O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

I SÉRIE — NÚMERO 101

10

O Sr. Presidente (Guilherme Silva): — Agora, sim, tem a palavra, para replicar, o Sr. Deputado Ferro

Rodrigues.

O Sr. Ferro Rodrigues (PS): — Sr. Primeiro-Ministro, não há nenhum azedume. A única questão que

existe é que o senhor gostaria de ser avaliado — reformulo, o senhor, a coligação e o seu Governo — apenas

pelo que se passou desde que o Banco Central Europeu mudou de política…

Vozes do PSD e do CDS-PP: — Oh!…

O Sr. Ferro Rodrigues (PS): — … e desde que o Tribunal Constitucional os obrigou a determinadas

medidas.

Aplausos do PS.

Mas os senhores vão ser avaliados pelos quatro anos. Não vão ser avaliados por meio ano ou por um ano,

vão ser avaliados pelos quatro anos!

O Sr. Artur Rêgo (CDS-PP): — E vão!

O Sr. Ferro Rodrigues (PS): — E digo-lhe: o PIB, em 2015, será de 10 000 milhões de euros inferior àquilo

com que os senhores se tinham comprometido, em 2011.

Vozes do PS: — Bem lembrado!

O Sr. Ferro Rodrigues (PS): — Essa é que é a grande avaliação!

Aplausos do PS.

O Sr. Primeiro-Ministro falou, em tempos, de que havia uns mitos urbanos à sua volta. Pergunto o seguinte:

em 2010, será um mito urbano aquilo que o senhor disse, ou seja, que a política de privatizações, em Portugal,

seria criminosa, nos próximos anos, se visasse apenas vender ativos ao desbarato para arranjar dinheiro?!

Protestos de Deputados do PSD e do CDS-PP.

É que é isso que os senhores estão a fazer com a TAP. Temos dito que o Estado deve manter o controlo

efetivo da TAP e continuamos à espera de um mundo de documentos que o País não conhece: as avaliações

financeiras da TAP, os estudos de custo/benefício, a auditoria aos problemas de operação, os procedimentos

de seleção dos consultores jurídicos e financeiros.

Sr. Primeiro-Ministro, queria fazer-lhe várias perguntas concretas: é ou não verdade que o Estado vai

negociar previamente a dívida? É ou não verdade que o Estado vai garantir a dívida, como disse o Ministro da

Economia? É ou não verdade que o Estado vai dar apoio significativo aos contingentes e aos processos

laborais, fiscais e legais da empresa de manutenção do Brasil, que é aquela que tem mais problemas? É ou

não verdade que o consórcio se propõe vender ou ceder a posição da TAP nos novos aviões A350, abdicando

de voar para a China? É ou não verdade que o Estado brasileiro, através do Banco Nacional de

Desenvolvimento Económico e Social, é apresentado como parceiro e possível futuro acionista do

agrupamento?

A questão que se coloca é se a maioria da capitalização apresentada pelo agrupamento Gateway é feita

com ativos atuais da TAP ou com fontes de financiamento atualmente disponíveis para a TAP. Se as formas

de capitalização, que estão previstas, estão hoje disponíveis para a TAP com capitais públicos, por que não

manter a maioria do capital público na TAP, Sr. Primeiro-Ministro? É isso que lhe pergunto.

Páginas Relacionadas