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tar quando a hora já está tão adiantada, e a fadiga dos que me escutam deve já ser mui grande. - Todavia, em occasiões como esta, nós temos de satisfazer a outras considerações para com a nação em geral, e para com aquella parte della em particular, que nos honrou com a sua confiança, e que tem direito a saber quaes foram as nossas opiniões. Já por uma, ou duas vezes, por me não chegar a palavra em assumptos importantes, fui obrigado a declarar o meu voto de uma maneira menos directa, e menos explicita: hoje que ella me cabe a tempo, por mais desfavoraveis que me sejam algumas circumstancias, confiando muito na indulgencia do Congresso, passo a fazer uso do meu direito.

O meu intento, Sr. Presidente, é approvar o projecto da Commissão, e approva-lo não pela prefeição absoluta, não na sua totalidade; mas como texto para as nossas discussões, e muito bom texto para satisfazermos aos termos do mandato, que depois do naufragio da Carta, o povo portuguesa teve o bom senso de nos conferir; reservando-me, porém, o direito de modificar, alterar, accrescentar, ou supprimir qualquer parte do mesmo projecto, segundo melhor me parecer. - Antes, porem, de entrar no desenvolvimento das razões porque o approvo, é-me necessario fazer uma espécie de manifesto dos principias, porque me hei de guiar para esse fim, tanto nesta discussão geral, como na de cada um dos seus artigos.

Começo pois por declarar; que nestas materias a minha grande balisa, é o maior bem de todos: para satisfazer a este objecto, entendo eu, que é indispensavel meditar mui prudente, e mui pacientemente os factos, e circumstancias que têm relações com os interesses, de todos; (Apoiado, apoiado.) é necessario, que nem uma só classe de Cidadãos fique desattendida nesta obra; porque se assim acontecer, não só teremos dentro em nós o remorso da injustiça, mas demais amais teremos o de haver lançado em o nosso paiz o gérmen da guerra, e da opposição á nossa propria obra; e esta guerra, e opposição serão tanto mais fortes, quanto mais poderosa, em qualquer sentido, for essa classe desattendida. Outra consideração que tenho muito em vista, e com a qual andam estreitamente enlaçadas as primeiras, é, que o systema do governo que temos de arranjar para a nação a que todos temos a honra de pertencer, não póde, Sr. Presidente, não póde ser organisado em desharmonia com os das outras monarchias representativas da Europa. Nós não temos força para nos pormos á testa de innovações, que desafiem a má vontade desses governos contra nós; ou amorteçam suas sympathias a nosso favor. Não é necessario que elles nos façam uma guerra aberta, para que nos possa vir muito mal. Nós ainda temos dentro, e fora de nós, perto, e longe de nossas terras, muitos, e poderosos inimigos; e se até os, amigos indispozermos com nossas imprudencias, quem nos ha de valer na hora do perigo? Ninguém nos nega o direito, que nos compete, de nos constituirmos como bem entendermos; - mas uma cousa é o direito, outra é o uso que delle fizermos: - pequenos como somos, e dilacerados como estamos, não me parece prudente, que sejamos dos primeiros a lançar-nos aos mais perigosos das innovações, em uma occasião em que todos os elementos ameaçam conspirar-se contra nossa fragil barca. - Parece-me mais acertado que vamos navegando segundo o calculo, sim, de nossa propria derrota, mas mui cautelosamente a respeito dos cachopos, e da furia dos ventos, e não despresando a experiência de pilotos antigos: nem isto nas está mal.

Nações reais poderosas que nós, muitas vezes tem seguido, e sem deshonra, uma politica similhante. - Certamente, que se algum governo quizesse extorquir de nós o sacrificio da nossa honra, ou da nossa liberdade, nós lhe deviamos resistir com firmeza até o ultimo de nós; mas não é disso que se trata; é sómente de não arriscarmos nós mesmos uma, ou outra innovação no systema representativo da Europa, sem a qual ainda podemos; ser muito livres.

