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15 DE DEZEMBRO DE 2012

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quase contínua». E por que é que é «quase contínua»? Porque vários países da União Europeia participaram

no bombardeamento da Jugoslávia. É esta a noção de paz da União Europeia que, agora, recebe este prémio

Nobel.

É que a União Europeia e muitos dos seus países — incluindo, infelizmente, Portugal — têm participado na

guerra do Iraque, na guerra contra a Jugoslávia, nos bombardeamentos à Líbia, na ação desestabilizadora da

Síria, fomentando e pagando mercenários que estão a intervir na guerra civil que está declarada na Síria.

Protestos do PSD.

E foi a esta organização que o Comité Nobel resolveu atribuir o Prémio Nobel da Paz.

Só não é tão incoerente, porque, no ano passado, já tinha sido atribuído ao Presidente dos Estados Unidos

da América, que, entretanto, desencadeou mais algumas operações de guerra em vários pontos do mundo.

O Sr. João Oliveira (PCP): — Exatamente!

O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Aí está a hipocrisia com que, a partir de um certo momento, passou a

ser utilizado este prémio Nobel da Paz.

Aplausos do PCP.

A Sr.ª Presidente: — Srs. Deputados, tenho a informação de que não há nenhuma prática de serem os

apresentantes do voto os primeiros a intervir, a não ser quando o requerem. Digo isto porque foi o Sr.

Deputado Bernardino Soares o primeiro a intervir e o voto é da autoria de outros grupos parlamentares. Estava

só a tentar saber se não haveria aqui alguma irregularidade.

Srs. Deputados, estão inscritos, para intervir, pelo PS, o Sr. Deputado Vitalino Canas, pelo PSD, o Sr.

Deputado António Rodrigues, pelo Bloco de Esquerda, o Sr. Deputado Luís Fazenda e, pelo CDS-PP, o Sr.

Deputado Nuno Magalhães.

Sendo assim, seguimos a ordem das inscrições.

Tem a palavra o Sr. Deputado Vitalino Canas.

O Sr. Vitalino Canas (PS): — Sr.ª Presidente, Sr.as

e Srs. Deputados: Esta atribuição do Prémio Nobel à

União Europeia, talvez inesperada para muitos, tem um significado importante no momento mais decisivo e

talvez mais crítico da vida da União Europeia.

Mas este Prémio Nobel vem recordar-nos, mais uma vez, de um facto que é indesmentível e que,

porventura, alguns tendem a esquecer: o facto de que a União Europeia é responsável pelo mais longo

período de paz na Europa. E isso é reconhecido não só por aqueles que estão dentro da União Europeia, mas

também por aqueles que estão fora da União Europeia e que a ela querem aderir.

A União Europeia continua a ser vista como um fator de estabilidade, um fator de paz. Por isso, o Partido

Socialista saúda esta decisão do Comité Nobel, de atribuir este Prémio Nobel à União Europeia. E parece-nos

que esta atribuição é também um sinal de esperança e um sinal de força, um sinal de expectativa naquilo que

a União Europeia poderá continuar a conseguir.

Aplausos do PS.

A Sr.ª Presidente: — Tem a palavra o Sr. Deputado António Rodrigues.

O Sr. António Rodrigues (PSD): — Sr.ª Presidente, Srs. Deputados: Os subscritores deste voto

entenderam que não era necessário justificá-lo, porque o voto justifica-se por si próprio. Só quem tem memória

curta consegue olhar para a Europa e não ver o que acontecia há 60 anos: enquanto milhões de pessoas

morriam, outros proclamavam essas mesmas mortes e proclamavam guerras que acabavam com essa paz,

acabavam com os Estados e com tudo aquilo que eram as gerações futuras.

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