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que se chama da Carta?! Ah! Sr. Presidente, pois pensa-se que esse partido perdoará nunca a nação a resistencia contumaz, que oppoz ao seu dominio, o desprezo a que se tem votado as suas pessoas, a execração com que tem coberto seus nomes, uma revolução gloriosa com que acabou a sua existencia politica, e sobre isto o ludibrio de suas miseráveis conspirações. Pensa-se, que a Constituição que fizermos não será sempre o objecto do seu ódio, e de suas maquinações; e que elles se esquecerão que ella teve uma origem, que os affronta, e faz a sua vergonha:.... Sr. Presidente, o Governo representativo é pela EUS natureza uma fusão sistematica e legal. A uma recebe todos os nomes, nella se volvem todas ambições, a ella correm todos os partidos. Fazemos nós alguma lei de exclusão? Pediamos a uma a alguma cor política? Nas ultimas eleições não appareceram nella os nomei mais infestos á revolução E a revolução repelliu-os? Não O mesmo illustre Deputado disse, que o programma de Hotel de Filie sempre tinha sido resolvido pelo facto contra a theoria; e com isto quiz inculcar a impossibilidade da sua pratica confesso que esta linguagem me maravilhou. Os desfavores da fortuna destroem por acaso os direitos dos povos? As conspirações liberticidas podem desacreditar a liberdade? Porque motivos a theoria tem resolvido contra os factos o programma do Hotel de Vilie? O illustre Deputado bem os sabe, e o Congresso não os póde ignorar.

Também se nos citou a morte de Carlos I., de Luiz XVI. - Sr. Presidente, os dias em que uma nação se constitue, são OE dias de noivado entre o throno e essa nação; e será cortez agoar o prazer do festim com narrativas funebres, e salpicar com cangue as gaias dos convidados?
Quando nós vamos lançar sobre o jovem throno as flores da boda, para que é misturar nellas os ciprestres da morte? Sr. Presidente, a nossa rua do Parlamento, a nossa praça da revolução, é esta sala, e aqui discutem-se muito maduramente os direitos da coroa, e do povo, e não se cortam cabeças de Reis. (Apoiado, apoiado) E os Robspierres, os Marates ....exclamou o nobre Deputado. Muitas vezes reflectindo eu sobre a sorte dos povos, tenho dito comigo. = Estes homens tem feito mais mal á liberdade com os seus nomes do que com os seus crimes. E com effeito os seus crimes passaram, o tempo tem desvanecido os effeitos delles; mas os seus nomes intimidam o presente, e compromettem o futuro, ao (permitta-se-me que assim lhe chame) os papões da liberdade, com que se intimida o povo, e se incutem receios no progresso. Sr. Presidente, desenganemo-nos; a historia da revolução franceza é a historia só da França , e só dessa revolução. Não se tornam a repelir os seus successos nem cá, nem em paiz algum não o consente a civilisação da nossa idade Desde os horrores dessa vertigem revolucionaria até agora , quantos povos tem tomado as armas para defender seus direitos Acaso um algum representado as scenas criminosas da contenção, e do directorio? O mesmo povo francez, sentado sobre as ruinas dum throno, tendo em suas irmãs vitoriosas os destinos da França, senhor da lei e da força, lançou aos pés do heroe dos dous mundos os troféos do seu civico triunfo, e á voz delle, a ordem, e o Governo renasceram sem esforço do orgulho da victoria, do tumulto das paixões, e da confusão dos partidos. Tal é a differença dos tempos, tal é o espirito da nova idade! Robspierres, e Marates em Portugal! O nosso paiz não nutre estes monstros. Abra-se a nossa historia, não tem sido poucas as nossas revoluções, e ainda não appareceu nel-las uin homem desses. Os Robspierres, e Marates nunca foram do nosso clima, e já não são do nosso seculo. (Apoiado, apoiado.)

