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Diário das Sessões do Senado

gar esses interesses, se porventura me coubesse qualquer cousa nessa partilha.

Dito isto, permita-me a Câmara que ocupe a sua atenção durante mais dois minutos, chamando a atenção do Sr. Ministro da Justiça, que talvez me possa responder, pois em Conselho de Ministros talvez tivesse ouvido tomar essa deliberação.

Kefiro-me ao facto de, aos professores provisórios dos institutos comerciais do Porto, não serem pagos os seus vencimentos desde o dia em que começou a greve.

Devo dizer que o professores provisórios iam todos os dias às escolas, e não é legítimo nem honesto .que se marquem faltas aos mestres e não aos alunos.

Chamo, pois, a atenção do Sr. Ministro para este facto, que me parece representa uma iniquidade e uma extorsão.

Muitos opoiados.

Tenho dito.

O orador não reviu.

O Sr. Ministro da Justiça e dos Cultos (Catanho de Meneses) :— Sr. Presidente: pedi a palavra para dizer, em resposta às considerações do Sr. Júlio Bibeiro, sobre o que se passa nessas escolas do Porto, que não posso a S. Ex.a dar qualquer informação, visto não ter conhecimento do assunto.

No emtanto, como me cumpre, transmitirei ao Sr. Ministro do Comércio as considerações de S. Ex.a

Tenho dito.

O orador não revin.

O Sr. Martins Ferreira:—Sr. Presidente: no dia 20, depois dos arrojados aviadores Moreira Campos e Neves Ferreira, no hidro-avião Sagres, terem'levantado voo para a Madeira e Açores, intimamente acompanhei com entusiasmo as palavras patrióticas proferidas pelo ilustre Senador Sr. José Machado de Serpa, fazendo votos para que os intrépidos oficiais fossem bem sucedidos na sua viagem.

No dia seguinte, também calorosamente acompanhei as palavras igualmente patrióticas aqui pronunciadas pelo ilustre Senador Sr. Henrique Brás, fazecdo votos para que nenhuma desgraça tivesse sucedido aos intrépidos marinheiros c eles

pudessem continuar a magnífica e arriscada viagem.

Mas, Sr. Presidente, nessa ocasião invadia-me já o espírito, a dúvida, mais do que a dúvida, a quási certeza de que esses intrépidos oficiais teriam desaparecido na? profundidades do oceano e assim tragicamente arrebatados aos carinhos da família, á camaradagem amiga dos colegas e ao convívio dos seus compatriotas.

Mas ontem a minha alma de português e de patriota rejubilou ante a alegre nova de que esses oficiais tinham sido encontrados e estavam ilesos.

A alegria foi geral em todo o País.

Todos os portugueses rejubilaram com essa grande notícia.

E oxalá que os factos agora sucedidos sirvam de lição para que as estações oficiais, para que o Governo, não permitam que do ora-ávante qualquer aparelho aéreo e especialmente os hidro-aviões possa levantar voo sem ir munido de telegrafia sem fios.

Se o Sagres tivesse telegrafia sem fios a população portuguesa não teria passado os dois di"as de angústia e de cruel ansiedade que todos passaram, e o Estado não teria despendido as avultadas quantias, porque devem ter sido avultadas as despesas efectuadas cora as pesquisas feitas para se encontrar os dois arrojados aviadores.

Não censuro a despesa feita; antes, pelo contrário, acho-a muito bem empregada, visto que se encontraram os dois distintos oficiais da nossa" marinha de guerra, moços oficiais na flor dos anos, na pujança da vida, e que muitos serviços, hão-de prestar ainda ao seu País.

E, pois, com o maior prazer que, como representante dum dos distritos açoreanos, proponho que oa acta da sessão se consigne uni voto de congratulação por terem sido encontrados os dois intrépidos marinheiros, e que este voto, que estou intimamente convencido será aprovado sem a menor discrepância, seja comunicado telegràficameiite para o Funchal, aos distinto? oficiais, com os votos do Sedado, para que o final da viagem pelas belas paragens açoreanas seja coroado do melhor êxito; inscrevendo-se assim mais uma brilhante página na já gloriosa história da nossa aviação naval.'