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2676 | II Série A - Número 065 | 17 de Junho de 2004

 

Costa Nova do Prado passam a formar uma nova freguesia com sede no lugar da Gafanha da Encarnação, dando corpo aos legítimos anseios da população de então, constituída por cerca de 2000 habitantes. Esta situação mantém-se até 1957, ano em que a Gafanha do Carmo passa a freguesia. Da constituição da freguesia, advém também a construção do cemitério (1932), deixando os habitantes desta localidade de ter a necessidade de percorrer 6 a 8 km para sepultar os seus entes queridos já desaparecidos, que até aí eram sepultados no cemitério de Ílhavo. De destacar ainda, a instalação, nos finais da década de 40, de uma unidade fabril de processamento de chicória, que alargou o emprego ao sector secundário, até aí praticamente inexistente, na localidade.
Durante os restantes quartéis do século XX, a povoação da Gafanha da Encarnação continuou a crescer e a ganhar um cariz cada vez mais urbano, em especial nos últimos 25 anos.
Tal como em outras zonas do País, também na Gafanha da Encarnação se fez sentir o peso da emigração. Em 1942, estimava-se que em toda a Gafanha, cerca de 480 homens estariam emigrados no Brasil, América do Norte, França, Alemanha, Argentina, Terranova e Gronelândia. Este movimento migratório acentuou-se nas décadas seguintes, até praticamente estagnar durante os anos 90. Actualmente, estima-se que existam nestes países (e noutros, mas em menor escala) cerca de 1000 cidadãos procedentes da Gafanha da Encarnação, entre naturais e seus descendentes directos.
De referir também o aumento do peso económico da pesca do bacalhau nos orçamentos familiares, a partir da segunda metade do século XIX, mas em especial a partir da década de 30 do século passado, sendo os homens da Encarnação reconhecidos como excelentes pescadores à linha, nos dóris que então demandavam às águas gélidas da Terranova e da Gronelândia. A Gafanha da Encarnação orgulha-se mesmo de um dos filhos da terra - João Vieira (o "Palão") ter ganho, largos anos seguidos, o troféu de "primeira linha" nacional, que premiava o melhor pescador de bacalhau à linha de todos os lugres portugueses.

III - Breve caracterização geográfica, demográfica e arquitectónica

Tal como já afirmado anteriormente, a Gafanha da Encarnação situa-se no distrito de Aveiro - Município de Ílhavo, sendo sede da freguesia com o mesmo nome, localizando-se entre a cidade da Gafanha da Nazaré (a Norte), a povoação da Gafanha do Carmo (a Sul), a Gafanha de Aquém (a Nascente), confrontando a poente com um braço da Ria de Aveiro, em cuja margem oposta se situa a povoação da Costa Nova do Prado, também pertença da freguesia da Gafanha da Encarnação.
Esta freguesia tem cerca de 11 km2 e uma população total de cerca 5000 habitantes (4907 segundo os Censos do INE de 2001), dividida entre as localidades da Gafanha da Encarnação e da Costa Nova do Prado. Esta freguesia possui, actualmente, 3690 eleitores recenseados, sendo 2744 residentes na localidade da Gafanha da Encarnação e 946 na localidade da Costa Nova do Prado.
A povoação da Gafanha da Encarnação desenvolve-se num aglomerado populacional contínuo, estimando-se em cerca de 3750 os residentes permanentes. De referir ainda que, em virtude de um forte crescimento urbano, em especial nas últimas décadas, a Gafanha da Encarnação encontra-se praticamente ligada às povoações vizinhas da Gafanha da Nazaré e da Gafanha do Carmo, sendo difícil a um não residente perceber quando começa uma localidade e acaba outra.
Existem 3246 alojamentos familiares recenseados na freguesia, destinando-se metade deste número a residência habitual das famílias e a outra metade a ocupação sazonal ou secundária. Não é alheio a esta situação o facto de bastante população estar emigrada e a proximidade da praia (em especial na Costa Nova do Prado), o que faz com que parte das habitações estejam desabitadas durante largos meses do ano.
A Gafanha da Encarnação encontra-se bem servida de vias rodoviárias, destacando-se a rua de Ílhavo, que liga esta localidade a Ílhavo e divide a povoação praticamente ao meio e o IP5, a norte da localidade que permite um acesso rápido ao IC1, IC2, A1, ao interior do País e à vizinha Espanha. Também com as localidades vizinhas as acessibilidades são boas, processando-se a circulação entre as diversas Gafanhas com rapidez e facilidade.
Em virtude do seu povoamento recente, a Gafanha da Encarnação não possui um património arquitectónico relevante. De destacar, as habitações conhecidas como "Casas Gafanhoas" (que derivam das "Casas Gandarezas", características da zona da Gândara, mais a sul), que são o que resta do património construído pelos primeiros habitantes desta região e das quais existem ainda alguns exemplares que podem ser observados ao longo de toda povoação.
De referir ainda a Igreja Matriz e o Cruzeiro, de construção recente. As duas "Escolas Primárias" (actual 1.º ciclo) construídas durante o Estado Novo, o Edifício Sócio-Educativo (recentemente inaugurado e de traça contemporânea), o cemitério (década de 30) e respectiva capela (de construção mais recente) e o "edifício da estufa" junto à ria (a antiga fábrica/estufa de chicória recentemente recuperada com fins turísticos).

IV - Actividades económicas

O sector primário, apesar da sua importância inicial na fixação das populações nesta região, decresceu de uma forma bastante acentuada, como forma de ocupação, nas últimas duas décadas. Actualmente, a pouca agricultura que se pratica, é principalmente complementar a outras fontes de rendimento, apesar de ainda existirem alguns pequenos agricultores que escoam a sua baixa produção nos mercados locais. A pesca artesanal e a produção de bivalves (principalmente ostras e amêijoas) também são efectuadas em pequena escala, existindo na zona da "Bruxa" um porto de pesca artesanal, recentemente inaugurado. A ocupação na pesca costeira e do largo também tem uma importância reduzida, apesar da proximidade do porto de pesca longínqua de Aveiro e das instalações da Docapesca (a norte da localidade).
O sector secundário tem uma importância preponderante na ocupação dos habitantes da Gafanha da Encarnação, em virtude de no extremo nascente da localidade existir uma zona industrial de dimensão relevante - a Zona Industrial da Mota, com cerca de 100 empresas, onde se situam pequenas, médias e grandes empresas, das quais destacamos a Teka portuguesa, a Heliflex Petzetakis, Ceramic e Irmãos

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