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I SÉRIE — NÚMERO 23

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Em 1958, viaja até à União Soviética e é no decurso dessa viagem que, como confessará anos mais tarde,

lhe surgem sérias dúvidas e interrogações quanto à própria natureza do regime que ali se vivia.

De regresso a Lisboa continua, contudo, o seu trabalho na clandestinidade, até que no dia 3 de agosto de

1960 foi presa pela PIDE. Grávida, as torturas a que foi sujeita levaram-na a abortar. Em 1961, foi condenada

a 5 anos de prisão e a 15 anos de suspensão de direitos políticos. Mas, em 1963, por se encontrar em perigo

de vida, foi-lhe concedida liberdade condicional. Para se tratar, partiu para Paris e daí para a Rússia. Em 1965,

estabelece-se em Praga como representante do PCP e assume, igualmente, as funções de redatora da mais

importante revista teórica do movimento comunista, revista denominada Revista Internacional — Problemas da

Paz e do Socialismo.

Responsável pelos comunistas portugueses residentes na então Checoslováquia, tornou-se amiga de

destacadas figuras como Artur London e Alexander Dubcek e participou na tentativa de reforma e de

democratização do regime comunista aí levada a cabo, que ficou conhecida para a história como a ‘Primavera

de Praga’ e que foi esmagada pelos tanques do Pacto de Varsóvia em 21 de agosto de 1968. Anos mais tarde,

em 1984, retratará toda a sua experiência no livro, que tem por título, O ‘Socialismo’ que eu vivi —

Testemunho de uma ex-dirigente do PCP, em que dará conta, nomeadamente, dos motivos que a levaram à

conclusão de que o comunismo não era reformável e em que denunciou a situação que se vivia nos países

daquilo a que Winston Churchill chamara a «cortina de ferro».

Regressou a Portugal em 1975 e, em 1976, abandonou o PCP e deixou de ser comunista. No nosso País,

foi professora e funcionária do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Fixou-se depois no Algarve, onde viveu

as últimas décadas da sua vida. Manteve também atividade política, tendo apoiado o Partido Socialista e

vindo, mais tarde, a apoiar a primeira campanha presidencial do Professor Cavaco Silva.

Numa época em que o relativismo impera e em que a defesa dos interesses se sobrepõe, com demasiada

frequência, à luta por causas, o percurso de vida de Cândida Ventura deve ser recordado e celebrado. Pelo

exemplo que nos deixa de coerência, de resiliência, de coragem e de capacidade de sacrifício. Pelo empenho

que sempre colocou na luta pela liberdade e pelos direitos cívicos. E, sobretudo, pelo modo firme e

determinado como rejeitou a ditadura, fosse ela o Estado Novo português ou o comunismo soviético.

Assim, a Assembleia da República manifesta o seu mais profundo pesar pela morte de Cândida Ventura e

apresenta à sua família as suas mais sinceras condolências.»

O Sr. Presidente: — Srs. Deputados, vamos votar o voto n.º 13/XIII (1.ª), do PSD, que acabou de ser lido.

Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do PS, do BE, do CDS-PP, de Os Verdes e

do PAN e votos contra do PCP.

Segue-se o voto n.º 15/XIII (1.ª) — De pesar para com as populações afetadas pelas intempéries que

atingiram os Açores (PSD), que vai ser lido, igualmente, pelo Sr. Secretário Duarte Pacheco.

O Sr. Secretário (Duarte Pacheco): — Sr. Presidente e Srs. Deputados, o voto é do seguinte teor:

«A 14 de dezembro o arquipélago dos Açores foi, novamente, atingido pela força da natureza.

A biografia dos Açores está repleta de acontecimentos naturais trágicos, onde as populações sofrem danos

materiais com consequências nos seus rendimentos e, infelizmente, por vezes, ocorrem feridos e mortes

humanas.

Os açorianos contabilizam há vários séculos nas suas gerações dor e sofrimento por ação da natureza.

São vítimas de constantes catástrofes e sabem bem o que é perder, em segundos, o seu património, os seus

familiares ou amigos.

Respeitam as forças da natureza, sabem que ela é impiedosa, mas vivem com ela porque sempre esteve

presente na história dos Açores. Faz parte da alma açoriana persistir e resistirem nestes nove territórios.

Também sabem, os açorianos, que esta não foi a última vez.

O passado dia 14 foi mais um dia que marcou a história dos Açores: um dia em que o mar galgou a terra,

inundou algumas zonas costeiras dos Açores, registando-se vários feridos e uma morte humana.

Somam-se nesta ferocidade do mar e do vento a danificação de portos comerciais e de pesca, a destruição

de habitações, de vias públicas, de explorações agrícolas, incluindo a morte de animais, de redes de

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