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4 DE MARÇO DE 2017 25

PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 695/XIII (2.ª)

RECOMENDA AO GOVERNO QUE INTERVENHA DE FORMA A POTENCIAR AS CARACTERÍSTICAS

DO SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DA LAPA ENQUANTO “PRODUTO” DE INTERESSE

ECONÓMICO E TURÍSTICO, DE ÂMBITO RELIGIOSO

Exposição de motivos

Portugal é um longo roteiro de templos, cultos e festas religiosas que, ao longo do ano, se podem percorrer,

com fé ou espiritualidade de raiz mais universal, em busca do sagrado ou de nós próprios. Mas ao falar de

Turismo Religioso, fala-se não só de património construído mas, também, e principalmente, de património

imaterial.

2017 é um ano muito especial para o país, no que à religião concerne, já que se comemora o centenário das

aparições de Nossa Senhora de Fátima aos pastorinhos, cujas cerimónias contarão com a presença do Papa

Francisco.

Mas para além de Fátima, expoente máximo de peregrinação em território nacional, existem muitos outros

motivos de visita em todo o país, do ponto de vista religioso, desde a rota das catedrais à descoberta de singelas

ermidas e capelas de invocação a padroeiros locais, mais ou menos conhecidos a nível nacional e internacional,

como é o caso do Santuário de Nossa Senhora da Lapa.

Para se chegar ao Lugar da Lapa, que se situa a cerca de mil metros de altitude, tem que se passar por

vários locais cuja paisagem é a descrita por Aquilino Ribeiro como “Terras do Demo”, uma região com grandes

pedras graníticas, que marcam a rudeza e a aridez do local. São várias as estradas que conduzem à Lapa: por

Aguiar da Beira, por Vila Nova de Paiva ou pelo acesso que é feito a partir de uma derivação para poente da EN

226, Trancoso-Moimenta da Beira.

O Lugar da Lapa pertence atualmente à freguesia de Quintela, concelho de Sernancelhe, diocese de Lamego,

distrito de Viseu.

A lapa é uma pedra de granito, formando uma gruta que, por estar protegida, terá servido de refúgio à imagem

de Nossa Senhora que dá nome ao Santuário.

A imagem terá sido trazida por religiosos que fugiam ao general mouro Al Mansor, califa de Córdova, que

terá martirizado muitos cristãos. Ali escondida no século X, só terá sido encontrada séculos mais tarde, em 1498,

quando, segundo reza a lenda, Joana, uma pastorinha de 12 anos, muda de nascença, se introduziu por entre

as fendas das rochas encimadas pela grande lapa e ali encontrou uma imagem da Virgem.

Diz também a lenda que a devoção e carinho que a menina dedicou à imagem, ter-lhe-ão valido a proteção

especial da Virgem que, por milagre, lhe concedeu o dom da fala. Este milagre, depressa divulgado, deu origem

a uma crescente afluência de peregrinos ao local que, até aos nossos dias, nunca foi interrompida.

Foram os primeiros devotos que prepararam uma gruta debaixo da lapa, onde entronizaram a imagem,

construindo ao lado uma pequena ermida que, em 1576, incluída uma zona pastoral nesta região, foi confiada

aos Padres da Companhia de Jesus, sediados no Colégio de Coimbra.

Uma vez instalados no local, os Padres Jesuítas construíram o atual Santuário, com início no Século XVI e

acabamentos no Século XVII, abrigando a penedia no seu interior e, em 1685, iniciaram a construção do “Colégio

da Lapa”, contíguo ao Santuário.

Dada a significativa atividade missionária dos Padres Jesuítas, a devoção à Senhora da Lapa depressa se

espalhou aos mais variados pontos do país e do mundo. A Senhora da Lapa, em Portugal, e Santiago de

Compostela, em Espanha, chegaram a ser, em tempos, os dois Santuários mais importantes da Península

Ibérica.

O Santuário de Nossa Senhora da Lapa é, hoje, um local de peregrinação nacional. A Romaria da Nossa

Senhora da Lapa é das mais importantes da Beira Alta, com os seus momentos altos a 10 de junho, 15 de

agosto e 8 de setembro, aglomerando milhares de peregrinos.

Quer o imponente edifício do “Colégio da Lapa”, quer as casas ou os caminhos, todos em granito, criam uma

atmosfera única numa zona que pode ser explorada de bicicleta, já que o local possui uma extensão considerável

de pistas próprias. O Colégio fechou em 1759 por motivo da expulsão dos Jesuítas pelo Marquês de Pombal,

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