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da liberdade ingleza foram sempre os aristocratas mais elevados, como os Russeis, Bedfords, Sydneys, Hollands, Greys; etc. etc. Se esse pariato hereditario (cousa de que nós não tractamos) andasse vinculado em certas familias, ainda o Sr. Deputado poderia condemna-lo; mas a casa dos Lords é o Pantheon, onde vai tomar logar todo o homem distincto, e que faz serviços ao seu paiz; todo o advogado abalisado salta da sua banca para o saco de lã, para a presidencia da Camara dos Lords, e para o alto logar de Chanceler-mór do império Britanico. - O illustre Deputado attribuiu tambem á aristocracia ingleza a guerra da successo. - erro capital - Esta guerra deve-se á ambição de Luiz XIV. E isto é tanto assim que os escriptores mais patriotas dessa época não lamentam que o paiz se empenhasse nessa guerra, mas sim que na paz d'Ulrecht abandonasse os seus alliados, os Catalães, e os Portuguezes.

O distincto orador não é mais exacto, quando allude ao começo da revolução franceza: tambem alli foi esse mais um tigre aristocratico (nome que conviria repetir menos vezes pelo modo que se repete, se não se quer multiplicar bandeiras) o primeiro que sé combinou para pôr termo ao desatino da camarilha de Versailles, e não do Rei, que todos reconhecem ter sido um virtuoso monarcha. Foram os Montmorencis, os Choiseuls, os Mirabeaus, os Talleirands, Lafayettes etc. e com elles o parlamento. Todos estes queriam a monarchia limitada, o governo representativo, e nesse sentido fundaram a sociedade dos amigos da Constituição; mas logo que ella se transformou no club dos Jacobinos retiraram-se, e o mesmo Bornave com elles, se me não engano; - e então outros vieram que quebraram o throno, levaram o infeliz monarcha á praça da revolução, cobriram a França de lucto é sangue, conspiraram a Europa inteira contra elles, e por fim voltaram cobertos de titulos e riquezas ao mesmo ponto, d'onde tinham partido, collocando um tyranno glorioso, como lhe chama Lord Biron, no throno de Luiz XVI. - Tal foi a marcha dos membros da convenção, que escaparam á guilhotina. - Hoje, Sr. Presidente, é inquestionavel que esses bandos de homens dos Faubourgs de Santo Antonio, S. Marçal etc. etc. eram movidos por agentes dos estrangeiros, que tomavam a mascara dos patriotas para desacreditarem a revolução.

O Sr. Deputado olhou a existencia de uma segunda Camara, como um privilegio de classe, e não se lembra que todas as sociedades estão cheias de privilegios: nós mesmos, estamos aqui gosando um privilegio remarcavel, não podemos ser compelidos a responder diante dos tribunaes durante a legislatura.

O Sr. Deputado disse, se me recordo bem , que o veio levara Luiz XVI, ao cadafalso; - e entendo eu que foram as medidas mal avisadas da unica Camara, que então existia, que collocou o Rei na penosa alternativa de deshonrar-se, e de trahir sua consciencia, sanccionando a Constituição civil do clero, ou expor-se ao rancor da facção, que dominava. O Rei sanccionou, mas nem por isso deixou de ir ao cadafalso.

Sr. Presidente, aquillo mesmo, que entre nós se está passando, prova a necessidade de uma segunda Camara. Ninguem duvida da utilidade da emprega dos barcos a vapor: entretanto venceu-se aqui por um voto, creio eu, uma clausula, que a empreza não póde admittir. Se houvesse uma segunda Camara alli se podia conciliar; assim ou o publico perde a vantagem daquella navegação, ou é Congresso ha de alterar a sua votação.

Persisto na minha opinião.

