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21 DE JANEIRO DE 2012

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Não podemos elogiar Gorbatchov porque é um homem de transição e condenar Fraga porque é, também

ele, um homem de transição.

Vozes do CDS-PP: — Muito bem!

O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): — A regra é a mesma.

Para nós, no CDS, foi uma figura pela qual temos especial respeito e especial carinho. Foi um amigo

próximo, com um percurso até, nalguma medida, homólogo ou paralelo, de uma das figuras maiores do CDS

— que será sempre uma das figuras maiores do CDS —, o Professor Adriano Moreira.

O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): — Muito bem!

O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): — Eram amigos, eram próximos como catedráticos e como académicos, e

foram próximos durante grande parte das suas vidas.

Muitos de nós conhecemos Fraga Iribarne através de Adriano Moreira — é o meu caso. Talvez me

atrevesse a contar-vos, Srs. Deputados, um pequeno dado pessoal: a primeira vez que falei com Fraga

Iribarne, em Madrid, era eu um jovem político na altura (um jovem quase candidato a político), dirigi-me a ele

no que considerava ser o meu melhor castelhano, tentei o meu melhor castelhano para lhe levar uma

mensagem do então líder do CDS, Adriano Moreira, ao que ele me respondeu: «Ó homem, fala-me em

português, porque eu sou galego!»…

Risos do CDS-PP.

Isto era Fraga Iribarne: muitas vezes direto, desconcertante, com esta maneira de ser.

Os adversários elogiaram-no. Santiago Carillo considerava-o um homem complexo, uma figura de

transição, mas deixou um elogio; o líder do bloco nacionalista galego elogiou a sua inteligência; Filipe

Gonzalez disse, sobre ele, que cabia todo o Estado na sua cabeça.

É esta figura que hoje aqui homenageamos: um homem que teve um percurso na História espanhola que

merece um enorme respeito, um homem que merece a nossa consideração e a nossa estima.

Vozes do CDS-PP: — Muito bem!

O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): — Foi uma figura complexa — é verdade, Srs. Deputados —, mas teve um

papel decisivo na transição e na união da direita espanhola, e até no trazer para a democracia alguns setores

da direita espanhola, que a ela tiveram de se adaptar.

É esta figura que homenageamos.

Deixamos o nosso respeito ao Partido Popular espanhol, aos órgãos políticos de Espanha e, obviamente,

também à sua família.

Aplausos do CDS-P e do PSD.

A Sr.ª Presidente: — Tem a palavra o Sr. Deputado Bernardino Soares.

O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Sr.ª Presidente, Srs. Deputados: Não temos, obviamente, qualquer

afinidade com a personalidade que hoje aqui se evoca por ocasião da sua morte. Muito pelo contrário, trata-se

de uma pessoa que exerceu elevadas responsabilidades no franquismo, no fascismo espanhol, sendo essa a

sua origem e a sua marca política. Pela nossa parte, repudiamos o seu percurso.

Foi, por isso, uma figura política sempre alinhada com os setores mais à direita da vida política espanhola,

mesmo após a sua peculiar transição para o regime democrático.

Tudo nos afasta, tudo nos opõe a Fraga Iribarne!

Percebemos, no entanto, que a direita apresente este voto de pesar. Não nos oporemos a ele, mas não o

podemos acompanhar.

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