Um illustre Deputado pela Terceira estabeleceu a doutrina = que a Constituição dum paiz não é obra dos homens, mas que está no mesmo paiz. Sr. Presidente, uma Constituição política qualquer tem duas partes, como bem notou o mesmo nosso honrado collega: uma é a parte natural essa é inalteravel, eterna, e universal, e a mesma para todos os povos, fallo da declaração dos direitos, que são os mesmos para todos os climas. O negro que debaixo da Zona tórrida trabalha ao som do chicote do senhor, o francez que não sabe permanecer, o china que é sempre o mesmo, o turco que respeita a lei pela força, o Inglez que teme a lei sem a força, todos filhos iguaes da natureza, não obstante a diversidade de condicções, tem os mesmos direitos. A outra parte é dos homens, é aparte sistematica e organica, supposto que tambem tenha o seu fundamento na natureza das cousas; porque constituir politicamente um povo é resolver os problemas da sua prosperidade e liberdade, tendo por dados as suas circunstancias economicas, moraes, e físicas mas não discordando eu desta doutrina, permita me o illustre Deputado que a produziu, que eu lhe diga que se as suas vistas foram só
produzi-la, a lembrança foi um pouco intempestiva; e se a apresentou para tirar delia as conclusões que eu julgo, o recurso não foi feliz; porque essas consequências não dimanam delia. Eu julgo que esta doutrina foi apresentada para nos prender em nossas concepções politicas, e obrigar as nossas opiniões; mas esta doutrina só muda os termos da questão, e não lhe faz perder a natureza. Se nos querem subjugar com os exemplos, e subjeitar a theoria aos factos, ainda nos fica a mesma latitude de argumentar sobre a concludencia desses exemplos, e o valor desses factos Esteja-se se quer a nossa organisação politica no nosso próprio paiz, mas vamos a ver que organisação elle pede. Recebamos exemplos de fora, mas veja-mos se esses exemplos nos podem aproveitar; porque um Governo não é uma maquina, que se transporte, e trabalhe em toda a parte.

Eu sei tão bem como o illustre Deputado pela Terceira, que os nomes não fazem as cousas, e que um povo póde governar-se democraticamente tendo uma Constituição, a que se chama monarchica, e mesmo gemer debaixo dum dispotismo consumado tendo a liberdade decretada em suas leis; que Sparta, republica dos livros, se póde chamar monarchia no facto, e Inglaterra aristocracia nas instituições se póde reputar democratica no seu modo de governar-se, mas para que dar uma lição terminologica a todos os povos da terra? É preciso advertir, que muitas vezes em politica se emprega uma terminologia falsa para incubrir a realidade das cousas; (apoiado) outras vezes a terminologia fica, e as cousas mudam, e daqui em a differença que se acha entre a Constituição real dum povo, e a Constituição nominal.

Todas as lutas, que tem havido no mundo, disse o nosso honrado collega, esta inquietação dos povos, esta instabilidade dos Governos, vem da guerra continua em que sempre andam a aristocracia, e a democracia. A historia, de todos os paires é a historia destes combates, e todas as revoluções políticas se explicam por esta única causa. Quando estes dous monstros, continuou o mesmo illustrt Deputado, não são dotados de igual força na Constituição dum paiz, o resultado é a desordem, a confusão, e anarchia. Mas o nobre Deputado, que proferiu estas idéas, approvou o projecto da Commissão de constituição, constituições como essas tem sido experimentadas em muitos paizes da Europa, e esses males de desordem, e instabilidade não tem cessado logo aqui, ou ha engano em atinar com a origem destes males, ou má politica nos remedios que se lhe propõe. Isto
parece-me concludente. Figurou-se-nos a aristocracia como uma torrente impetuosa, quebrando todos os diques que se lhe opõe rompendo por todas as leis, por todas as instituições, e por todos os tempos; e disse-se = a aristocracia é um vicio do coração humano, que não tem podido, nem nunca poderá extirpar-se. Entendamo-nos duma vez para sempre sobre o sentido desta palavra, que não deixa de metter medo a muita gente. Eu, Sr. Presidente, não sou partidario daquelle igualdade imaginaria, que nos leva a contestar os factos conhecidos e a duvidar do testemunho dos sentidos Se vejo dous homens, e reconheço por factos reiterados - que um é mais