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grande vantagem. Para provar o que avanço basta dizer, que o estado de Damão produz uma grande quantidade de teca; esta madeira é a melhor que se conhece para a construcção, a obra de mão alli é minto barata, porque o jornal de um carpinteiro não custa mais de um tostão por dia, de maneira, que com a maior commodidade se podem construir em Damão todos os navios de guerra, e actualmente se está construindo ahi ha muito tempo uma fragata Goa é o melhor porto da costa do Malabar, e Macáo é um ponto interessantissimo para o commercio da China. Ora se estes navios perderem a monção, e não sahirem para o seu destino, não só perderemos as possessões da Asia, mas as da Africa Oriental. Eu vi uma carta de Moçambique, escripta por uma pessoa muito capaz, em que dizia que os Cofres estavam sitiando o nosso estabelecimento de Inhambane, que dalli se tinham pedido soccorros a Moçambique, mas que os não havia para se lhe mandarem, dizia mais a carta, que em Moçambique reinava a maior desordem, e que se o Governo não acudia promptamente perdiamos para sempre aquella colonia Sr. Presidente, estariamos nós reservados para ver separar em pedaços a Monarchia Portugueza, tendo meios para o evitar, tendo navios de guerra armados neste porto? Os Srs. Ministros da Corôa estão na rigorosa obrigarão de fazerem os maiores esforços para que esses dous navios saiam o mais tardar até ao principio de Maio, a fim delles não perderem a monção, e nós perdermos as nossas possessões da Asia, e da Africa Oriental - Em quanto eu tiver a honra de estar sentado neste Congresso hei de clamar altamente contra todo o Ministerio, que pela sua falta de energia deixar perder as nossas colonias; por que considero, que o Ministerio, que tal fizesse, fazia a desgraça da Nação. Permittam-me os Srs. Ministros que lhes diga, que me parece injusto e impolitico, continuar a mandar para as nossas possessões ultramarinas uma alluvião de empregados subalternos, porque a justiça e a politica pede, que esses empregos sejam dados aos naturaes do paiz (apoiado), e não nomeados pelos Governadores que para lá vão, mas aqui pelo Governo, porque a maior parte; desses Governadores tem ido para as nossas possessões, não para fazer a felicidade a esses povos, mas a sua propria fortuna (apoiado) e se se permittir a esses Governadores o proverem taes empregos, elles hão de prover, não as pessoas que tiverem mais merecimento, mas sim aquellas que lhes derem mais por elles.

Sr. Presidente, eu peço a attenção do Sr. Ministro da Coroa, (e sinto que não esteja presente o da fazenda) sobre o que vou dizer. - Ha no porto de Lisboa armados uma grande fragata de 50 peças, tres excellentes corvetas, um brigue, e uma grande charrua armada em guerra Estes navios, em vez de irem navegar, a fim de exercitar suas tripulações, e fazer respeitar a bandeira Portuguesa, estão ancorados no Tejo sem fazerem serviço algum, e fazendo uma grande despesa ao estado. Por que razão se não ha demandar estacionar parte desses navios nas nossas possessões ultramarinas, para serem sustentados por ellas, e aliviar o nosso thesouro, o que lhes não póde fazer maior pezo, porque o dinheiro que com isso se gastasse ficava no mesmo paiz. Dir-se-ha, que o thesouro é o mesmo, e que tanto faz gasta-lo aqui, como lá, mas eu digo que não, porque presentemente não vem rendimentos alguns das provincias ultramarinas. E porque não vem esses rendimentos? Porque essas provincias estão em anarchia, e um paiz sem tranquilidade não póde florescer: se os navios de guerra para lá fossem mandados estacionar, manteriam a tranquilidade, sustentariam as authoridades, e fariam respeitar o nome Portuguez, e então esses paizes haviam de florescer, e florescendo não só poderiam sustentar a nossa marinha, mas ainda ajudar o thesouro. Sr Presidente, excepto Inglaterra, nenhuma nação tem possessões tão vastas, e tão ricas como rios, a desgraça é, que não sabemos tirar utilidade dellas!

