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Votar, havemos de ter a nossa convicção em disponibilidade, e havemos de formar um juizo dos seus actos; mas não será um acto esta Administração? Não significam alguma cousa as pessoas dos illustres cavalheiros, que se sentam naquellas cadeiras? Se isto fosse assim, se assim se entendesse, parece-me que eram SS. Ex.ªs aquelles que mais se deviam resentir de uma similhante consideração, porque effectivamente importava uma offensa ao seu caracter, e ás suas opiniões. Não quero dizer com isto, que o Ministerio não possa tomar medidas, que effectivamente venham fazer alguma alteração na significação, que tem a Administração de SS. Ex.ªs; decerto que não: no entretanto a existencia do novo Governo, a actual presença dos Srs. Ministros, é já um facto politico, que póde ser julgado, que o esta sendo, digamos a verdade. A presença dos Srs. Ministros esta já sendo julgada, todos a entendem; por consequencia, sem que se queira mesmo reformar apreciações politicas atrasadas, e antigas, é facil de avaliar até certo ponto a significação da elevação ao poder dos illustres cavalheiros, que occupam as cadeiras do Ministerio.

Sr. Presidente, a respeito de outro ponto importantissimo, S. Ex.ª tambem disse, que o programma do Ministerio era a economia. Ora ha uma circumstancia notavel, e é, que no actual Gabinete, além dos conhecimentos financeiros serem communs aos membros da Administração, ha quatro cavalheiros (nada menos de quatro), que se podem considerar como eminentes em assumptos de finanças, e ahi tem a Camara, que só esta circumstancia tem uma significação: eis ahi esta que não é preciso esperar pelos actos, para julgar, até certo ponto, esta Administração; basta a fisionomia da Administração para se ver que se entendeu, que as nossas circumstancias reclamavam, da parte do Ministerio, grande quantidade de capacidades financeiras; basta ver no Ministerio tres Ministros competentes neste assumpto, para isto demonstrar, até certo ponto, quaes são as difficuldades financeiras, entendeu-se que não era necessario menos de tres financeiros na Administração; certamente, creio que não estão lá menos, e não são muitos (apoiados) para as circumstancias em que nos achamos. E não terá isto significação?...

Ora, peço em geral á Camara, que avalie o que vou a dizer, pela obrigação que eu tenho de expor as minhas opiniões taes quaes ellas brotam da minha cabeça; isto é, que lendo agora occasião de dizer o que entendo, não tenho em vista justificar o caracter politico de SS. Ex.ªs, mas não posso de maneira nenhuma, sob pena de ser um miseravel hypocrita, deixar de notar certas circumstancias. Uma dellas vem a ser esta: ninguem ignora que uma importantissima instituição deste paiz, uma importantissima instituição monetaria esta altamente ligada com o nosso systema financeiro; não se póde negar isto; ora esta alta instituição financeira, por votação da Camara, é bem verdade, tem já dois membros da sua direcção na commissão de Fazenda, e agora succede, que o presidente da direcção desse estabelecimento esta no Ministerio. Ora eu sou o primeiro a fazer justiça; não se póde esperar de cavalheiro portuguez, que segue os impulsos naturaes do seu coração, que quando tiver a considerar entre os interesses d'um estabelecimento particular, e os interesses do Estado, S. Ex.ª ha de preferir os interesses da sua patria.

Mas pergunto, não poderá prejudicar os negocios a opinião destes cavalheiros, que estão costumados a considerar os assumptos financeiros debaixo d'um ponto de vista, por ventura menos util para o paiz? Será isto indifferente para o Ministerio? Não será de importancia a opinião destes cavalheiros a semilhante respeito? Poderá o Governo nestas circumstancias ter força para organisar a fazenda publica? Por ventura não seria necessario que o Governo podesse collocar-se em posição que tirasse todo o fundamento a qualquer insinuação ou suspeita, que possa haver sobre a confiança deste estabelecimento nos negocios financeiros do paiz? Bem sei que se me póde responder — que são desconfianças infundadas; — mas peço perdão para dizer que este passo foi aggravar as circumstancias neste ponto; apartou-se completamente daquillo que se segue nos outros paizes: em Hespanha, por exemplo, em circumstancias analogas, o que se segue é, que o Governo nomêa um governador para este estabelecimento; e cá succede o contrario; cá este estabelecimento dá individuos para a commissão de Fazenda, e dá Cavalheiros para formarem parte da Administração! Ora estas circumstancias para a resolução da questão financeira tem inconvenientes, e inconvenientes muito grandes, na minha opinião. Se quizesse aggravar estas circumstancias, diria que algumas palavras soltas pelo Presidente da Administração anterior, ainda concorreram para peiorar estas circumstancias; podia considerar que estas palavras soltas por S. Ex.ª talvez tivessem influido para a catastrofe, que depois se seguiu; estou certo que não; mas entretanto o seguir-se á Administração, que tinha solto estas palavras, uma outra em que entra um individuo que pertence a certo estabelecimento, que esta ligado com a fazenda publica, de certo que colloca o Ministerio em uma posição muito pouco vantajosa.

Ora, se eu penso assim, se tiro todas estas inducções dos Srs. Ministros, se calo muitas outras considerações politicas, que são tão obvias de fazer, como conveniente da minha posição para as calar, não posso comtudo deixar de dizer, que S. Ex.ª o Sr. Presidente do Conselho de Ministros se acha collocado em má posição, por lhe faltar dentro da Camara uma certa opposição, que tem lá fóra; por que nesta Camara S. Ex.ª não tem os seus verdadeiros adversarios, que são os juizes competentes para representarem certas opiniões, que eu não posso, nem quero representar. Portanto parece-me que terminarei como devo, dizendo que é infeliz a circumstancia actual de um Cavalheiro, que foi chamado a fazer parte de uma Administração, que tem uma opposição que não esta verdadeiramente representada na Camara, cujos principios contrarios á politica do Governo actual não teem os seus naturaes defensores nesta Camara (apoiados): e por este motivo o Ministerio não tem a verdadeira affeição que devia ter. Portanto concluo, e espero que S. Ex.ª tenha a bondade de fazer algumas declarações; primeiramente qual a sua opinião sobre a lei eleitoral; em segundo logar, qual asna opinião a respeito da opportunidade sobre uma medida de esquecimento para certos individuos implicados n'um processo, sobre o qual já houve uma decisão do tribunal competente; e finalmente se S. Ex.ª entende que deve dar mais esclare-