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0189 | II Série B - Número 037 | 31 de Julho de 2004

 

Travou, ao longo dos últimos anos, um combate de grande coragem contra a doença que o afectava, mantendo até ao fim a sua tenacidade política e cívica.
Merece, também por isso, o preito da nossa admiração, estima e respeito.
A Assembleia da República presta-lhe sentida homenagem, exprime o mais profundo pesar pelo seu falecimento e manifesta à sua família as mais sentidas condolências.

Assembleia da República, 27 de Julho de 2004. - Os Deputados do PSD: Guilherme Silva - Massano Cardoso - Vieira de Castro - José Manuel Ribeiro - Leonor Beleza - Hugo Velosa - Rui Miguel Ribeiro - Luís Marques Guedes - Clara Carneiro - Paula Malojo - Miguel Coleta - Abílio Almeida Costa - Susana Toscano - Mais três assinaturas ilegíveis.

VOTO N.º 196/IX
DE PESAR PELA MORTE DO MÚSICO CARLOS PAREDES

Carlos Paredes foi um daqueles artistas raros simultaneamente popular e erudito. Criou um elemento da identidade cultural de um povo porque a sua obra indissociavelmente ligou o que mais ancestral, mais simples, mais directo constitui a memória artística popular e quotidiana como o que de mais elaborado, mais estudado, mais criativo pode proporcionar o labor intelectual e a arte de uma sociedade que estende ao longo de séculos a sua vida colectiva.
Que a sua música seja tão deslumbrantemente diversa, contemporânea e lançada na memória, resulta afinal de que ele próprio, o seu autor, Carlos Paredes, era o retrato mesmo da complexidade e riqueza do Homem e da sua vida.
Foi um homem do seu tempo e de um tempo que quis que fosse seu e de todos os Homens. A música que brotava das suas mãos trazia a consciência clara e o empenho militante de um espírito lúcido, solidário, combativo e corajoso. Criou-se como artista, mas criou-se igualmente como cidadão e se a sua arte conheceu a adversidade do obscurantismo, a sua cidadania igualmente enfrentou a marca da repressão política. A sua arte, como o vemos hoje, triunfou! E aqui, nesta Assembleia tornada possível por Abril, podemos com toda a firmeza declarar que igualmente triunfou, nele próprio e no povo com que se identificou, o cidadão e o democrata Carlos Paredes. Firme nas suas convicções de comunista, a elas fiel ao longo de toda a sua vida.
Do seu sorridente discurso saía constantemente uma palavra, um vocativo feito interjeição, uma desabafo afinal sentimento expresso: "Oh, amigo!..."
Nós, todos nós, perdemos um Amigo.
Os sons da sua música continuarão ecoando nos nossos ouvidos e nos nossos corações. Graças a Carlos Paredes, Portugal e o seu povo terão para sempre verdes anos de esperança.
A Assembleia da República expressa o seu profundo pesar pelo falecimento de Carlos Paredes e endereça à família as mais sentidas condolências.

Assembleia da República, 27 de Julho de 2004. - João Bosco Mota Amaral (Presidente da AR) - Os Deputados: Bernardino Soares (PCP) - Carlos Carvalhas (PCP) - Nuno Teixeira de Melo (CDS-PP) - Guilherme Silva (PSD) - António José Seguro (PS) - Francisco Louçã (BE) - Maria Santos (PS) - António Filipe (PCP) - Isabel Castro (Os Verdes) - João Pinho de Almeida (CDS-PP) - Gonçalo Capitão (PSD) - Jorge Nuno Sá (PSD) - Manuela Melo (PS) - José Magalhães (PS) - Ana Catarina Mendonça (PS).

VOTO N.º 197/IX
DE PESAR PELO FALECIMENTO DA EX-PRIMEIRA-MINISTRA MARIA DE LOURDES PINTASILGO

A morte de Maria de Lourdes Pintasilgo deixa uma impressão triste, de vazio, em todas as pessoas que puderam conhecê-la de perto e admirá-la.
É que a vida dela foi tão cheia de ideais e dinamismo e projectou-se em tantos domínios da sociedade portuguesa que parece agora nada poderá ser do mesmo modo.
Mulher de causas, desde a juventude e, antes de mais, da causa dos direitos das mulheres e da sua participação na vida pública, enriquecendo-a com o toque da feminilidade, Maria de Lourdes Pintasilgo fez um percurso fulgurante, que a levou a altas responsabilidades, profissionais e políticas, dentro do nosso país - foi a primeira Ministra e a primeira Primeira-Ministra, desde sempre - e ainda no plano internacional.
Fiel a exigentes compromissos, derivados de vitais convicções de natureza religiosa, com os quais era notório que vivia alegre e feliz, manteve-se sempre aberta, com impressionante frescura de espírito - mas é precisamente o Espírito que dá a vida... - às interrogações e desafios sociais e culturais dos nossos tempos angustiados e vertiginosos. Com ânimo positivo enfrentou esses problemas, e para eles, indagando o futuro, procurou respostas, criativas e, até ao fim, repletas de entusiasmo.
A Assembleia da República presta a devida homenagem a Maria de Lourdes Pintasilgo, curva-se perante a sua memória e endereça condolências às pessoas de sua família e amizades.

Assembleia da República, 28 de Julho de 2004. - O Presidente da Assembleia da República, João Bosco Mota Amaral.

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