O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

72 DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

accusara o governo, mas tambem na do inquerito agricola, sentindo que o sr. José Novaes viesse fazer accusações
injustas e infundadas a esse respeito. O inquerito agrícola era um trabalho que estava sendo executado com muito zêlo, intelligencia e patriotismo pelos respectivos commissarios, trabalho de grande utilidade para o paiz, não havendo os esbanjamentos a que o mesmo sr. deputado se referira.
Sobre um serviço de tal ordem não se devia fazer politica, e era seu dever dizer que regiões houve onde distinctos membros do partido regenerador prestaram verdadeiro auxilio á realisação d'esse serviço. Citaria, por exemplo, o districto de Castello Branco, onde o digno par o ar. Vaz Preto prestara aos empregados encarregados d'esse serviço todo o seu valimento.
Em todas as palavras que proferira não tivera intenção de melindrar ninguem, e pedia aos srs. deputados da opposição que assim o acreditassem.
(O discurso será publicado na integra quando s. exa. o restituir.)
Apresentou a seguinte:

Moção de ordem

A camara, satisfeita com as explicações do governo, e certa de que elle continuará a manter com firmeza a ordem e as liberdades publicas, passa á ordem do dia. = Elvino de Brito.
foi admittida e ficou em discussão.

O sr. Presidente: - Como a hora está muito adiantada, vou dar a palavra ao sr. José de Azevedo Castello Branco, que a pediu para antes de se encerrar a sessão.
Tem a palavra.
O sr. José de Azevedo Castello Branco : - Rasão
tinha eu para pedir a palavra para antes de se encerrar a sessão, ao ouvir a discussão longa, embora eloquente, do illustre deputado o sr. Elvino de Brito.
Nós tinhamos vindo hoje aqui para sermos esclarecidos pelo sr. ministro do reino sobre questões de ordem publica; e apenas fomos instruidos pelo sr. deputado Elvino sobre questões retrospectivas, que nada têem com a questão que estava dada para ordem do dia.
Pedi a palavra para dirigir algumas perguntas ao sr. presidente do conselho de ministros. Não temos logrado receber telegrammas de algumas localidades onde sabemos que ha tumultos. Os empregados dos telegraphos têem sido de uma solicitude benevola para com o governo, não querendo causar-lhe desgosto transmittindo-nos telegrammas.
Chega até no ponto de telegrammas dirigidos a certas individualidades, serem recebidos por outras pessoas, que não aquellas a quem eram dirigidos.
Desejo, portanto, ser informado categoricamente pelo sr. presidente do conselho de ministro do seguinte:
Consta que lavra grande agitação na ilha da Madeira, e que aquella ilha está em completa revolta demagogica.
As noticias vindas d'aquella ilha ultimamente revelam factos extraordinarios, que para não cansar a camara não relatarei, e como me consta que o governo tem telegrammas e informações sobre isto. desejo que o sr. presidente do conselho de ministros informe a camara e o paiz do estado em que se encontra a ilha da Madeira.
Ao mesmo tempo desejo saber se é exacto o que se lê em alguns jornaes sobre o estado de revolta de Cantanhede, porque só diz que essa revolta se tem alastrado, invadindo povos circumvizinhos. Como não temos outras noticias senão aquellas que o governo nos podér transmittir, por isso peço ao sr. presidente do conselho que se digne informar a camara do que ha.
O sr. Presidente do Conselho de Ministros (Luciano de Castro): - Pedi a palavra para dar ao illustre deputado as informações que me pediu.
S.ex.ª referiu-se a dois pontos; á agitação que tem havido na ilha da Madeira, e á revolta que houve em Cantanhede e outros pontos circumvizinhos.
Emquanto á Madeira, tenho a dizer que effectivamente tem havido alguns tumultos em varios pontos d'aquella ilha.
Os motivos d'essa agitação, segundo as informações officiaes que tenho presentes, são a repugnancia que os povos dos differentes concelhos d'aquella ilha têem mostrado á posse das novas juntas de parochia. Esta é a causa pelo menos occasional d'estes tumultos. Os povos parece receiarem que as novas juntas de parochia lhes lancem impostos parochiaes, e por isso têem procurado destruir todos os papeis d'aquellas juntas e obstar a que ellas tomassem posse e inaugurassem os seus trabalhos. D'ahi resultou a necessidade de mandar sair do continente do reino uma força de 250 soldados, que foi no transporte Africa, que já desembarcou ha dias na Madeira, para auxiliar as forças que estão ali estacionadas, que podiam não ser bastantes se a agitação se generalisasse a todos os concelhos d'aquella ilha.
As noticias que tenho presentemente é que o socego está restabelecido.
Ha ainda agitação em alguns concelhos do districto, mas na capital da ilha ha ordem.
Agora mesmo acabo de receber um telegramma do governador civil, datado de hoje, em que me assegura estar restabelecida a tranquillidade publica em todos os pontos da ilha, e apenas se receia, vista a agitação que ha em algumas freguezias, a alteração de ordem no concelho de Porto Moniz, em virtude do que se tinha feito uma requisição de 150 praças que já para lá tinham marchado, unicamente para prevenir qualquer alteração de ordem, porque n'aquelle concelho tinha havido tumultos.
S. exa. sabe perfeitamente que é lamentavel o estado da ilha, economicamente fallando. Não é de agora a situação desgraçada em que ella está. A falta de cultura da canna de assucar e a extincção quasi completa da vinha produziu uma gravissima crise n'aquella ilha.
O governo tem procurado attenuar os males d'esta situação, por meio de providencias que d'ali têem sido reclamadas e que tem julgado acertadas. Creio que essas providencias têem produzido os seus effeitos e estou convencido de que, quanto possivel, hão de attenuar a situação deploravel em que está a ilha.
Alem d'isso o governo nomeou uma commissão de inquerito, composta de representantes de diversas classes que têem interesses mais preponderantes no districto, para poderem informal-o exactamente do estado economico do mesmo districto, e propor-lhe as medidas que julgar mais acertadas.
O governo tem feito quanto possivel e continuará a fazer, no desempenho do seu dever, e tudo que lhe for indicado pelos seus representantes n'aquelle districto e pela commissão que vae brevemente começar os seus trabalhos, no sentido de minorar a situação afflictiva em que se encontram os povos da ilha da Madeira. (Apoiados.)
Em relação a este ponto respondo a s. exa. que actualmente está restabelecida a ordem, tenho esperança de que não seja novamente perturbada e o governo continua a velar com igual cuidado pela manutenção d'ella e pela adopção de providencias que possam attenuar o mal da situação em que está o districto a que me referi.
Quanto ao concelho de Cantanhede, posso tambem dar a s. exa. noticias agradaveis. As que recebi hoje dizem que está restabelecida a ordem n'aquelle concelho. Houve effectivamente tumultos muito para deplorar em algumas freguezias d'aquelle concelho, sendo um d'elles na das Febres, contra o parocho da freguesia, creio que a proposito do recenseamento agricola, o que deu em resultado a intervenção da força publica, a qual empregou todos os meios possiveis para poder dissuadir os desordeiros; mas sendo aggredida por elles, e tendo dado uma descarga para o ar,