Nós não somos chamados a executar sobre em terreno novo e desembaraçado de todo o obstáculo, o bello ideal de um edificio politico filho de nossa propria fahtasia; mas recebermos os primeiros traços de quem, no-lo encomendou, que são os que estão em nossas procurações; e temos de os desenvolver com attenção a muitas cousas que nos restam do edificio de uma das mais antigas monarchias da Europa, e de uma monarchia absoluta; isto é, temos de constituir a lei fundamental para um povo que tem usos, costumes, affeições, e até prejuizos enveterados de seculos, que nenhum poder da terra é capaz de mudar de um anno para o outro. Não ha leis, que possam de um só facto donominar taes factos; porque elles são mais fortes que as nossas concepções. Querer obstinadamente domina-los é loucura; deixar-se guiar por elles é que me parece de prudencia. A nossa organisação politica pois, é minha convicção, não póde deixar de ser de transicção progressiva, sim; mas pausada e gradual: já bem temos corrido a diante dos factos; se continuamos na carreira com a mesma velocidade, vamos de certo despenhar-nos em algum abysmo. Eu reconheço toda a importancia e necessidade dos principios fundamentaes. Sem elles andariamos sem balizas certas, mas o mechanismo necessario para os tornar effectivos; para assegurar nossos direitas, é que deve ser modificado segundo a força de factos presistentes. Se isto é ser homem de circumstancias declaro que professo altamente de o ser, e não me envergonho desta profissão. Appello para a authoridade dos maiores legisladores; appello para a experiencia de todos quantos governos tem havido no mundo, cuja duração não fosse ephemera. Que quer dizer Solon Confessou, que não tinha dado aos Athenienses as melhores leis, mas as melhores para elles? Que outra cousa quizeram significar Franklin, e Washinghton, politicamente os homens mais virtuosos dos tempos modernos, e a quem ninguem pudera nem suspeitar de temidez, quando disseram aos seus concidadãos: - "ahi tendes, não a obra mais perfeita, mas a melhor que povos podemos offerecer nas actuaes circumstancias; ella contém os elementos para o aperfeiçoamento progressivo; o tempo e a experiencia vo-lo trarão." Se dos indivíduos passo às nações, toda a, historia vem em meu favor desde o povo judaico até nós; desde o governo de uma tribo de selvagens na infância da sociedade, até o de um povo elevado ao maior auge da civilisação; porque até os selvagens, nesta sentido podem dar lições aos philosofos das utopias; e a mini, que não sou philosopho, me deram uma vez uma de tolerancia religiosa, capaz de envergonhar um inquisidor. Viajando eu entre elles com alguns amigos, um Cacique nos perguntou, se professávamos deferentes religiões; e respondendo-lhe nós que sim, seguio logo com outra pergunta: e sois amigos não que respondendo nós afirmativamente, elle como exultando com a resposta, accrescentou: tambem eu sou vosso amigo, e porque não? não somos nós todos filhos do Grande Espirito?

"Muito mais podia eu contar; mas baeta para provar, que até dos selvagens às vezes se podem tirar lições. Continuando nas minhas reflexões digo, que eu poderia provar em toda a historia, que já mais houve um governo duravel, que estivesse em contradicção com os factos e opiniões dominantes: eu podia com muita facilidade discorrer de povo em povo para o demonstrar; mas um illustre Deputado já o fez com tanta erudição, com tão brilhante lingoagem, e com uma força de logica tão concludente, que não serviria senão para roubar o tempo ao Congresso, e abusar de sua benevolencia, ir repetir o que elle tão admiravelmente fez.

Limitar-me-hei por tanto a sómente tocar nos exemplos de uma ou duas nações, por serem seus governos apontados por todos como modelos de bem entendida; liberdade. A primeira destas é a dos Estados-unidos da America do Norte, a respeito da qual, seja-me permittido dizer, que se alguém se persuade que o seu governo é rigorosamente, e a todos os respeitos, o resultado de