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Torga designa a sua terra, Trás-os-Montes e Alto Douro, continua a ser sinónimo de isolamento, de interioridade, de dificuldades nos diferentes sectores que determinam as condições de vida dos que ali residem e labutam, agarrados pela força telúrica que domina a sua existência.
A região transmontana, cheia de contrastes, rodeada por escarpadas serranias, quase intransponíveis, quase estéreis, recobertas de raquíticos gravetos ou salteadas, de onde a onde, de densas florestas, prenhe no seu âmago de extensos socalcos cultivados de vinhedos ou planícies atapetadas de prados, cereais e leguminosos, agreste, num clima de acentuada amplitude térmica, dividida entre terra fria e terra quente, paradisíaca pelo contraste de paisagens multicolores, acolhedora pelo trato afável, hospitaleiro e franco das suas gentes, é tema para mais uma reflexão, grito para mais ,um alerta, exemplo para mais um clamor da injustiça que se eterniza e continua a fazer-se sentir agudamente.
Chamar a atenção do Governo, através dos meios de que dispomos, e, muito especialmente, desta Câmara para os problemas mais candentes que afectam Trás-os-Montes, nomeadamente o distrito de Vila Real, é imperativo daqueles que, como nós, sentem no dia a dia as dificuldades, auscultam os brados de revolta, adivinham o crescente desencanto, pressentem o desespero de um povo simples, pacífico, honrado e trabalhador, ciente das suas obrigações de cidadãos, mas igualmente consciente dos seus direitos e das injustiças de que através dos tempos tem sido vítima.

Uma voz do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Exemplos desta marginalização são as dificuldades crescentes na agricultura, quase único factor económico de subsistência na região, agravadas pela subida desmesurada do preço dos adubos; são a deficiente distribuição e comercialização dos diferentes produtos da terra; são as diferenças de tratamento provocadas pelo custo de transportes de mercadorias, como o cimento, enquanto a electricidade aí produzida é mais cara na origem do que em certas localidades do litoral; são o estado lastimoso das suas vias férreas; são a falta de cobertura televisiva do segundo canal e a permanente irregularidade do primeiro; são a cada vez mais depauperada e deficiente rede de estradas de que as ligações Vidago-Chaves, Vila Real-Sabrosa e Vila Real-Amarante são exemplos gritantes; são, enfim, inúmeros problemas, que têm sido levantados nesta Câmara sem que qualquer eco tenha influenciado quem compete partilhar, equitativamente, os bens que são pertença da comunidade nacional.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: O principal eixo rodoviário e de penetração para toda a região, que desde Basto se estende até Miranda, e uma estrada de largas dezenas de anos, que se desenvolve num traçado anguloso, enleante, qual réptil fugindo no emaranhado da floresta, atravessando as penedias alcantiladas do Marão e ligando o litoral duriense ao extremo nordeste das terras bragançanas.
Estrada de perfil antiquado, desajustado às necessidades do tráfego da vida actual, encontra-se em péssimo estado de conservação, agravando o tradicional isolamento e dificultando, cada vez mais e progressivamente, o desenvolvimento a que os transmontanos têm direito e o consequente equilíbrio inter-regional do nosso País.
As obras da via rápida IP/4, cujo lançamento foi publicamente anunciado há cerca de 3 anos, encontra-se na fase inicial, somente com 2 dos seus 14 troços em execução, quando o período previsto para conclusão total das obras teria como limite o ano de 1985.
Desde há vários anos que tem sido afirmada por vários responsáveis governamentais a intenção de dar continuidade à execução total deste projecto e expendida a opinião de que tal empreendimento é vital para o tão propalado desejo de se desenvolver toda a região norte interior.
Apesar de tais afirmações terem sido feitas com ênfase, em cerimónias públicas que mais responsabilizavam os seus autores, verifica-se, pela decorrer dos trabalhos, que tais obras se arrastam indefinidamente, em ritmo de tal maneira lento que nada ficarão a dever, pelo tempo de duração, às célebres «obras de Santa Engrácia».
Atendendo a que nenhum dos lanços actualmente em construção se situa na zona da serra do Marão, onde num percurso de cerca de 25 km mais se fazem sentir as dificuldades de locomoção, onde as curvas contínuas, o acidentado dos terrenos, os buracos do pavimento, as bermas esventradas, a estreiteza da faixa de rodagem, são um perigo constante, sugere-se que, de imediato, se tomem medidas que atenuem o mal-estar e o desencanto de todos quantos vêem na estrada do Marão um dos principais óbices para o desenvolvimento de todo o Nordeste Transmontano.

O Sr. Lemos Damião (PSD): - Muito bem!

O Orador. - Foi com satisfação expectante que todos os vilarealenses assistiram à cerimónia de assinatura pelo anterior Primeiro-Ministro do concurso de pré-qualificação para a empreitada deste lanço rodoviário; foi com idêntica e renovada esperança que tiveram conhecimento que no Programa do actual Governo, no capítulo referente ao equipamento social, se menciona a seguinte passagem:

Os programas de investimento conferirão prioridade à reabilitação da rede existente e ao completamento dos itinerários principais Porto-Bragança [...]

Pela confluência dos 2 factores apontados, o lançamento da estrada do Marão, entre o Alto de Espinho e Amarante, poderá ser uma realidade em breve; no entanto, o atraso que se tem verificado no desenvolvimento deste processo, aliado ao facto de tal troço de estrada ser de difícil execução, o retardamento será inevitável e alguns anos nos separarão ainda dessa benéfica e ansiada realidade.
A degradação existente na actual rodovia impede que se adie por mais tempo uma resolução equilibrada e eficaz; não se pode esquecer que, mesmo com a via rápida concluída, há várias povoações que ladeiam a actual estrada que não poderão deixar de continuar a utilizá-la. Na conjugação de todos os factores expostos e na procura de solução que evite o iminente isolamento do Nordeste Transmontano apelamos com toda a veemência, exigimos com todo o vigor e a frontalidade de quem se julga ciente de um direito inquestionável, que seja acelerado e se desenvolva com a rapidez que