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SESSÃO N.° 129 DE l DE JULHO DE 1912

O Orador:—^Sabe V. Ex.a? Se eu fosse atrás dos meus sentimentos humanitários queria que a mulher. . .

Interrupção do Sr. Nunes da Mata, que não se ouviu.

O Orador: — Desejaria que a mulher fizesse parte dos parlamentos; mas se alguma vez isso acontecer, ver-se há que a mulher será o mais cruel adversário que nós teremos. A mulher trará para as contendas políticas toda a paixão de que é capaz.

Interrupção do Sr. Ladislau Piçarra que não se ouviu.

O Orador: — O amor é o avesso do ódio. o ódio o avesso do amor, dizia Victor Hugo.

Não sei se V. Ex.a considera este pensamento verdadeiro. Em todo o caso responde à sua observação.

Interrupção do Sr. Nunes da Mata que não se ouviu.

O Orador:—Eu já disse que na questão sacrifício, o homem não pode comparar-se à mulher; esta excede-o completamente.

Mas isso não quere dizer que no momento actual possamos e devamos dar o voto à mulher.

Todos reconhecem que entre nós a educação da mulher não é completa nem incompleta, é nula; não quere isto dizer, que não haja no país, 6:000 ou 7:000 mulheres ilustradas, mas este número não é suficiente para que nós admitamos na nova lei eleitoral o,princípio do direito do voto à mulher.

Não desejaria roubar muito tempo, mas tive de responder aos apartes. Peço desculpa ao Senado. Não era nem ó minha intenção demorar esta discussão.

Com respeito ao sufrágio universal, eu já disse qual era a minha opinião. Só o saber ler e escrever, para conferir o direito devotará pouco, não é suficiente. ^E sabem V. Ex.as porque eu digo isto?

Porque já tenho encontrado pessoas analfabetas que sabem ler e escrever! Chamo-lhe analfabetos porque embora saibam ler e escrever não percebem o que lêem e escrevem. Estes analfabetos que sabem ler e escrever assim, sem compreenderem o que lêem e escrevem, são piores que os verdadeiros analfabetos.

Interrupção que se não ouviu.

O Orador:—Perdoe-me V. Ex.a, Sr. Presidente, que eu me dirija agora para o Sr. Piçarra para lhe significar qual o meu ponto de vista sobre o saber ler e escrever sem compreender.

Eu entendo, que assim como o sol quando nasce os primeiros pontos que toca são os cimos mais elevados das montanhas, assim também a instrução, os primeiros pontos que ilumina são as nossas paixões.

Só o saber ler e escrever, pois, sem a compreensão correspondente, pode prejudicar em vez de beneficiar.

E fora de dúvida, Sr. Presidente, que há pessoas que lendo e escrevendo são piores em seu carácter do que as que não sabem ler nem escrever.

Eu desejaria, pois, que a instrução que déssemos às crianças e aos adultos fosse nma instrução consciente, que tanto uns como outros soubessem o verdadeiro sentido daquilo que lêem.

Deveríamos também, ao mesmo tempo, ir pensando em lhes formar o coração, o carácter e os sentimentos, por isso que nós por natureza somos maus.

Eu quereria efectivamente que o sufrágio não atingisse só os que sabem ler e escrever, mas ainda todos os chefes de família.

Entendo também que o pagamento dum escudo de contribuição é pouco para dar direito a voto.

çj Sabem V. Ex.as o que são as eleições num povo pobre e miserável, como é o das províncias?

Se não visse, não acreditava nas torturas por que passam esses pobrezinhos quando tem o direito de voto. Tirar-lho é, por assim dizer, praticar uma boa acção.

Se o meu sentimento me leva a conceder o direito de voto a todos os cidadãos e às mulheres chefes de família, a minha modesta inteligência e a minha prática levam-me a uma conclusão completamente diversa.

Entendo, pois, que devemos dar o direito de voto aos que souberem ser e escrever bem, o que se verificajá pela . certidão de exame e aos chefes de família que pagarem não l escudo, mas sim 30 ou 40 escudos.

£ Faremos assim obra perfeita? Não. Mas será tam perfeita quanto pode ser.

Aparte que se não ouviu.

O Orador: — Repare V. Ex.a no seguinte: emquanto as sufragistas tiverem aquela cara das inglesas, cujas fotografias andam pelos jornais, pode ter a certeza de que não lhes dava o meu voto.

Riso.

O Sr. Artur Costa: — Podem ser feias algumas mulheres e terem inteligência.

O Orador : — Mulher feia a valer de cara é feia em inteligência. Se for extraordinariamente inteligente nem a cara se lhe chega a ver.

E V. Ex/.a sabe melhor do que eu: a perfeição do corpo dá a perfeição da alma.

Já lá vai o tempo em que a psicologia vivia divorciada da fisiologia.

Hoje a perfeição intelectual do ser humano é uma resultante da sua perfeição fisiológica. Se os órgãos não forem perfeitos não poderão funcionar com perfeição. A inteligência é uma função do cérebro.

Já não estamos no tempo daquela frase: feia de corpo, bonita na alma.

Internação do .Sr. Ladislau Piçarra que se não percebeu.

O Orador:—<_0nde que='que' no='no' nas='nas' criatura='criatura' organismo='organismo' perfeito='perfeito' ou='ou' urna='urna' formas='formas' ex.a='ex.a' é='é' p='p' perfeita='perfeita' vê='vê' melhor='melhor' um='um' v.='v.' não='não' seja='seja' espírito='espírito'>

A Grécia conhecia este princípio.

Há excepções à regra, não há dúvida, mas isso confirma a regra.

O Sr. Nunes da Mata:—As excepções provem da educação. Há uma filha interessante e outra não interessante. A que é pouco bonita trata de suprir Gsse defeito pelo estudo.

O Orador: — Sr. Presidente: vou terminar as minhas considerações para tambcm^terminar este mal estar da Câmara, ouvindo-me.

O Sr. Presidente: — O mal estar da Câmara não é por V. Ex.a estar a falar, é por não poder ouvir V. Ex.a

O Orador:—Dizia eu que a mulher era um autómato nas mãos dos jesuítas.

Neste ponto parece-me que eles, os jesuítas, tinham mais intelecto do que nós, porque nunca se importaram com a mulher para lhe dar o voto.

Quiseram-nas para a educação das crianças, para fazer parte de confrarias e para dominar o homem.