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22 DE NOVEMBRO DE 2019

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Contudo, se, por um lado, falta a rede em zonas isoladas, onde não se fazem investimentos porque a

população é idosa e diminuta, locais onde as empresas privadas não estão interessadas em investir, por outro,

essas extraordinárias inovações na saúde estão todas concentradas nos grandes centros, porque os serviços

no mundo rural encerraram.

Assim, entramos num círculo do qual é impossível sair. Não existem pessoas, não se investe nos meios, nem

nos serviços públicos ou na criação de emprego e esse desinvestimento no interior provoca o desinteresse das

populações em se fixarem.

Será que falamos de uma transição digital apenas para alguns? Vejamos um exemplo simples, o do serviço

público de rádio e televisão que incumbe ao Estado garantir.

O serviço público de televisão deve cumprir os princípios da universalidade, da coesão nacional, da

diversificação, da qualidade e da indivisibilidade da programação e da inovação. Contudo, embora se continue

a afirmar que 100% da população tem acesso ao serviço público com a introdução da Televisão Digital Terrestre

(TDT), a verdade é que as queixas da população gritam o contrário e muitos só têm acesso via satélite, o que

acarreta despesas adicionais para as famílias e vota ao isolamento muitas populações do interior. Fala-se da

revolução 4.0 ou do 5G, mas aceder ao serviço do TDT, essa evolução tecnológica com mais de 10 anos,

continua a ser um problema.

Mais um exemplo, Sr.as e Srs. Deputados: depois dos incêndios de 2017, muitas foram as famílias e os idosos

que ficaram sem telefone fixo e móvel, talvez porque não seja lucrativo estender os fios até às zonas rurais,

onde as populações precisam de ligação aos filhos e familiares que vivem longe para não se sentirem tão

isolados ou para pedirem ajuda, em caso de doença, sem terem de andar quilómetros a pé. As comunicações

de rede fixa da aldeia de Marinha de Vale Carvalho, na Sertã, foram restabelecidas a 31 de agosto de 2019,

dois anos após os graves incêndios que fustigaram o centro do País. A esta velocidade, vai ficar gente para trás,

vão criar-se mais assimetrias regionais e desequilíbrios.

O Sr. Presidente: — Sr.ª Deputada, tem de concluir.

A Sr.ª Mariana Silva (PEV): — Estou mesmo a terminar, Sr. Presidente.

O mais caricato é que obrigam as populações do mundo rural a fazer candidaturas a apoios apenas por via

online. Isto não é moderno, é apenas condenar uma parte do País ao atraso e ao abandono.

O Sr. Presidente: — Tem de terminar, Sr.ª Deputada.

A Sr.ª Mariana Silva (PEV): — Estou mesmo a terminar, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: — Mas tem mesmo de terminar.

A Sr.ª Mariana Silva (PEV): — Também não é inovador substituir as cadernetas que dão acesso às contas

bancárias, em nome da modernização, das caixas diretas ou dos pagamentos nos telemóveis, condenando

milhares de idosos,…

O Sr. Presidente: — Sr.ª Deputada, conclua, se faz favor.

A Sr.ª Mariana Silva (PEV): — … com reformas baixas ou sem capacidade para se adaptarem aos novos

processos, a mais exclusão. E não aceitamos que a transição digital seja a justificação para transferir mais

responsabilidade,…

O Sr. Presidente: — Sr.ª Deputada, tem mesmo de concluir.

A Sr.ª Mariana Silva (PEV): — … mais isolamento e mais custos para os cidadãos.

Aplausos do PEV e de Deputados do PCP.

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