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458 I SÉRIE - NÚMERO U

O Orador: - O Sr. Deputado João Amaral começou por colocar uma questão extremamente importante relacionada com a indústria têxtil. Se esteve atento ao meu discurso, ouviu que eu referi que «numa outra altura falaremos na indústria de lanifícios».
De facto, na Covilhã tem-se verificado que este sector industrial se arrasta hoje com problemas extremamente graves, ou seja, devido a uma insuficiência de natureza estrutural, que tem a ver com a horizontalidade da produção, que hoje já não resolve muitos dos problemas que se colocam a nível da indústria de lanifícios. Pensamos, por exemplo, que uma das formas de sanear algumas dessas pequenas indústrias - no seguimento de uma proposta que vem de 1970, aquando do centenário da cidade da Covilhã era a verticalização das diversas fases da produção de lanifícios.
Mas não é esta a questão mais aguda e importante. Dessas podemos salientar o grave estrangulamento económico-financeiro das empresas, que vivem situações de falta de liquidez para pagar ordenados e, naturalmente, de falta de instrumentos financeiros para promover as suas indústrias para, por exemplo, a exportação. Ê um sector que, na nossa opinião, na opinião do Partido Socialista, devia ser acarinhado e apoiado por este Executivo por se tratar de um sector virado essencialmente para a exportação.
Há outros estrangulamentos nestas empresas que têm a ver com as próprias estruturas, que, em muitos casos, são caducas; há casos em que - o Sr. Deputado João Amaral deve sabê-lo os maquinismos montam a qualquer coisa como 100 anos, há máquinas que funcionam há 100 anos!
Falou depois no transporte do minério. Bom, na minha intervenção procurei cingir-me exclusivamente à Cova da Beira, embora tenha feito uma passagem muito ao de leve pelos quatro grandes problemas da Beira Interior, ou Beira Baixa, como queira. As ligações ferroviárias ficarão para outra altura ... aliás, não serão só as ferroviárias, serão também as rodoviárias e as aéreas. Justifica-se, por exemplo, que os pequenos aeroportos da Covilhã e de Castelo Branco venham, a- muito curto prazo, a ser construídos de forma a atenuar, ou eliminar (até certo ponto), o isolamento dessas zonas.
Falou-se aqui de coincidência de palavras... bom, pronunciei-as de boa fé e com vontade de incomodar este Executivo até onde for necessário. Os deputados do Partido Socialista, eleitos por aquele círculo eleitoral, não deixarão de fazer perguntas ao Governo, de requerer informações acerca do regadio da Cova da Beira e queremos estar atentos ao desenrolar da situação. No entanto, entendemos que não é possível o «abre-te Sésamo» de um dia para o outro e, por isso, esta intervenção teve como objectivo, por um lado, avivar a memória do Governo e, por outro, alertar o Governo para o facto de que na Assembleia da República existem deputados que estão atentos e que não vão deixar dormir no «sono pesado das gavetas» projectos tão importantes como este que serve o regadio daquelas gentes do interior.
Colocou-me uma outra importante questão, que foi também abordada pelo seu colega de bancada José Vitorino, relacionada com os financiamentos.

O Sr. Rogério Brito (PCP): - Dá-me licença, Sr. Deputado?

O Orador: - Faça favor.

O Sr. Rogério Brito (PCP): - Sr. Deputado, apenas para fixar - não tem nada de especial -, dado que «estamos em relações recentes», não me chamo José Vitorino, o José Vitorino está ali na bancada do PSD, mas sim Rogério Brito.

Risos.

O Orador: - Peço imensa desculpa, Sr. Deputado Rogério Brito, estou aqui pela primeira vez e, por isso, compreenderá que não é possível fixar todas as caras e nomes dos colegas desta Assembleia. Tinha percebido José Vitorino, certamente o meu colega José Vitorino do PSD vai desculpar também esta confusão que, certamente, não é lamentável porque quando se discute problemas numa Assembleia que, de uma forma geral, têm o consenso dos Srs. Deputados, questões deste tipo podem trazer um pouco de graça, sal e pimenta a esta discussão.
Referindo o problema que tinha posto relativo ao financiamento, devo dizer-lhe que o Partido Socialista pensa que, independentemente das contrapartidas alemãs, o projecto tem de avançar de qualquer maneira. Isso tem de acontecer porque ele corresponde ao desenvolvimento de um sector produtivo, básico para a nossa economia, pensamos, por isso, que o Governo não deve deixar de o apoiar mesmo tendo em conta a escassez dos seus recursos financeiros.
Esteve há dias nesta Assembleia uma delegação da Assembleia Municipal do Fundão, que também foi recebida pelos Srs. Deputados do PCP, que me trouxe um dado novo, que, aliás, não conhecia, relativo ao financiamento do projecto o Sr. Deputado João Amaral salientou-o -, ou seja, estava previsto para este ano um financiamento, para o andamento normal dos trabalhos de regadio, de 600 mil contos e a verdade é que o OGE para este ano, que é provisório (talvez seja definitivo), apenas desviou para esse plano 200 mil contos. Isto é extremamente grave, e, por isso, será uma das questões que, a curto prazo, irei colocar, através de requerimentos, aos Srs. Ministros do Equipamento Social e da Agricultura para saber como ultrapassar este problema. É verdade aquilo que os Srs. Deputados referiram, ou seja, desde que haja contrapartidas do lado português, desde que o lado alemão corresponda com os financiamentos com que se comprometeu, pensamos que é possível reduzir o novo cronograma de 1990 para 1986-1987.
Portanto, Srs. Deputados, também nos iremos bater para que, efectivamente, essa verba ainda seja reforçada este ano, em ordem a que o projecto de rega da Cova da Beira possa prosseguir os seus termos normais.
Em relação a saber-se onde fui buscar os dados, pois. Srs. Deputado, eu sou da Beira Baixa, nasci lá, sou nado e criado, e sempre me interessei por estes problemas. Devo dizer-lhe, apesar de tudo isso, que não deixei de estudar os dados com alguma profundidade, na medida em que seria leviano da minha parte vir a este microfone falar aos Srs. Deputados representantes da Nação para dizer apenas palavras, para fazer demagogia.
De qualquer forma, quero dizer-lhe que foi de facto o Jornal do Fundão, do meu amigo António Paulo Louro, que acima de todas as outras fontes me deu informações fundamentais.