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4294 | I Série - Número 102 | 21 de Março de 2003

 

da maioria, o PSD e o CDS-PP, preocupados com a situação em que se encontra esta indústria, estes pequenos exploradores de calçada e outros inertes, vêm apresentar estes projectos de resolução.

Vozes do CDS-PP: - Muito bem!

A Oradora: - Foi aqui dito também que o Governo já está a trabalhar no sentido de resolver rapidamente…

Aplausos do CDS-PP e do PSD.

A Sr.ª Luísa Mesquita (PCP): - Há um ano!

A Oradora: - … esta situação, que foi criada por uma legislação publicada no tempo do anterior governo e que afectou muitas famílias que dependem desta mesma indústria.
Preocupados com essa matéria e com a situação dessas famílias, apresentámos os nossos projectos de resolução, que não foram feitos à pressa; outrossim, foram bem pensados, por forma a resolver esta situação.

Aplausos do CDS-PP e do PSD.

O Sr. Presidente: - Srs. Deputados, dou por terminada a discussão conjunta, na generalidade, do projecto de lei n.º 189/IX (PCP) e dos projectos de resolução n.os 128/IX (CDS-PP) e 131/IX (PSD), que, assim, poderão ser votados de seguida.
Até vou dar mais um passo, num sinal de compreensão e de estima para com a presença nas galerias de tantos concidadãos nossos ligados à actividade da calçada de vidraço à portuguesa - há algum tempo, recebi um grupo, que me veio apresentar uma exposição sobre a matéria, à qual o Parlamento vai dar hoje resposta -, solicitando que votemos esses diplomas logo a seguir a dois votos de pesar apresentados, que têm prioridade.
Portanto, terminada a votação dos votos de pesar, proponho que votemos esses três diplomas, porque constato a presença de um par de centenas de pessoas de trabalho que certamente querem voltar às suas casas e porque, a seguir, têm lugar votações que nos vão levar muito tempo.
Assim sendo, se os Srs. Deputados estiverem todos de acordo - e dá-me a impressão que estão -, votaríamos previamente, logo a seguir aos votos de pesar, esses três diplomas, os nossos concidadãos poderiam voltar para suas casas e nós prosseguiríamos com outros assuntos que já não lhes dizem directamente respeito.
Aproveito também para, pessoalmente, exprimir a minha satisfação por ver as nossas galerias tão abundantemente representadas por gente que se vê claramente que trabalha para o progresso do nosso país.
Srs. Deputados, antes de entrarmos no período regimental de votações, vamos proceder à verificação do quórum, utilizando o cartão electrónico.

Pausa.

Srs. Deputados, o quadro electrónico regista 184 presenças, pelo que temos quórum para proceder às votações.
O primeiro texto a ser submetido à votação é o voto n.º 46/IX - De pesar pelo falecimento da Professora Andrée Crabbé Rocha (PS).
Para proceder à leitura do voto, tem a palavra a Sr.ª Deputada Isabel Pires de Lima, primeira subscritora do mesmo.
De seguida, conforme foi acordado entre todos, e tal como tem sido praxe nestas matérias, procederemos à sua votação sem mais intervenções.
Tem a palavra a Sr.ª Deputada Isabel Pires de Lima.

A Sr.ª Isabel Pires de Lima (PS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados, o voto que apresentamos é do seguinte teor:
A académica e ensaísta de nacionalidade belga, Andrée Crabbé Rocha, acaba de nos deixar aos 86 anos, dos quais mais de 60 foram vividos em Portugal, onde se dedicou ao ensino da literatura. O seu interesse pela cultura portuguesa levara-a a frequentar em Bruxelas as aulas de Vitorino Nemésio, com quem virá a colaborar, logo em 1938, na Revista de Portugal e de quem virá mais tarde a ser assistente na Faculdade de Letras de Lisboa.
Logo nesse mesmo ano de 1938, inscreve-se num curso de férias na Universidade de Coimbra. De visita à casa do mestre, em Tovim, perto de Coimbra, inspira a um jovem poeta que lá conhece os seguintes versos:
"Lírica, a tarde cai/Com secura nas folhas;/Lírica, a minha vista vai/A olhar o que tu olhas.../Oliveiras de sonho/A ver nascer a lua.../Liricamente ponho/A minha mão na tua."
O poeta liricamente preso ao seu olhar e à sua mão era o escritor Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Rocha, que dois anos mais tarde se tornará seu marido. O destino de Andrée Crabbé mudara e a jovem citadina troca definitivamente a brumosa Bruxelas por um país rural e ensolarado a Ocidente, que calcorreou intrepidamente, no sentido de aprender a amá-lo e ao qual se entregou definitivamente.
Licencia-se e depois doutora-se com uma tese sobre o teatro de Garrett pela Faculdade de Letras de Lisboa, onde será assistente entre 1945 e 1947, ano em que, por razões políticas, é afastada do ensino pelo regime de Salazar por cerca de 20 anos. Nomes tão diversos como Sebastião da Gama ou David Mourão Ferreira manifestar-lhe-ão por carta a sua indignação. Quando, já depois do 25 de Abril de 1974, se tornar professora da Universidade de Coimbra, onde terminará a carreira em 1986 e onde chegou a desempenhar funções de vice-reitora, já é senhora de um vasto curriculum como ensaísta.
Para além de ter editado o Teatro de Garrett, de ter publicado trabalhos inovadores sobre as manifestações teatrais do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende e sobre o teatro de Baltasar Dias, Andrée Crabbé Rocha, dotada de uma insaciável sede de leitura e de uma intensa curiosidade intelectual, tornara-se uma mulher de uma rara erudição, conhecedora de excepção da literatura portuguesa, da Idade Média ao século XX, como é visível nos ensaios compilados em Temas de Literatura Portuguesa.
O seu livro mais conhecido, A espistolografia em Portugal, onde antologia cartas desde o século XV ao XX, editado em 1965, tornou-se uma obra de referência para todos quantos entre nós se interessam por esse género literário.
A especialização na literatura portuguesa nunca a levou a abandonar a docência da literatura francesa que sempre praticou quer nas duas Universidades onde exerceu o magistério, quer na Aliança Francesa. Isso explica que, para além de ter sido distinguida pelo Estado português com a Ordem do

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