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0012 | I Série - Número 001 | 11 de Março de 2005

 

Aos Deputados de todos os outros grupos parlamentares resta lembrar, de alguma forma, como prémio de consolação, que, em democracia, a oposição é tão importante como a maioria e o Governo.

O Sr. António José Seguro (PS): - Muito bem!

O Sr. Presidente: - Sr.as Deputadas e Srs. Deputados, na altura em que a Assembleia da República renasce, cheia de força e entusiasmo, para a X Legislatura, confrontamo-nos com a morte de dois dos Deputados que constavam das listas para as eleições do dia 20 de Fevereiro, um dos quais foi mesmo eleito, pois morreu já depois do dia das eleições. É ocasião de fazermos deles lembrança, lembrança que a todos também nos evoca como tudo na vida é transitório.
Vamos, pois, proceder à apreciação do voto n.º 1/X - De pesar pelo falecimento do jornalista e Deputado do Partido Socialista José Saraiva, apresentado pelo PS.
Para proceder à leitura do referido voto, tem a palavra o Sr. Deputado Fernando Gomes.

O Sr. Fernando Gomes (PS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: A morte levou o José da Conceição Saraiva cedo demais. Dois dias depois de ter sido eleito Deputado pelo círculo do Porto, o José Saraiva sucumbiu tendo ainda conseguido aperceber-se da vitória do partido em que sempre militou, apesar do seu já muito débil estado de saúde.
Jornalista de profissão, qualidade que orgulhosamente ostentava, membro da Assembleia Municipal e da Assembleia Metropolitana do Porto, foi na Comissão Parlamentar de Defesa Nacional e na Assembleia da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa que mais se envolveu enquanto Deputado na última Legislatura.
Militante do Partido Socialista, onde entrou pela mão de Mário Soares, foi sucessivamente eleito Deputado a esta Assembleia da República desde 1995.
Mas a sua vida ficou muito marcada pelo seu amor ao jornalismo e pela dedicação ao seu jornal de sempre - o Jornal de Notícias. Ali deu os seus primeiros passos, quando foi admitido como estagiário em Janeiro de 1971, passando depois a chefe de redacção e a director de publicações, tendo chegado a director do jornal em 1984. A política e o desporto eram a sua paixão. Cobriu, com raro entusiasmo e invulgar qualidade, os Jogos Olímpicos da Coreia do Sul em 1988 e de Barcelona em 1992. Como ele sempre costumava dizer, o JN, mais do que a sua escola de jornalismo, foi a sua escola da vida.
Ao nível da intervenção cívica e autárquica, a cidade do Porto era o seu mundo. Participou em várias associações desportivas e culturais e integrou os grupos de teatro Sicuta, Modestos e o Teatro Experimental do Porto. Como vereador da Câmara Municipal do Porto, entre 1983 e 1986, e agora como deputado municipal e metropolitano, as suas tomadas de posição eram respeitadas e ouvidas. Incisivo, controverso, generoso, frontal, o José Saraiva era um lutador. E lutou até ao fim pelos seus ideais. Mesmo quando as forças já lhe faltavam porque a doença tomava cada vez mais conta do seu corpo e da sua mente, ele não quis deixar de emitir a sua opinião na crónica que escrevia todas as quartas-feiras no JN. Participou até ao fim.
No penúltimo dos seus escritos, que intitulou "Memórias que passam", o José Saraiva disse-nos que o fim estava próximo, mas que queria continuar a lutar: "Já olho para os tempos… Estas pequenas fracções que nos ficam gravadas, as ideias que resistem, como resposta aos dias que se vão e se perdem… Tento, cuidadosamente, relembrar, tornando o presente que resulta dos tempos difíceis. Procura-se - procuro!, confiança porque estas são as oportunidades finais: as de compreender que o que falta já é pouco…".
O José da Conceição Saraiva deixou-nos. Neste momento de luto, a Assembleia da República exprime o mais sentido pesar pelo falecimento do seu Deputado e apresenta à sua família as mais sentidas condolências.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Honório Novo.

O Sr. Honório Novo (PCP): - Sr. Presidente, Caros Colegas: Não é fácil falar sobre José Saraiva, recordar uma figura como a deste homem de corpo inteiro que há tão poucos dias nos deixou.
Poderíamos invocar e recordar aqui, hoje, os cargos políticos que desempenhou; lembrar o tempo em que foi vereador da Câmara Municipal do Porto; lembrar que era ainda, quando morreu, membro da Assembleia Municipal do Porto e da Assembleia Metropolitana do Porto; lembrar que foi Deputado desde 1995, sucessivamente, nas VII, VIII e IX Legislaturas; e lembrar,

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