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6 Diário das Sessões do Senado

cão, em duas palavras. Efectivamente, pareço que dois ou três representantes da minoria monárquica se conservaram sentados antes do cortejo entrar na sala. A Portuguesa ouvia-se ao longe, porque se tocava no corredor.

A Portuguesa, representa o hino nacional e se ela fôr tocada num recinto em que se encontrem monárquicos, imediatamente êles se levantarão, por respeito para com o país, por respeito para consigo próprios e por,cortesia para com os presentes. Se, porêm, A Portuguesa estiver a executar-se, por exemplo, no Terreiro do Paço e os monárquicos estiverem no Congresso, certamente que mão poderão ouvi-la e conseqùentemente levantar-se.

Na Sala do Congresso bastou que um simples contínuo que vinha um pouco adiante do Chefe de Estado assomasse à respectiva porta para que todos os monárquicos se levantassem.

São estas as explicações que tenho a dar ao Sr. Machado Santos, e devo dizê-lo — dou-as com indignação — pois acho que era bem escusado dá-las.

O Orador: — Sr. Presidente: satisfizeram-me cabalmente as explicações que acabo de ouvir do ilustre Senador Sr. Mário Monteiro. Eu não tinha assistido ontem à sessão do Congresso e nem sabia, sequer, se a orquestra tocava, ou não, dentro da sala.

- O Sr. Luís Caetano Pereira da Costa Luz (Visconde de Coruche): — V. Exa. dá-me licença para uma pequena interrupção?

O Orador: — Pois não. Faz favor...

O Sr. Luís Caetano Pereira da Costa Luz (Visconde de Coruche): — Desejo declarar que, embora monárquico, não faço parte da minoria monárquica directamente visada pelo orador, porque estou no Senado como representante da agricultura. Fui um dos vogais do Congresso que se não levantaram senão quando deu entrada na sala o cortejo presidencial. Sou sempre um dos primeiros a levantar-me quando se toca o hino nacional em qualquer parte. Mas, sucedeu que, na sessão do Congresso de ontem, eu não ouvira tocar A Portuguesa, e por isso me não levantei antes de ver entrar o primeiro contínuo na sala das sessões. Logo, porêm, que vi dirigirem-se as pessoas que acompanhavam o Chefe do Estado para a sala, pus-me em pé imediatamente, como é meu costume o próprio da minha educação.

O Orador: — Resta, pois, Sr. Presidente, a interpretação que se deve dar ao artigo 83.° Já Constituição. Parece-me que o Ministério tem de ter um representante nesta Câmara, que responda pela sua política geral. Peço, pois, a V. Exa. Sr. Presidente, que se informe se aquele artigo está ou não em vigor.

Mando para a Mesa uma outra nota de interpelação ao Sr. Secretário de Estado da Agricultura, relativo a assuntos de subsistências. Tenho dito, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: — As notas de interpelação que o Sr. Senador Machado Santos acaba de enviar para a Mesa são as seguintes:

Desejo interpelar o Govêrno sôbre a política geral do Gabinete e, em especial, sôbre a política militar e económica que se tem seguido. — O Senador, Machado Santos.

Desejo interpelar o Sr. Secretário de Estado da Agricultura sôbre o aumento de preço do pão, em especial, e, em geral, sôbre a carestia da vida. — O Senador, Machado Santos.

As notas de V. Exa. vou enviá-las a dois Srs. Secretários, de Estado. Como V. Exa. sabe, não há Presidente do Ministério.

O Sr. Machado Santos: — Não há, mas é preciso que o haja, para se obedecer à Constituição.

O Sr. Presidente: — Não há porque V. Exa. acabou com os Presidentes dos Ministérios.

O Sr. Machado Santos: — Não há diploma jurídico nenhum que diga isso...

O Sr. Presidente: — É certo. Mas há o facto... Houve a revolução...

Eu não conheço Presidente do Ministério...