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496 I SÉRIE - NÚMERO 14

directa e dou-lhe igualmente uma resposta muito directa: é óbvio que, tal como a coloca, a matéria tem a nossa simpatia. Isto é, o Partido Socialista, como sabe, apresentou regularmente, nesta Assembleia, quando foi oposição não foi o meu caso, porque não fui Deputado -, propostas neste sentido e, como sabe, o Governo anterior sempre se manifestou contra. Isto não significa que eu não lhe diga que o Governo actual, ou melhor, o Ministério actual - respondendo-lhe à pergunta e não o querendo aqui vincular - entende que esta é uma matéria que deve ser analisada em sede de reforma fiscal e de avaliação da quebra das receitas. Tem a nossa simpatia, isto é, estaremos disponíveis para poder analisar esta questão, mas ela tem um enquadramento mais vasto e não é, certamente, o Ministro da Educação que aqui lhe vai assegurar que é possível incluir esta matéria no Orçamento do Estado para 1997.
À sua pergunta concreta, se tem ou não a nossa simpatia, quero dizer-lhe que tem a nossa simpatia.

O Sr. Lino de Carvalho (PCP): - É evidente esta resposta! É perguntar ao cego se quer vista!

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Manuel Monteiro.

O Sr. Manuel Monteiro (CDS-PP): - Sr. Presidente, Sr. Ministro da Educação, no seguimento da intervenção do Sr. Deputado Nuno Abecasis e depois de ouvir atentamente quer a sua intervenção, quer as suas explicações, quer os pedidos de esclarecimento dos Srs. Deputados do Partido Socialista, gostaria de começar por dizer, a si e a esta Câmara, que defendo as elites, sou elitista. E ai de um país que não tem elites, ao contrário daquilo que aqui se pretendeu dizer. Ai de um país que não tem elites! Um país que não tem elites, no sentido exacto do termo, como o desejamos e queremos, é um país condenado à mediocridade, e nós não queremos, seguramente, um país condenado à mediocridade.

Vozes do CDS-PP: - Muito bem!

O Orador: - Gostaria, Sr. Ministro da Educação, de dizer o seguinte: o Partido Socialista e V. Ex.ª estão muito preocupados com a exclusão do ensino básico ou do ensino obrigatório. Lembro que estamos a falar no ensino público. Por isso, quero fazer-lhe uma pergunta muito concreta. V. Ex.ª já se deu ao trabalho de fazer um inquérito junto de todos os políticos e saber algo tão simples quanto isto: os filhos dos políticos estão no ensino público ou no ensino privado? Seria curioso fazer esta estatística.

O Sr. Lino de Carvalho (PCP): - Quais políticos?!

O Orador: - De todos! Da maioria. Não se enerve.
Seria curioso fazer esta estatística, para sabermos qual o grau de confiança que os políticos e os membros do Governo têm no tal ensino público que se está a melhorar, no tal ensino público que se está a modernizar, no tal ensino público que não é excluidor nem põe quem quer que seja de fora. Seria um dado curioso sabermos onde tem os seus filhos a estudar o Sr. Primeiro-Ministro, onde têm os filhos a estudar os Deputados do PP, onde têm os filhos a estudar... Vamos assumir isso com clareza e frontalidade e vamos perguntar a cada uma dessas pessoas por que razão o ensino público é tão bom, tão bom, tão bom, e, no entanto, há tantos políticos com tantas responsabilidades neste país que colocam os seus filhos no ensino privado em vez de os colocarem no ensino público.
Esta era a primeira pergunta que lhe queria fazer.
A segunda pergunta, muito concreta,...

Protestos do PCP.

O Partido Comunista enerva-se muito quando falo! Não sei porquê!

Vozes do PCP: - Enervamo-nos sempre!

O Orador: - É bom sinal!
A segunda pergunta, muito concreta, que quero colocar ao Sr. Ministro da Educação relaciona-se com o seguinte: nós, hoje, como disse o Sr. Deputado Nuno Abecasis, somos muito velozes na tentativa objectiva de fazer análises e contra-análises. V. Ex.ª tem conhecimentos técnicos que eu, humildemente, reconheço não ter. Todos os professores que estão nesta Câmara têm, seguramente, conhecimentos técnicos e pedagógicos que eu, humildemente, reconheço não ter, mas nem estou preocupado, neste momento concreto, em tê-los, pois o que me importa, neste momento, é apenas fazer-lhe uma pergunta: por que razão os jovens licenciados que saem das nossas faculdades estão a fazer coisas que nada têm a ver com aquilo que estudaram? Por que razão o Estado não diz à juventude deste país: optem pelo curso que quiserem, mas tenham atenção, pois esse curso, provavelmente, não vos dá saídas profissionais? Por que razão há cada vez mais jovens advogados que saem das Faculdades de Direito e são secretários e secretárias - com toda a nobreza da profissão - e estão a fazer coisas diametralmente opostas das que, efectivamente, pensavam vir a fazer depois de entrarem numa faculdade?
Sr. Ministro, os debates, os contradebates, as análises teóricas, para mim, são sempre, sem dúvida alguma, muito interessantes, tal como as avaliações técnicas e pedagógicas. No entanto, a questão que se me coloca é a de saber para onde estamos a mandar uma quantidade de jovens, ao dizer-lhes «vão ser todos doutores, vão ser muito bons, vão ter condições que os vossos pais não tiveram», mas não lhes estamos a dizer que eles, provavelmente, vão ser doutores com piores condições de sobrevivência no mercado de trabalho do que aqueles que não são doutores neste país.
Esta é uma obrigação concreta de todos nós e nesse debate o Partido Popular também quer colaborar, também quer participar, porque foi o Partido Popular, como todos estamos recordados, o primeiro partido, neste país, nas últimas eleições legislativas, a propor um pacto educativo ao PS, ao PSD e também ao PCP.

Aplausos do CDS-PP.

O Sr. Presidente: - Para responder, tem a palavra o Sr. Ministro da Educação.

O Sr. Ministro da Educação: - Sr. Presidente, Sr. Deputado Manuel Monteiro, foi uma honra tê-lo como meu interpelante. Gostei muito que o Sr. Deputado tivesse intervindo, porque me permite não propriamente responder-lhe, no sentido de lhe dizer que estou em completo desacordo consigo, mas, sim, de fazer alguns comentários, até porque há coisas em que estou de acordo consigo, enquanto que noutras, certamente, não estou.

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