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20 DE JANEIRO DE 1984 2833

31 de Maio de 1983, que não a levante em Junho ou Julho de 1983, com a aquidade com que a levanta agora, que não a levante em Outubro ou Dezembro de 1983, e a levante com tambores e trombetas em Janeiro de 1984.
O MDP/CDE fez esforços junto da comunicação social anunciando uma conferência de imprensa, conferência de imprensa que caiu de forma ridícula, porque se cingiu a levantar uma questão deste tipo, uma questão regimental. Eu gostava que a Sr.ª Deputada Helena Cidade Moura entendesse - e o Sr. Presidente e os Srs. Deputados já entenderam - que a nós o que nos move são princípios políticos, é um projecto político determinado e que as questões regimentais, para o meu Partido, para o meu agrupamento e para mim próprio, são questões subalternas em relação aos princípios políticos.
Se a Sr.ª Deputada viesse aqui para nos criticar politicamente, eu entendia a sua observação. Levantar com este alarido, com uma conferência de imprensa, deslocando dirigentes do partido de outras regiões - do Algarve, concretamente -, fazendo aqui uma declaração política, mas que questão tão importante?!
Sobre o fundo da questão já o meu camarada César Oliveira falou e ela será esclarecida em comissões. Será com este estilo que o MDP/CDE pretende cumprir o papel, que se tem invocado, de mentor do diálogo no seio da esquerda e das forças democráticas? Se é com este espírito que querem o diálogo, que raio de diálogo é que querem?

Vozes da UEDS e de ASDI: - Muito bem!

O Orador: - O que nos querem? Negar o direito ao nome, aqui? Que nos chamemos agrupamento parlamentar dos socialistas de esquerda ou dos democratas socialistas? 15so para nós é irrelevante. Nós pensamos o que pensamos, afirmaremo-lo aqui como lá fora, no tempo do fascismo como hoje.

Vozes de UEDS e da ASD1: - Muito bem?

O Orador: - Portanto, Sr. Presidente e Srs. Deputados, que esta questão seja tratada na comissão, mas não nos empolem mais, não nos façam mais conferências bombásticas de imprensa, não nos venham para aqui com isto. O que é que querem? Querem alterar os direitos? Não sabem os Srs. Deputados, não sabe a Sr.ª Deputada Helena Cidade Moura, que, por exemplo, é possível este Parlamento votar que um grupo parlamentar só se pode constituir com 32 deputados, só para «chatear» ali o nosso amigo Nogueira de Brito?

Risos do PS, do PSD, do CDS e da ASDI.

Não sabem que no tempo da maioria de direita em França, foi votado um número mínimo de deputados para impedir que, por exemplo, os radicais de esquerda pudessem constituir um grupo? Não sabem isso? Então porquê essa batalha e porquê essa preocupação? Os senhores querem-se apresentar perante nós como novos fariseus, sepulcros caiados de branco. 15so não é o MDP/CDE que eu conhecia.
Para mim a surpresa, portanto, nem a dirijo ao MDP/CDE. Dirijo-a à Sr.ª Deputada Helena Cidade Moura, que aqui personificou esse estado de espírito, que eu estranho e que duvido sinceramente que seja compartilhado - e temos elementos que comprovam que não é compartilhado - por uma boa parte dos activistas do MDP/CDE.

O Sr. César Oliveira (UEDS): - Muito bem!

O Orador: - Sr. Presidente, Srs. Deputados: E tanto mais chocante para mim esta questão quanto o MDP se arvora do direito de MDP barra CDE. A CDE correspondeu a um movimento popular que existiu em 1968-1969, e que se prolongou por algum tempo, onde estava gente desta bancada, gente do Partido Comunista, gente do Partido Socialista e alguns do PSD e estava lá gente que está hoje na UEDS ou que não está militando em partidos políticos. Os Srs. Deputados invocam o seu nome, que é um nome digno, mas que é um nome que compete a muitos de nós. Nunca nós discutimos a legitimidade do uso desse nome.

Vozes da UEDS e da ASDI: - Muito bem!

O Orador: - Mas se começam com este estado de espírito, nós dizemos que essa CDE que se segue a essa barra não tem nada a ver com a CDE que ajudámos a formar em 1968-1969.

Aplausos do PS, do PSD, da ASDI e da UEDS.

Para terminar, Sr.ª Deputada ...

O Sr. Silva Marques (PSD): - Essa é a verdade ...

O Orador: - Olhe que não foi a última, Sr. Deputado, não foi a única, e, para mim, as verdades não mudam, nem eu mudo de dogma tão rapidamente como outros mudam. Sou socialista e democrata há 20 anos, pelo menos.

O Sr. Silva Marques (PSD): - Não me refiro ao passado, refiro-me a este momento.

O Orador: - Bem, mas adiante.
A sua intervenção, Sr.ª Deputada, teve efectivamente alguma coisa de um cunho estalinista no plano político, pelo que só pede ter eco em mentalidades de carácter estalinista. A intervenção foi mesquinha no plano político, o que não condiz com a imagem e o conceito que eu tenho no plano pessoal da Sr.ª Deputada Helena Cidade Moura. Mas isso não tem nada a ver - a imagem no plano pessoal como a imagem no plano político.
Última questão: os Srs. Deputados do MDP/CDE repararam que o grande eco que tiveram na imprensa foi em jornais como o jornal O Dia?

O Sr. Presidente: - Para um pedido de esclarecimento, tem apalavra o Sr. Deputado Vilhena de Carvalho.

O Sr. Vilhena de Carvalho (ASDI): - Sr. Presidente, eu tinha pedido exclusivamente a palavra para um protesto e é unicamente um protesto que pretendo fazer.