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43 | I Série - Número: 021 | 4 de Novembro de 2010

O Sr. Francisco de Assis (PS): — Sr. Presidente, verifico com agrado que o Sr. Deputado Miguel Macedo fez agora, perante a Câmara e o País, uma reinterpretação dos discursos do PSD de ontem, à luz da declaração política feita hoje pela Dr.ª Manuela Ferreira Leite.

Aplausos do PS.

O Sr. Miguel Macedo (PSD): — Não, não!

O Sr. Francisco de Assis (PS): — Isso é uma evolução e fico muito satisfeito, porque acho que é mesmo esse o caminho. Nunca iremos entender-nos em relação à avaliação do passado recente, mas também não acho que isso seja o mais importante. Não vivo obcecado com a imputação de culpas seja a quem for, porque mais do que encontrar culpados a nossa responsabilidade é construir caminhos para o futuro.

Vozes do PS: — Muito bem!

O Sr. Francisco de Assis (PS): — Por isso mesmo, a nossa preocupação, neste momento, é a de criar condições para que responsavelmente possamos todos contribuir para a resolução dos problemas com que nos defrontamos. Inaceitável é que o PSD prosseguisse pela teoria da crise permanente, da ameaça constante, porque isso debilitava a nossa imagem externa e punha em causa a concretização dos nossos objectivos.
Verifico agora que o PSD adopta um outro discurso, um outro tom e, aparentemente, uma nova linha de orientação neste debate parlamentar. Só tenho razões para estar satisfeito e incentivo-os a prosseguirem por essa via.

Aplausos do PS.

O Sr. Presidente: — Tem a palavra o Sr. Deputado José Manuel Pureza.

O Sr. José Manuel Pureza (BE): — Sr. Presidente, Sr. Deputado Francisco Assis, compreendo bem o elogio rasgado que entendeu fazer à intervenção da Sr.ª Deputada Manuela Ferreira Leite. Tem toda a razão de ser do ponto de vista da sua bancada, dado que a intervenção até agora mais elogiosa, de maior apoio e de apoio mais consistente ao Orçamento do Estado foi inquestionavelmente a da Sr.ª Deputada Manuela Ferreira Leite. Apoio, aliás, superior àquele que vimos em intervenções da própria bancada do Partido Socialista.

A Sr.ª Hortense Martins (PS): — Não exagere!

O Sr. José Manuel Pureza (BE): — Sr. Deputado, quero registar, contudo, que o clima que aqui ontem se viveu no debate, de um verdadeiro tiroteio político entre as bancadas do PS e do PSD, tem agora uma alteração de clima substancial. E essa alteração de clima ficou sintetizada nas palavras que marcam este debate e que vieram da Sr.ª Deputada Manuela Ferreira Leite: nestas circunstâncias, mais vale fingir. Ora, é sobre isso que gostaria de o questionar, Sr. Deputado.
Do meu ponto de vista, o fingimento, num momento como este que o País vive, é o pior serviço que podemos prestar à democracia. Na verdade, não queremos fingir que a PT vai pagar o imposto que deve pelo negócio da Vivo; não queremos fingir que não vai haver cortes nos salários, nas pensões, nas reformas, nos apoios sociais; não queremos fingir que o cenário macroeconómico não aponta para um desemprego crescente. Fingir a este respeito, Sr. Deputado, seria a pior coisa que poderíamos fazer à democracia e ao País.
Portugal precisa, neste momento mais do que nunca, de uma política de rigor e de verdade, e isso não se compadece com qualquer discurso ou qualquer conselho de fingimento. Na verdade, rigor não tem de rimar com injustiça; rigor não tem de rimar com opacidade das contas públicas; rigor não tem de rimar com falta de solidariedade; rigor não tem de rimar com falta de apoio àqueles que dele mais carecem. Por isso, Sr.

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