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ardente, quando podem servir outros para este fim.
Por conseguinte acho que se deve permittir naquella ilha a entrada das nossas aguas-ardentes.(Apoiados).
O Sr. Girão:- Não apoio ao illustre Preopinante, porque apezar de ter dito cousas boas em theoria, fundão-se em principios falsos. O vinho da Madeira não he todo bom, ha vinho máo, e ha vinho bom, e o vinho deita a perder a ouro, porque algumns o misturão, o que faz perder o seu credito.
As aguas-ardentes da ilha da Madeira não podem concorrer com as nossas, porque não as podem manufacturar com tanta facilidade como nós; por conseguinte se se permitte a entrada franca de nossas aguas-ardentes na ilha da Madeira vão arruinar as suas. Nós somos Representantes da Nação, e devemos tratar do bem geral de toda ella, sem propender mais ou menos a favor desta ou daquella provincia; e não nos devemos deixar illudir por principios geraes, porque ha principios que são muitos bons, e que não são applicaveis em certas circunstancias; esta he uma verdade reconhecida no codigo rural de Baronet, o qual diz, que para terem lugar as belas theorias de Say, era necessario que os juizes commerciantes se achassem em identicas circunstancias de terreno, de capitaes de trabalho, e de industria, aliás o mais rico, o mais industrioso, e de melhor solo arruina o outro. Se o illustre Preopinante tivesse visto uma representação da camara de Funchal não seria dessa opinião; eu a tenho visto, e apezar de que a minha opinião difiria da que agora tenho, mudei pelas exactas observações que nella tenho achado. He necessario que quando na Madeira houver uma colheita esteril, e precisem comprar-nos aguas-ardentes, lhes fiquem estas pelo preço que as suas lhe ficão, e isto não poderia ser se estas entrassem sem nenhum direito, porque são feitas de vinhos mais baratos, e com melhor industria. Deve-se tambem ter em consideração que as exportações do vinho da Madeira tem diminuido, não são como antes. Os Inglezes tem bons vinhos brancos no cabo de Boa Esperança; os nossos vinhos do Douro não vão já para a Sussia como íão, e o mesmo acontece aos da Madeira; porque naquella Nação tem-se carregado direitos de importação sobre elles. Daqui resulta que estão os vinhos empatados; logo não deve permittir-se francamente a entrada de nossas aguas-ardentes: em primeiro lugar porque assim não poderião approveitar seus vinhos destillando-os e em segundo, porque ainda mesmo quando os destilassem lhes ficarão tão caras as aguas-ardentes que não poderião entrar em concorrencia com as nossas. Isto causaria de algum modo a ruina da ilha da Madeira, e não posso imaginar que tal seja animo do Congresso, nem que queira perder aquella joia do Oceano.

O Sr. Castello Branco Manoel: - Eu apoio o Sr. Girão, porque está bem informado, e tem lido com circumspecção varios documentos a este respeito.
He preciso que se adopte a medida que se propõe; quando não perdeu-se a joia do Occeano. Tem dito um Preopinante que eu estabeleci um principio equivocado, e diz que na ilha da Madeira se adubarão sempre os vinhos com agua-ardente de França: isto não he assim porque até ao tempo de João Antonio de Sá Pereira, não teve entrada, he quando se hão deitado a perder os vinhos. Respondendo agora ao illustre Preopinante, o Sr. Miranda, digo, que está equivocado em suppor que todos os vinhos da ilha da Madeira são preciosos; uma parte são inferiores aos de Portugal. Não quero falar dos de S. Vicente, Seixal, Santa Anna, metade do Faial, e Porto Cruz, que são mais inferiores que os de Portugal; mas no mesmo Sul ha vinhos na serra, que não prestão para nada. Na freguesia do monte, cuja igreja não chega a uma legua de distancia do Funchal, ha parreiras que não tem chegado a dar uva. As que ficão contiguas á igreja nunca as derão sazonadas, He verdade que tambem ha muitos vinhos excellentes, mas tudo o que he inferior, he pessimo.
O dizer-se que na ilha da Madeira sempre se aduba os vinhos com aguas-ardentes Franceses, isto he um absurdo; não tem entrado aguas-ardentes Francesas na ilha da Madeira senão depois que lá chegou o maior despota que tal vez tem saido pela foz do Tejo. Eu não sei (ou se o sei não o quero expôr) porque a consulta não se decediu a favor da ilha da Madeira. Mas já disse muitas vezes que o partido que quer conservar a entrada das aguas-ardentes he muito pequeno, mas he muito forte: do povo em geral he donde dimanarião as queixas? Por tanto concluo, apoiando Sr. Girão e que se outra cousa se faz causa da ruina da ilha da Madeira.
Este he meu voto, e quando for contrario a elle a decisão da assembléa, hei de requerer que se me permitta fazer esta declaração na acta; e decida o Congresso o que quizer, que será sempre o justo.

O Sr. Francisco José Moniz: - Eu não me lembro que dissesse que na Madeira entrou sempre aguardente de França, e se o disse enganei-me e declaro que a sua entrada principiou no anno de 1777 pouco mais ou menos por premissão da Junta da Fazenda, porém agora digo que desde essa época se conheceo tanto beneficio aos vinhos da Madeira, que apesar da sua superior qualidade, ganharão muito maior perfeição com o adubo da aguardente de França, e já então se não damnificarão partidas de vinho inteiras como succedia nos tempos anteriores com ruina de tantas casas; progredindo o commercio com tal rigor que estando o rendimento da Alfandega contratado por 40:000$ réis veio em menos de quarenta annos a exceder a 200:000$ réis.
Pela entrada da aguardente não he que eu descubro os males da Madeira: elles procedem de outros motivos e o principal he a differença de 24000 pipas de vinho que deminuirão os embarques dos 4 annos de 1816 a 1819 inclusive aos que se fizerão nos 4 annos de 1812 a 1815, que apesar de não serem grandes sempre excedião ao valor de 11 milhões que tantos faltarão no giro da praça nos ultimos annos e que de necessidade hão de produzir o transtorno que o povo soffre, o qual só pode ser differente remediado procurando-se extrahir o vinho pelas differentes praças do mundo.

O Sr. Aragão:- Ninguem melhor do que eu