O Congresso creio estará lembrado, de que eu ha muito tempo pedi aqui ao Sr. Ministro da marinha, que mandasse vir uma pouca de madeira do Baltico para forrar o fundo de uma náo, que está ha quatorze annos no estaleiro, a fim de poder lançar se ao mar, para cuja despeza não era preciso mais de tres ou quatro contos de réis em letras do thesouro. S. Exca. prometteu, que se ia mandar vir immediatamente esta madeira; mas consta-me que S. Exca. o Sr. Ministro da fazenda, ainda não mandara dar estas letras do thesouro, apezar de lhe terem sido exigidas repetidas vezes pelo Sr. Mineiro da marinha.

Sinto muito que o Sr Ministro da fazenda não esteja presente, porque lhe queria observar, que se essa madeira não fôr mandada vir já, não vem este anno, e não vindo este anno ficará a náo no estaleiro mais um ou dous invernos, do que resultará a sua total ruina. Não será pois a maior falta d'economia, por uma quantia tão pequena perder a Nação um navio, que lhe custou já, talvez mais de 200 contos de réis? Em fim, como não se acha nesta Sala o Sr. Ministro da fazenda, mais nada direi sobre este objecto.

O Sr. Ministro da Marinha: - O Sr. Deputado de certo não tinha ainda lido o diario d'hoje o zelo, que elle mostra, por maior que seja, por mais efficaz, que seja a sua vontade de acudir as nossas possessões ultramarinas, de certo não lhe faço injuria, o seu zelo, e a sua vontade não é mais efficaz, nem tem sido mais benefica, que a do Governo. No diario de hoje vem uma portam do Ministerio da marinha, que diz assim (leu). Estão dadas as ordens, e de certo só por algum caso sobre o mar, é que póde deixar de verificar-se a sua saida neste praso, assim como a da charrua S. João Magnanimo. Tenho satisfeito á solicitude do Sr. Deputado agora quanto ao conselho, que dá á administração, de não empregar nos empregos subalternos senão os naturaes do paiz, essa é a politica da actual administração. A actual administração assim o entendeu, e tanto que todos os despachos anteriormente feitos em sentido contrario, foram cassados por mim, mas o Ministerio não concorda com o Sr. Deputado, quando diz, que não deixar aos governadores o indica-los, o Governo não deixa aos governadores o nomea-los, mas a propo-los a S. M. Como é que o Governo póde, em tão grande distancia, conhecer da aptidão, e do merito dos empregados senão por orgão dos seus empregados superiores? Os empregados superiores, em geral, póde dizer-se, que iam para alli fazer fortuna; mas hoje estou convencido, que os homens que para lá são mandados, são verdadeiramente portuguezes, e hão de fazer honra á nação. Parece-me, que tenho satisfeito ao Sr. Deputado.

O Sr. Vasconcellos Pereira: - Eu fallei dos governadores antigos; e a respeito do que disse S. E., vejo na portaria só a fragata D. Pedro, e a charrua, senão for até dez, ou doze, não poderá ir este anno, porque decerto perde a monção.

O Sr. Ministro da Marinha: - Eu disse, que tambem havia de ir a charrua no mesmo tempo, mas mandei fixar a partida da fragata D. Pedro, porque se por alguma circumstancia extraordinaria não podessem sair ambas, saisse aquella, mas tenho toda a esperança, que hão de sair ambas.

O Sr Presidente: - Esta questão está terminada passa-se á ordem do dia, que é a continuação da discussão do projecto de Constituição na sua generalidade, o Sr. Midosi tem a palavra.

O Sr. Midosi: - Srs.! Não é sem temor, que eu tomo a palavra em materia de tanta transcendencia, e que importa nada menos, que a salvação da patria. Digo, Srs., que não é sem receio, não porque eu tema pronunciar a minha opinião sobre este ponto importante, nem porque eu queira comprar popularidade á custa do bem estar da nação, que para aqui me mandou, e me nomeou seu procurador; mas por conhecer a magoa de cabedal, a falta de luzes, que desejára possuir em gráo eminente, para concorrer na