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1772 I SÉRIE-NÚMERO 41

Será isto mais uma originalidade deste Governo Mário Soares/Mota Pinto, de tentar resolver os problemas de empresas em dificuldades com especialistas da repressão e da violência?!
Na CIVE - empresa produtora de embalagens de vidro, que tem instalado o mais moderno equipamento das empresas congéneres existentes no país, trabalhando em pleno, deve mais de 60000 contos de salários em atraso aos cerca de 650 trabalhadores que nela laboram.
Porquê esta situação se até se dá a circunstância de, pelo menos uma empresa concorrente, que tempos salários em dia, recorrer à CIVE para satisfazer as suas encomendas? Caso curioso, já há quem venha falando de fusão da CIVE com outras empresas - Carlos Galo, por exemplo -, o que seria uma forma de a entregar ao capital privado.
Para 61 trabalhadores está claro que através do atraso no pagamento dos salários se escondem objectivos bem determinados.
Também na CIVE têm acontecido fenómenos que só uma política de recuperação capitalista, conduzida a todo o custo, o pode justificar. Está neste caso o facto de para gestor da empresa ter sido nomeado um senhor comandante, surgido não se sabe de onde nem porquê. Não obstante tal senhor nunca ter entrado numa fábrica de vidros, como ele mesmo confessou, o primeiro parecer que deu foi de que a empresa não era viável sem despedir, pelo menos, 200 trabalhadores.

Vozes do PCP: - É uma vergonha!

O Sr. Carlos Brito (PCP): - De vidro só conhece as garrafas!

O Orador: - Foi uma vitória que o senhor comandante tenha sido corrido da empresa.
Porém, outras manobras estão em curso e os operários não deixarão de estar atentos. Não será uma simples mudança de nomes na gestão que modificará a situação na empresa.

FÉIS - «Fábrica-escola».

A FÉIS é das mais antigas empresas estatais. Também ela não escapa à fúria do Governo de entregar tudo o que é riqueza da Nação ao grande capital.
Para se desenvolver e poder no mínimo desempenhar o papel de empresa piloto, no que diz respeito à produção e manipulação de vidro de qualidade, a FÉIS precisa de ser apetrechada com um forno a tanque para a produção de cristal. Contudo, esta indispensável e justa pretensão não arrancou ainda, nem se sabe quando arrancará, porque também aqui se adivinham interesses privados que se opõem à sua concretização. Destes interesses se não pode desligar o facto de a produção de cristal em sistema de forno a tanque ter vindo até agora a ser feita, exclusivamente, pela firma Crisal, de Alcobaça.
A realidade é que a pretensão da FÉIS para produzir cristal por este sistema, está bloqueado. E não será por mero acaso que ao mesmo tempo que tal se verifica, se comece a falar na entrega da empresa à família Magalhães, donos e senhores da Crisal e da IVIMA. A verificar-se isto, seria um escândalo. Mas deste Governo tudo se pode esperar.
Com o exemplo das 3 empresas citadas quisemos demonstrar que a crise na indústria vidreira, que é muito grave, tem causas e motivações que a ultrapassam. Quisemos igualmente demonstrar que até agora nada de sério foi feito, quer pelo actual Governo, quer pelos anteriores para combater a crise.
No entanto, há soluções para a crise. A capacidade, o dinamismo, a arte dos operários vidreiros da Marinha Grande é apreciada em muitos países da Europa, nos Estados Unidos e mesmo em países de outros continentes. Não é por acaso que a Crisal exporta quase toda a sua produção. Outras empresas, como a IVIMA e a FÉIS, também colocam parte da sua produção em mercados estrangeiros. Isto significa que um estudo cuidado e objectivo de alguns mercados externos podia ajudar a resolver em boa parte a crise do vidro no nosso país. Além disso, na Marinha Grande, estão já estudados e apurados alguns avanços técnicos quanto à produção e manipulação de vidro, como estão avançados estudos técnicos quanto à aplicação e redução de custos de novas energias que uma vez aplicadas podiam tornar a produção mais competitiva.
Por outro lado, não obstante todos os protestos e denúncias que têm sido feitas quanto à importação legal e ilegal de vidro estrangeiro, nada foi feito até agora para o impedir. O escândalo é de tal modo que mesmo à Marinha Grande chegam constantemente contentores carregados de vidro que entram em oficinas de acabamento para decorar e vender no mercado interno.

Vozes do PCP: - É uma vergonha!

O Orador: - Medidas eficazes contra este tráfico de vidro também seria uma forma salutar para ajudar a combater a crise. Mas até agora nada foi feito. Por isso de novo há que colocar a pergunta aos responsáveis pelo comércio externo.
Quantas centenas de milhares de contos em importação de vidro se gastam anualmente? Quem lucra com o negócio?
Entretanto a situação continua a deteriorar-se mais e mais. Milhares de trabalhadores estão no desemprego e sem salários. Várias empresas estão encerradas, Fontela, Labal, Favilda, Moleirinho, Ingridhutte.
Outras empresas correm o risco de encerrar se por parte do Governo nada for feito para o evitar. Entre elas estão a Manuel Pereira Roldão, Gaivotas, Ferreira Custódio, Dâmaso Luís dos Santos, etc.
A discussão e votação do projecto de lei do PCP, que estará hoje em apreciação no período da ordem do dia, vai constituir um teste para os partidos do Governo. Da sua aprovação ou não aprovação ficará claro para os trabalhadores, se o Governo e a maioria dos deputados em que se apoia, aprovam a imoralidade de o patronato não pagar os salários, se são verdadeiramente a favor da estabilidade social que só pode ser garantida no respeito pelos direitos dos trabalhadores.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Orador: - O que tem que ficar claro para o Governo e para os Srs. Deputados é que os trabalhadores não se deixarão abater pela fome.
Se a luta é a única saída a luta continuará.

Aplausos do PCP e do MDP/CDE.