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paixões nàopóde ser justo. De ordinário a gente mo* ca deixa-se facilmente arrastar de similhantes preconceitos; por isso eu não aconselharia a nenhum Governo que encarregasse de objectos muito, importantes, quem não tivesse experiência do serviço, Dizem que os grandes génios são precoces': será assim ; mas os bons empregados fazem-se com o tempo. São raros os Napoleões e os Pitts entre nós, pelo menos não sei que os haja.

SK Presidente, eu protesto que exprimo p que reputo ser verdade, e isto mui desapaixonadamente: eu nã;O posso crer, julgo ate' impossível, quê o Governa mandasse cointneller violências ; não quiz que ellas se commetlessem ; não o podia querer, porque o Go.verno é assa» illustrado para conhecer que as violências o matão ; as violências não dão força, por q.ue só se commelíern quando a não há. Em quanto- a m i m fica o Governo mais forte com dez Deputados saídos, para assim dizer, limpos da urna do que com vinte á força de manejos, cavilaçõese violências. Faço justiça ao Ministério: elle não fi* caria satisfeito de urna maioria obtida escandalosamente: laes maiorias far-lhe-hiam muito mal e desgraçado do Governo que quizesse maiorias foi-.Ias exclusivamente por elle. Entendo porern que algumas auetoridadss tiveram zelo demasiado, cuidando que nelle consistia o servir bem : esse excessivo zelo conduz muita vez a resultado bem diverso do que se pretende. Dizia o Príncipe de Tallei-rand aos empregados novos—^ nada de zelo: cumpre somente o vosso dever. Este zelo , que o, é menos polo bem do serviço do que um desejo de agradar, faz mais inales do que bens.

O Governo quer que as auctortdades executem fielmente as ordens e as Leis. Nada mais, porque mais do que isto e não cumprir, e tornar-se arbitrário: e nenhuma Administração quer mais dos seus Empregados do que o que lhes manda. Nãoattribuo nern ásaiicloridades vontade deliberada de transtornar a ordem, e violar a Lei, nem ao Ministério o pró* posito de tamanho crime, para ganhar eleições que elle sempre pôde vencer, sem o uso de meios odio-r sós. O 'Minisierio tem p direito, e até o dever de procurar vencer na urna: para isso possue meios, iodos QS tem possuído. É-lhe pois licito trabalhar ; porem seja dentro dos limites da decência; não se dc-ixe fascinar, pelo zelo desordenado de seus subalternos. "Não faço applicaçòes desta doutrina a in-dividuo'nenhum determinado: faça-a quem quizer se a achar verdadeira; e sendo assim convém que bem alto se diga a quaes limites se deve reduzir a auctoridade adminislracti vá em objectos de eleições. Ora diga a Gamara, spria demasiado zelo, ou não, entrar litn destacamento de tropa em uma Igreja 110 acto sacramental em que se fazia uma eleição ? Entrou ou não entrou urn destacamento na Igreja de Santa Marinha neste acto, e affugentou ou não affugenlou osEleitores, que n'ella estavam? E* este urn íucto incontestável. Também se diz que dentro da Igreja carregara as armas: isso não o sei eu: tenho ouvido, mas quero suppor que não. O destacamento não fez mais do que entrar, ordenando o seu Commandante ao povo dos votantes que saísse porque a eleição se achava feita , e o estava de véspera? Para que entrou elle lá? Quem o mandou lá ir? (Apoiados.) Havia por ventura tumulto dentro do templo? Punhaes, e espadas nuas, para

derramarem sangue em rios se fosse eleito certo De* pulado? Nada disto. Estavam apenas os Eleitores de Parochia á espera de urn Presidente, que tiftha fugido. Ha quem diga que os soldados entraram para obstar ás fraudes da urna : que cousas se dizem ?

Sr. Presidente, eu não posso atlribuir isto senão ao demasiado zelo da* Auetoridades; eu não. digo que o Sr. Deputado eleito, que é Governador Ci* Vil daquella província, mandasse o sargento com . aquella força, para dentro da Igreja e carregar ar* mas ; mas o nobre funcvionario foi a Ponte de Lima , levado do seu zelo , creio que, para saber co* rno f ô"'a fabricada a atta falsa : não sei se Ih.e chegou á noticia o facto da entrada da tropa na Igre» já: se chegou, decerto deu as providencias que o'escândalo pedia, se não chegou, então mal eslava de empregados, e de amigos.—S. Ex.a não tocou este ponto, nem eu requeira que o faça: elle procederá a este respeito como entender que lhe está bem.

Deos me livre a m i m de julgar as Auctoridades capazes de ser connivenles com os auctores de factos deste*. A nobre Com, m i s/s ao , e o illustre Deputado eleito que na sua falia pela primeira vez nes* ta casaçU-u esperanças de vir a ser um muitodistin» cio membro delia, pelo que eu lhe faço os meus cumprimentos, queixaram se do comportamento do Juiz de Direito ; a illustre Co m missão, e o Sr. Deputado eleito argumentaram como ás vezes, se faz: isto é, para desculpar um, culpar outro muito mais: e este modo fácil de seguisse, mas não e' o mais concludente. Ponhamos de parte as Auctoridades, e consideremos em fim somente os facto*. O dolo e falsidade irroga uma severa censura aos seus a u cio» rés-—mais do. que cenoura , uiçs castigo exemplar; mas a L,ei que o & puna.