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0076 | II Série A - Número 004 | 30 de Setembro de 2000

 

está associado à maioria das causas de morte na adolescência. Os traumatismos, os suicídios e os homicídios são responsáveis por grande número de óbitos nos jovens e o álcool está quase sempre presente."
D) Problemas de saúde mental:
"Francisco sofre de depressão. É a situação mais frequente das consultas de psiquiatria, aparecendo também muitas vezes ao médico de clínica geral. Algumas depressões têm uma base hereditária e biológica, outras estão mais relacionadas com o modo de reagir aos acontecimentos da vida.
Na adolescência a depressão necessita de ser diferenciada dos momentos transitórios de tristeza e pessimismo que fazem parte do normal processo de desenvolvimento. A sintomatologia depressiva nos jovens surge muitas vezes sob a forma de dores musculares, falta de apetite, insónia, quebra de rendimento escolar, em vez daquela tristeza que caracteriza a depressão no adulto. Pode também manifestar-se através de uma agressividade mantida pelo uso de drogas ou por um tentativa de suicídio inesperada. São sinais de alarme o isolamento do jovem, o seu pessimismo mantido face ao futuro e outros comportamentos visíveis na história do Francisco." - Daniel Sampaio, A cinza do tempo, Editorial Caminho, Lisboa, 1997.
Os problemas psicológicos ou psicossociais na adolescência e na juventude tendem a não ser reconhecidos, muitas vezes porque os seus sintomas não estão tão definidos quanto na idade adulta, muitas vezes dada a dificuldade de distinguir o normal do patológico.
No entanto, as depressões afectam cada vez mais os estudantes portugueses, especialmente no final do ensino secundário e início do ensino superior. E se a situação não parece alarmante certo é que os casos se vão sucedendo - Ricardo Jorge Costa, Jornal A Página da Educação, Pode a escola gerar depressões? n.º 85, página 16.
Emília Costa - Ricardo Jorge Costa, Jornal A Página da Educação, Pode a escola gerar depressões? n.º 85, página 16 -, psicóloga e professora associada da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação do Porto, alerta: "Basta olhar para as actuais médias gerais de acesso à universidade - alguns cursos já têm médias próximas dos 20 valores -, o que leva a que a exigência do jovem em relação a si próprio seja gradualmente maior". Segundo Ricardo Jorge Costa - Ricardo Jorge Costa, Jornal A Página da Educação, Pode a escola gerar depressões? n.º 85, página 16 -, a este factor junta-se ainda a pressão da família e dos professores, concorrendo para o medo do fracasso e o aumento da ansiedade e dos níveis de stress. Emília Costa refere ainda a ocorrência de crises de pânico e aponta o esgotamento como uma das principais causas.
Rui Mota Cardoso - Ricardo Jorge Costa, Jornal A Página da Educação, Pode a escola gerar depressões? n.º 85, página 16 -, psiquiatra e professor associado da Faculdade de Medicina do Porto, acrescenta: "A própria natureza da adolescência - um estado entre dois paradigmas, definido por duas negativas (não sou criança mas também não sou adulto), contribui para aumentar este sentimento. A percepção - verdadeira ou falsa - de que "não valho nada", ou ainda de que "não vale a pena fazer nada para mudar a minha vida" instala-se por vezes como uma sombra. Agora acrescentemos a isto as dificuldades actuais do adolescente e, sobretudo, as dificuldades postas pela exigência da escola e do futuro: entrar para a universidade, lidar com colegas e professores, arranjar um emprego... são condições que, em qualquer meio, podem privilegiar o estado depressivo".
Ana Paula Vieira - Adolescência e depressão, Revista Portuguesa de Clínica Geral, 1995 - explica a importância de diagnosticar correctamente a depressão: "Porque a adolescência é um tempo de rápidas aquisições e de enriquecimento pessoal sem paralelo no desenvolvimento do indivíduo, pelo que uma depressão arrastada leva a:

1 - Baixo rendimento escolar;
2 - Dificuldades e pobreza na vida de relação na família, no grupo, o que forçosamente se reflectirá na estruturação da personalidade;
3 - Abuso de drogas e álcool;
4 - Suicídio."

2 - Os indicadores preocupantes

a) Distúrbios alimentares:
Num estudo realizado nos distritos de Lisboa e Setúbal - Isabel do Carmo, D. Reis e outros, Prevalência de anorexia nervosa em adolescentes do sexo feminino dos distritos de Lisboa e Setúbal - obtiveram-se os seguintes resultados:
Prevalência da anorexia nervosa - 0,37%; síndroma parcial - 12,6%; apenas perturbação da imagem corporal - 7%; desejo de perder peso em 38% das jovens com peso normal ou baixo; excesso de peso em 15,3%. As idades mais atingidas pela anorexia nervosa, síndroma parcial e perturbação na imagem corporal foram, respectivamente, 15 na primeira e 16 na segundo e terceira situações. Tanto a anorexia nervosa como a síndroma parcial e a perturbação da imagem corporal foram mais prevalecentes na classe 2 (técnicos de nível médio, funcionários administrativos). O rendimento escolar era melhor à medida que decrescia a gravidade da situação.
Do conjunto destes resultados poderemos concluir que Portugal, apresentando embora uma prevalência baixa em relação ao síndroma total, tem um número alto de síndromas parciais e de perturbações da imagem corporal. Por outro lado, esta tendência é transversal às classes sociais.
A grande percentagem de jovens que, tendo um peso normal ou baixo, referem ter partes gordas no corpo, sugere que o nosso país se encontra sob a influência dos padrões culturais dos países mais industrializados.
Num estudo realizado junto de uma população universitária feminina - Fernando Baptista, Daniel Sampaio e outros, Prevalência de distúrbios do comportamento alimentar numa população feminina universitária - foi possível concluir:
A prevalência de bulimia nervosa foi de 3%; episódios de ingestão de grandes quantidades de comida em pouco tempo - 13,2%; desejo de ser magra - 55,1%;

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