O Sr. Nunes de Vasconcellos: - Sr. Presidente, depois de haver precedido uma larga, e profunda discussão sobre o projecto de Constituição na sua generalidade, e em especial sobre o artigo que hoje examinamos, do qual se póde inferir com segurança a boa sorte do mesmo, parece escusado, ou antes temerario que eu destituida de todas as qualidades oratorias, e falho em recursos intellectuaes para entrar em um combate, em que se tem distinguido tantos athletas, ouso ainda levanta, a minha voz, e occupar a attenção do Congresso. Mas o Congresso, que respeita em cada Deputado a parte, da Nação, que representa, assim como se gloria de contar em seu seio os illustrados membros, que lhe servem de ornamento, tambem se não dedigna de ouvir um Depulado franco, e leal, que em materia de maior sublimidade e transcendencia quer usar do direito de emittir o sen voto, para que sendo avaliado pela Nação, e pelos seus constituintes, começam estes, e aquelles que, se me faltará, os dona da intimativa, e persuasão não me fallecem os desejos de desaggravar a minha consciencia, firmando-a nos principios, que me parecem mais proprios para arvorar o pendão da liberdade, colher depressa seus fructos, e eternisar a gloriosa, quanto arriscada revolução de Setembro, que nos tem reunido neste, augusto recinto:

Sr. Presidente, eu estou persuadido que a Nação, proclamando o principio de Soberania popular, não faz mais do que repetir nesta parte o grito de 1820, grito que o furor do despotismo tinha conseguido abafar no coração dos portuguezes, com este brado quebraram-se as algemas da escravidão naquella época de liberdade logo denegrida pelo ar pestilenta do despotismo, que póde ainda a par de tantas causas externas, e internas, cortar o voo de civilisão, e disseminar entre os portuguezes por suas falazes suggestões o funesto pômo de discordia, de que por desgraça ainda hoje se sentem os effeitos.

Ao monarcha infeliz, e illudido, a quem os Aulicos retrogados fizeram perder a gloria de baixar á sepultura sem o honroso e civico titulo de Rei constitucional, e cidadão, succedeu outro mais ditoso, que aprendendo os costumes dos povos e a marcha das sociedades largou de si grande parte dos atavios da magestade, e deu aos portuguezes com a Carta Constitucional uma evidente prova de que o governo de um só no meio das sociedades modernas é uma anomalia de civilisação, é das crises, é um escárneo dos povos, para quem, e por quem os Reis governam, é um falso idolo de fingida adoração; obrigada pelo terror e receio. Ella mesmo, esse Anjo da luz, que já ha tresannos desappareceu d'entre o seu amigo povo, plantou nesta terra da liberdade o seu generoso donativo; e como tendo acabado á sua missão de nós se despediu para sempre; porém Sr. Presidente, o Duque de Bragança de saudosissima, e gloriosissima memoria havia passado pelas duas nações, que se apresentam ufanas, á frente da civilisação europêa: alli vio o poderoso, e salutar influxo da liberdade; alli aprendeu que o seu genio tutelar não descança, e que trabalha sempre na razão inversa das difficuldades, obstaculos, ou barreiras que encontra; alli soube finalmente que não é obra humana duradoura, e que as instituições politicas, por que se governam os povos quando não preenchem suas necessidades hão de ceder, tarde ou cedo ao poder irresistivel das feses e adiantamento das sociedades. Elle era mais sabio, e mais filosofo que seus conselheiros; e por isso não duvidou asseverar, quando desembarcou na Ilha Terceira, nesse despresado baluarte der lealdade que se sobrevivesse por muito tempo ao restabelecimento do Throno da Rainha e da Carta, iria passar os ultimos dias no centro de Inglaterra. Era já um persentimento do futuro, que lhe preparavam esses conselheiros, que a intriga tinha feito inseparaveis companheiros do monarcha digno das conferencias, e lições do grande Focion.

Verificou-se em fim o vaticinio. Appareceu a revolução de Setembro proclamando a soberania do povo, de que dimanam todos os direitos, e investindo a seus representantes das augustas, quanto melindrosas prerogativas de reconstruirem o edificio social, aproveitando do que acabava da desabar todos os materiaes que ainda podessem servir na formação do novo.

E' pois chegada o tempo de emprehender esta grande