4 DIARIO DA CAMARA DOS SEKHORES DEPUTADOS
mazeal Mas que quer o illustre deputado sabor agora se sabe já tudo quanto tinha a saber?
Poio o illustre deputado repetir, duplicar, reproduzir, as suão perguntas a respeito do falindo occordo, póde varial-as pela forma por que o regimento lho conceder, avisos previos, interpellações, incidentes, discussões, eu não digo nem mais nem menos do que tenho dito e repetido. Nem mais nem menos. (Apoiados.)
Embora o illustre deputado não venha hoje accusar de ter dito em parte do mais o em parte de menos, ou - nada restrinjo a nada acrescento ao que já por mais de uma voz declarei, o isto pela simples rasão de que não tenho a dizer nem maio nem menos do que disse.
O sr. Presidente: - Falta apenas um minuto para só entrar na ordem do dia e se v. exa. quer continuar o seu discurso eu vou consultar a camara n'esse sentido.
Vozes: - Falle, falle!
(Consultada a camara, resolveu affirmativamente.)
O or. Presidente: - Póde v. exa. continuar no uso da palavra.
O Orador: - Sr. presidente, é extraordinario que o illustre deputado me reconheça o direito de me collocar atrás da reserva diplomatica e poder assim não responder cousa alguma e que ao mesmo tempo queira pautar, de antemão, as minhas respostas e me não deixe a liberdade de responder senão sujeitando a minha resposta á sua censura previa! Não acceito essa situação. liei de dizer o que entendo conveniente disser, é o meu direito e hei de usar d'elle.
O sr. João Franco: - E o seu dever. (Apoiados.)
O Orador: - É o meu direito, dizer aquillo que entendo conveniente disser.
A politica diplomatica d' este governo, alheiado do parlamento, coroada de mysterio, timida, hesitante! ...
Para quem está o illustre deputado fallando?
Pois o ministro dos negocios estrangeiros tem-se alguma véu recusado à vir ás cortes tomar porte em discussões sobre politica internacional? Mas onde estão essas discussões? Quando é que os illustres deputados trataram de similhante assumpto? Quem formulou interpellações, quem abriu debates sobre questões de ordem externa?
Apenas no anno passado o sr. João Franco annunciou uma interpellação ácerca da situação internacional do reino no que respeita á questão financeira e ao nosso dominio colonial, e em companhia de outros collegas, propoz que essa interpellação se realisasse em sessão secreta. E que respondi eu sr. presidente? Vim á camara declarar que o governo se achava habilitado a responder á interpellação mas que não via motivo algum do conveniencia publica para que alta se houvesse de realisar em sessão secreta, porque o que tinha a dizer o podia dizer, alto, bom som e em publico. Então esta é que é a politica mysteriosa, tibia, hesitante.
É
o accordo anglo-germano que, no anno passado só em sessão secreta podia ser discutido, já agora póde ser tratado em sessão publica! E tudo isto porque? Porque o sr. ministro da fazenda só apresentou projectos de 3.ª ou 4.ª classe. Se tem apresentado projectos de 1.ª classe não se fallava em sessão publica no accordo anglo-germano! Pois a anciedade do para não é hoje a mesma que era ha dezeseis mezes? E só agora é que procuram serenal-a?! Formulem os illustres deputados interpellações, inquiram qual a politica diplomatica seguida por este governo, que eu estou prompto para responder, estou á disposição dos illustres deputados quando o desejarem. Quero, porem, dizer, desde já que a politica internacional de um governo se não aprecia tanto por quaesquer declarações que se façam na camara, e por livros brancos, que é facil multiplicar a proposito de qualquer minuscula negociação mas sim pelos factos conhecidos e sobretudo pelos, resultados obtidos.
E eu pergunto ao illustre deputado qual foi o acto praticado por este governo no qual arriscasse sequer uma parcella da integridade do nosso dominio ultramarino? (Apoiados.) Qual o dia em que este governo teve a infelicidade grande de ter de a curvar diante de alguma exigencia de uma ou outra poderosa nação? (Muitos apoiados.) Diga-nos s. exa. qual é a potencia com a qual estamos em conflicto, não direi material, mas simplesmente diplomatico? Diga-nos qual foi, e onde está o diploma assignado por este governo em que a honra, o credito ou os interesses da nação foram postergados? Venham esses actos, apontem esses dias, exhibam, esses diplomas. E discutamos, sim, quaes têem sido os resultados da politica internacional d'este governo, e se, no meio das dificuldades que nos têem assediado, das amarguras que os ministros têem soffrido, se essa politica tem sido tibia e hesitante, se hoje as nossas relações com as potencias, digo-o para satisfação do para, não são mais cor deães do que nunca, e se nós estamos inteiramente abandonados e lançados á margem como o illustre deputado pareceu pretender mostrar. (Muitos apoiados.)
Direi mais. A verdadeira politica internacional, não é só o governo que a deve fazer, é tambem todo o homem publico, que n'ella deve cooperar. Nenhum homem publico leve esquecer que tem missão de almas, e assim em vez de estar a avolumar todas as pequenas dificuldades, alcunhando-as de miserias, em vez de lançar todos os dias pregão de um descredito que não existe, em vez de fallar da cubica insaciavel das potencias, semeando a desconfiança, em vez de fazer suppor que haja n'este paiz quem rasgue a tunica inconsutil da patria para com os seus farrapos vendidos ao desbarato poder arrastar uma agonia tão vil como affrontosa, a verdadeira politica seria, digo, reunir-me nos todos sempre que nos encontremos em presença do estrangeiro. (Muitos e repetidos apoiados.)
Confio tanto em todos os homens publicos do meu paiz que estou certo de que em qualquer hora dolorosa ao sentimento nacional, se á Providencia aprouvesse que ella soasse, poderia contar-se com elles como com todos os portugueses em torno do governo fosse elle qual fosse (Muitos apoiados) e que n'essa hora cada um de nós poderia exclamar o meu nome é legião!
Se ha por ahi no grosso do publico quem esteja sequioso dos pugnas em que os homens publicos parecem querer dilacerar-se no que tem de mais intimo e caro, deixemos essas pelejas esteréis para as questões de ordem, interna; e todas as vezes que a, houvermos de içar a bandeira nacional em que symbolicamente se acham combinados o emblema de todas as nossas velhas glorias, com o emblema da joven liberdade, deixemol-a subir bem alto, deixemol-a fluctuar altiva e luminosa no azul sereno e transparente onde não possam toldal-a sequer os tristes fumos das nossas tristes paixões politicas. (Vozes: - Muito bem.)
Vou acabar, mas antes de o fazer quero dizer á camara, com a plena consciencia do que affirmo e com o inteiro conhecimento das minhas responsabilidades, que este governo pelos seus actos, pelo seu procedimento, emfim pela politica que adoptou e tem seguido, tem a convicção de haver contribuido quanto possivel para assegurar a integridade do nosso dominio ultramarino.
Vozes: - Muito bem.
O sr. Presidente: - Deu a hora de se passar á ordem do dia.
O sr. João Franco: - Requeiro a v. exa. que consulte a camara se me permito usar da palavra.
A camara resolveu negativamente.
O sr. João Franco: - Mando para a mesa um aviso previo ao sr. ministro.
Aviso previo
Desejando referir-me ao discurso do sr. ministro dos