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CAMARA DOS DIGNOS PARES.
Sessão de 26 de Janeiro de 1836.
O Sr. Vice-Presidente abriu a Sessão pelo meio dia e cincoenta minutos; e feita a chamada declarou o Sr. Secretario Machado que estavam presentes 31 Dignos Pares, faltando 18, e destes 4 com causa motivada.
O Sr. Secretario Conde de Lumiares lea a Acta da Sessão antecedente, que foi approvada sem reclamação.
O Sr. Secretario Machado leu um Officio do Ministro da Fazenda, na qualidade de Presidente do Thesouro Publico acompanhando 60 exemplares de cada uma das classes da projectada Pauta geral das Alfandegas do Reino, até agora promptas. — Foram distribuidos.
ORDEM DO DIA.
O Sr. Secretario Machado fez a segunda leitura da Proposição apresentada na Sessão antecedente pelo Digno Par Visconde do Banho, sobre o Estabelecimento dos Cirurgiões Veterinarios.
Na conformidade do Regimento, teve a palavra para a sustentar, e disse o seu auctor
O Sr. Visconde do Banho: — Persuado-me que não devo cançar a attenção da Camara, fazendo agora muitas observações, sobre a utilidade de estabelecimentos veterinarios em Portugal; entretanto julgo do meu dever informar os Digno Pares, para honra de um que se acha aqui presente, que sendo o Sr. Freire já Ministro dos Negocios Estrangeiros, e estando eu em Madrid, me encarregou de procurar alguns Hespanhoes, que quizessem vir praticar a veterinaria a este Reino, estabelecendo um curso regular desta arte, a qual se acha alli ensinada debaixo de systema, e methodo, e até condecorada com a denominação de faculdade veterinaria. Porém a minha pouca demora naquella Côrte, fez impossivel o eu proseguir nessa diligencia, e por isso apenas trouxe algumas noticias, ou memorias vagas sobre este objecto. Aquillo que eu proponho é mais o estabelecimento da veterinaria praticamente, do que para o fim, que o Digno Par me havia encarregado, de chamar aquelles individuos que pertendessem vir ensinar esta arfe a Portugal. A minha proposição não é o estabelecimento de cursos de veterinaria, mas sim o de cirurgiões veterinarios. Lembro esta medida porque tende a augmentar os meios de communicação, e transportes, falta prejudicial ao commercio interno. — É sabido, que uma das cousas de que Portugal mais carece são os transportes. Não temos estradas nem canaes; e em vez de se premiar a importação de cavallos de fóra, e conservar os que temos, subsiste ainda a opinião mal entendida de lhe impôr tributos; mas isto não deve admirar, porque tem por muito tempo sido a nossa politica economica: matar as gallinhas, que pôem ovos de ouro... (Apoiado). É evidente que o beneficio resultante desta medida, que eu proponho, ha de chegar não só á cavallaria, mas tambem ao commercio interno. É este commercio quem faz as Nações ricas; mas são taes os prejuizos e ignorancia, que até já ouvi attribuir a cousas bem diversas a causa da riqueza d'Inglaterra. Não são as suas colonias do Oriente tão extensas, e populosas, como ellas são, que fazem tão rico aquelle Paiz; a riqueza desta grande Nação consiste principalmente no seu commercio interno. E se nós não tratarmos por nossa parte de o melhorar em Portugal, de abrir communicações entre os differentes pontos do Reino, não será jámais possivel que saiamos deste estado de marasmo, em que nos achamos. (Apoiado). O nosso paiz, sendo geralmente arido, e pedragoso, como é, não permitte que se abram muitos canaes, (ainda que em algumas localidades se podiam emprehender; e então é indispensavel que, depois de boas estradas, se favoreçam os transportes, visto que se não podem abrir muitos outros