentos que esta Camara acaba de votar. A commissão de Inquerito os agradece sincera, cordeal, e profundamente; a commissão fica muito penhorada por esta demonstração de benignidade da Camara, e espera que esses agradecimentos sejam um incentivo para que todas as commissões de Inquerito, que sairem do Parlamento, façam quanto, possam para bem corresponderem á confiança que nellas se deposite. Por tanto agradeço por minha parte, como relator, e pela dos meus collegas, esta prova de benevolencia que esta Camara teve para com a commissão, e peço que este agradecimento da commissão seja consignado na acta.

, O Sr. Bispo Eleito de Malaca: — Tenho a honra de mandar para a Mesa dois pareceres da commissão do Ultramar, sobre as propostas do Governo, relativas a direitos parochiaes, e outros negocios ecclesiasticos da diocese de Gôa. ~~

Mandaram-se imprimir, e se transcreverão quando se discutirem.

O Sr. Presidente: — A hora esta muito adiantada. Pouco tempo resta já de sessão para a ordem do dia. A urgencia dos negocios cada vez cresce mais. A Camara sabe o adiantamento em que esta a sessão annual, sabe que pareceres de commissões, sobre objectos os mais importantes, se vão apresentando, e que outros muitos ainda hão de vir, que necessariamente devem ser discutidos nesta sessão; mas a Camara não fará nada d'aquillo que o paiz pede, senão quizer resolver a prorogação de suas sessões (muitos apoiados). O regimento, como a Camara sabe, marca 5 horas para a duração de cada sessão; mas este anno ainda não se cumpriu o regimento. A Camara o anno passado, além da hora marcada no regimento, votou mais uma hora de prorogação; e, nesse tempo de prorogação, foi para assim dizer, quando se resolveram e fizeram os trabalhos mais importantes, e é de notar que, quando se tomou essa resolução, ainda a sessão não estava tão adiantada como o esta este anno. Eu portanto, por parte da Mesa, animar-me-hei a pedir á Camara, não só que se cumpra o regimento, mas ainda que faça um sacrificio da sua parte, principiando já na sessão de hoje, isto é que as sessões acabem ás 5 horas (apoiados), mas ás 5 horas da tarde tendo principiado ás 11 horas da manhã (apoiados). Este sacrificio que o paiz pede, parece-me que deve merecer a attenção desta Camara (apoiados) e, apezar delle, ainda assim me parece que não poderemos concluir os grandes trabalhos que nos estão encarregados. Portanto proponho que nos termos expostos se proroguem as nossas sessões (apoiados). A Mesa propõe, que as sessões comecem ás 11 horas da manhã, e se fechem ás 5 da tarde (apoiados). Vou pois submetter á decisão da Camara a admissão á discussão desta proposta. Foi admittida.

O Sr. Avila: — Sr. Presidente, as considerações que V. Ex.ª apresentou são muito justas, mas parece-me impossivel que se possa estar em sessão 6 horas consecutivas: eu já ha dias declarei os motivos por que não podia estar presente ao principio da sessão, mas logo que a Camara resolva que as sessões comecem ás 11 horas, eu hei de estar aqui infallivelmente a essa hora, Parecia-me mais conveniente que as sessões começassem mais cedo para se acabar mais cedo que ás 5 horas; abrir por exemplo ás 10 horas e fechar ás 4 (Vozes: — Não póde ser). Então proponho que as sessões se abram infallivelmente ás 11 horas e fechem ás 4, isto é que haja 5 horas effectivas de sessão: se a sessão se abrir ás 11 e meia, fechar-se ás 4 e meia; de modo que as 5 horas comecem a contar-se desde o acto da abertura da sessão. E neste sentido vou mandar para a Mesa uma proposta.

O Sr. Presidente: — A proposta do Sr. Deputado é para que a sessão comece ás 11 horas, e dure sómente 5 horas, contando-se estas desde o acto da abertura.

Foi admittida.

O Sr. Cunha Sotto-Maior: — Sr. Presidente, eu acho muito ponderosas as razões que V. Ex.ª deu, mas convem declarar que não acho possivel levar um trabalho intellectual aturado pelo espaço de 6 horas. De quem é a culpa deste estado? E da Camara, ou de V. Ex.ª? Não; é do Governo, o Governo assoalhara pela imprensa que tinha trabalhos promptos; abriu-se a sessão, e ainda não apresentou trabalhos alguns. O orçamento foi distribuido ha mais de dois mezes, e ainda não esta em discussão; estamos a discutir um projecto sobre administração publica, que ámanhã ou depois ha de ser adiado; e note a Camara esta minha profecia; o Governo sabe isto, e no entretanto vai atrapalhando. A vista d'isto não é possivel sessões de 6 horas. A proposta do illustre Deputado, o Sr. Avila, tambem não póde ser admissivel; por que então os Deputados que entrarem mais cedo, terão que estar á espera do9 que entram muito mais tarde; e seriam inutilmente victimas do seu zêlo; que devemos pois fazer? Note V. Ex.ª se a sessão for de 6 horas, a Cansara ha de fechar-se por falta de numero; não é possivel obrigar os Deputados a estar aqui 6 horas. V. Ex.ª vê que a sessão nunca se abre ás 11, e se a sua proposta for adoptada, ha de ver tambem que nem sempre se ha de fechar ás 5. A Camara esta pois collocada em grandes difficuldades; como ha de sair dellas? Eu sei, mas como ha certa animosidade a meu respeito não o quero dizer. Entendo a situação, mas não posso fallar.

O Sr. Presidente: — Não ha animosidade alguma contra o Sr. Deputado. O Sr. Deputado terá os mesmos direitos que todos os outros Srs. Deputados, mas esta tambem sujeito ás mesmas obrigações que todos elles: deve portanto conhecer o regimento. Se alguma vez o interrompo, é em cumprimento dos meus deveres.

O Sr. Carlos Bento: — Faço inteira justiça ás idéas que V. Ex.ª teve em vista, quando fez esta proposta; mas devo declarará Camara que nada colhe com a prerogação das sessões; o resultado ha de ser o mesmo ou peor, porque o trabalho intellectual por seis horas successivas é impossivel. Succedeu, não sei por culpa de quem, que esta Camara tem de se pronunciar nos mais importantes assumptos que tem a tractar, nos ultimos dias da sessão. Ora suppôr que se hão de tirar grandes vantagens em consequencia da proposta de V. Ex.ª é uma illusão, e custa-me dizel-o, mas tenho obrigação de o fazer em cumprimento do meu dever; se a Camara espera trabalhar mais pela prerogação das sessões, engana-se; póde