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sentado o sempre chorado Duque de Bragança, como Regente em nome da Rainha, e para resignar essa Mitra e dous grandes OITicios de Rrovisor e Vigário Geral do Palriarchado, não fui insinuado nem do alto Throno, nem pelo Governo, antes dous Ministros, que então eram, o Sr. Rodrigo da Konseca Magalhães, e o Sr. Conde de Thomar, foram ao meu quarto, persuadir-rne a que não resignasse, dizendo o primeiro, que antes teria o braço cortado, que desfazer uma Graça, que sem eu pedir, antes reluctando, me fizera o Senhor D. Pedro. Resignei porque quiz, a Mitra, e os dous Officios que eram meus, e em que estava encartado. Eu não podia sof-frer a tempestade que se levantou conlra mim, por eu não querer, senão segundo as regras civis e can-nonicas, cerlo casamento. Eu nâo pude soffrer a celeuma que se levantou conlra mim por suspender seis Parochos, que nâo faziam o seu dever. Estes Parochos, assim como os máos empregados, são os mais protegidos. Em fim resignei, e tudo se fez, e lambem resignei o ordenado de um conto e seis centos mil réis que o Senhor D. Pedro decretara, como Regente, para minha sustentação, e que foi confirmado nas Cortes de 1831. Eis os factos. Roma não mo negou confirmação, porque nunca se lhe pediu.
Disse-se também no Parlamenlo inglez, que eu tinha uma grande familia, e é verdade, Sr. Presidente, eu tenho uma grande familia. Nasci a seis léguas de distancia do logar onde estou. Humildes e virtuosos eram meus pobres pais. Tinham irmãos e lodos casados. Eu tenho irmãos o irmãs, estes tem filhos, e eu lenho primeiros, segundos, terceiros e quartos sobrinhos. A minha parenlella dentro no quarto gráo de consanguinedade sobe muilo a cima de cem pessoas. N Ao lenho um só parente rico, muitos tem suíficienles meios de subsistência, oulros ganham o pão com o suor de seu rosto, alguns velhos e enfermos não tem nada, e eu os soccorro; vivem dos meus auxílios; faço o meu dever. Esla é, Sr. Presidente, a minha familia, com que muito me honro, e que se honra comigo, outra não lenho, nunca tive, e eu perdoo a esses membros do Parlamento a injuria, que perlcnderam fazer-me. Eu perdoo aquelles que tão iniqua acção lhes encommen-dnram. (Muitos apoiados)
Finalmente, Sr. Presidente, disse-se que eu arvorava no Paço a bandeira do absolutismo, por mandado dos Srs. Cabraes. Sou amigo dos Srs. Cabraes, mas nem elles, nem pessoa nenhuma me deu nem esle, nem mandato nenhum. Todas ns vezes, que a liberdade foi perseguida na minha Patria, sempre fui eu perseguido. Fui degradado em 1823 — pelo Governo desse tempo, como revolucionário. Fui perseguido em 1828 — pelo Governo intruso; emigrei; não serei mais extenso; sou constitucional, e pela causa da liberdade tenho soffrido. Praza aos Ceos que as pessoas que prepararam eensaiaram os membros do Parlamenlo brilannico, para me desacreditarem, fossem tão liberaes como eu.
Sr. Presidente, graças ao Immorlal Libertador da nossa Patria, eu, filho de pais humildes, estou n'uma posição, em que não recebo mandatos senão do Au-
gusto Chefe do Eslado, ou dos Seus Ministros, e só e exclusivamente em relação ao meu grande Officio e Dignidade de Esmoler-Mór do Reino e Casa, e ás Solemnidades Religiosas e Culto das Capellas Reaes, cuja direcção me é commettida debaixo da jurisdic-ção do Em.mo Sr. Cardeal Palriarcha, como Capel-lão-Mór; de ninguém mais recebo mandatos.
Concluirei dizendo, que eu não lenho de meu um palmo de terra, em que seja sepultado. Não tenho propriedade alguma, vivo de uma pensão, que o Augusto Chefe do Eslado, generosamente me dá pelo Cofre da Sua Real Dotação, com isto vivo decentemente, e soccorro os meus parentes pobres. Já se vê que eu tenho mais apego a esta pensão, que o Velho Nabot tinha á sua única vinha. Eu não tenho um só real pela folha civil. Esta pensão é tudo. Mas se eu a quizesse perder, era fácil o meio. Era subir ao Paço, e dizer de maneira que constasse ao Augusto Chefe do Estado, ou a Seu Esposo, que devia governar Portugal pelo absolutismo. Nesse momento, Sr. Presidente, eu seria exaulhorado das minhas honras e dignidades, seria privado da minha pensão, e poslo fora do Paço, como um homem indigno, traidor e desprezível. Faça-se justiça a Suas Magestades, que não querem, não perlendeni, nunca consentirão no restabelecimento do absolutismo. No Paço ninguém quer isso. (Muitos c repetidos apoiados; e o Orador foi cumprimentado pelos seus Amigos).
O Sr. Palmeirim: — Eslão talvez 26 Srs. Deputados na Sala, parece-me por tanlo que não estamos em numero para continuar as Explicações.
O Sr. Presidenle: — Como para Explicação não é necessário volação, por isso podem continuar sem estar presente o numero de Deputados necessários para se votar qualquer objecto.
O Sr. Xavier Ferreira:—Estou convencido dc que na hora da prorogação jamais se poderão dar as Explicações. Ern soando a hora, os Srs. Depulados retiram-se, a Camara fica deserta, e quem tem de se explicar nâo o hade fazer ás paredes. Eu proporia pois, que estas Explicações tivessem logar antes da Ordem do Dia: são dois ou tres Depulados que lêem a palavra para as dar. Eu, pela minha parte, cederia delia, senão fosse obrigado a explicar-me ; não gastarei talvez um quarto de hora. Na hora da prorogação não se faz nada : ainda que as Sessões se abrem mais larde da hora marcada para abertura, com tudo muitos-Srs. Depulados são exactos no encerramento, porque em dando a hora reliiam-se logo. Isto é úm facto, e contra faclos não ha nada que se opponha. Proponho por tanto que as Explicações que faltam a dar, sejam dadas amanhã antes da Ordem do Dia.
O Sr. Presidente: — Como não ha numero suffi-ciente para votar, não posso sujeitar á deliberação da Camara a Proposta do nobre Deputado; lica pois reservada para ser votada amanhã.
A Ordem do Dia para amanhã é a,mcsma de hoje. Está levantada a Sessão.— Eram cinco horas da larde.
O 1Redactor,
J. B. GASTÃO.