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Sessão de 2 de Marco de 1926

Tudo está naufragado, incluindo a competência, a começar pela minha ao apreciar o projecto de lei, do qual sou autor.

Deixa muito a desejar a competência que criou o Ministério da Agricultura, uma vez que o fundo de fomento agrícola não existe.

Parece que todos estamos a brincar,

.corno se fôssemos crianças. Parece que

nos andamos a enganar uns aos outros.

E a mina que sou uma espócio do pai da República, mas pai jovem, pois levado somente pelo fragor da minha mocidade fui um dos combatentes da República, podem preguntar-mo, o com razão, o que estive a fazer seis ou sete anos no Senado.

Houve grandes competôncias no Ministério da Agricultura, e uma foi ainda do tempo da ditadura de Sidónio Pais.

Mas de resto,.fora desta ditadura, foram as altas figuras dos partidos, foram as competências, que ocuparam essa alta posição.

Nern doutra forma se compreendia que ocupasse o lugar de Ministro da Agricultura quem não fosse um abalizado profissional o técnico.

^Poderia o Partido Democrático, ou mesmo o Nacionalista, ter cometido o ôrro de levar à situação de Ministro da Agricultura quem não possuísse as condições necessárias?

Bem sei que o Governo provisório—já estou um pouco à moda do Sr. Bernar-dino Machado, a contar histórias, mas histórias que pertencem realmente à história— que o Governo proclamado na Câmara Municipal de Lisboa no dia 5 de Outubro levou também à pasta da Marinha um bravo marinheiro que foi para esse alto cargo devido ao nome do irmão, marinheiro também, e que era capaz de fazer navegar um barco num palmo de água.

Mas se ôste engano do Governo provisório, que tantas vezes tem justificado dum bom resultado porque efectivamente o Sr. Amaro de Azevedo Gomes é um oficial da armada dos mais nobres, e como republicano paroce-me, pelo pouco que de S. Ex.a conheço, que tem dado sobejas provas da sua idoneidade pessoal e política, outro tanto já não se pode dizer com relação à pasta da Agricultura,

Mas, Sr. Presidente, a verdade é que

há muitas pessoas que, não obstante saberem muito de Agricultura, não sabem nada de política, e por este motivo nunca se sentam nas cadeiras do Governo.

Desculpe-me V. Ex.a ôste desabafo, mas sinto-me com orgulho de declarar que foi do ânimo levo que se reprovou o projecto de lei n.° 7, isto sem desprimor para os meus pares.

Rejeitaram-no pela mesma razão porque já tinham rejeitado o projecto de lei do Sr. Torres Garcia.

No primeiro projecto há a ponderar uma cousa.

Parece que o Sr. Santos Garcia está de candeias às avessas, politicamente, com o Sr. Sá "Viana. E qual foi o resultado disso? Foi o projecto do lei da autoria do Sr. Santos Garcia, que criava um posto agrário numa determinada região do Algarve, ter sido rejeitado.

Eu, que sou republicano independente, deste lugar por detrás dos monárquicos, aqui estou pronto a afirmar-mo mais uma vez republicano, ainda perante aquela já conhecida carta do ex-rei D. Manuel às juventudes integralistas, em que ele patenteava a sua admiração pelos bravos rapazes que hão-de fazer a restauração da Monarquia.

Portanto, na minha qualidade do independente, não tenho dado lugar a nenhum despeito de qualquer membro do Partido Republicano Português a não ser daqueles que, tendo feito parte da chapa eleitoral que nos deu a vitória, ficassem ciumentos porque no meu concelho, onde ' decerto modo pontifico e S. Ex.as não, quiseram ouvir dizer que afinal o único parlamentar que aquela gente tinha no Parlamento era Ribeiro de Melo, porque ôsse ó qae se não esquecia das regiões essencialmente agrícolas. Tanto assim que, quando o Ministro da Agriculra criou um posto agrário, o seu representante no Senado apresentou um projecto de lei criando um outro posto agrário na sua região.