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qnencia da parte delles não houve escrúpulo algum para deixarem de cumprir com os deveres de sua consciência. Portanto foi para desvanecer qualquer duvida que possa suscitar-se, que eu fiz o meu Requerimento, e não para que esta Junta tivesse de reformar a sua convicção e decisão.

O Sr. Carlos Bento: — Fui já prevenido sobre uma observação que desejava apresentar, quando ouvi dizer a um Sr. Deputado daquelle lado da Camará — Que não reconhecia algumas das disposições do Decreto Eleitoral. — Com a devida vénia e respeito á pessoa do Sr. Deputado, digo que não intendo, como uma parte do Decreto pôJe dar-lhe enlrada nesta Casa para atncar a outra parte do mesmo Decreto (/ípoiados). E preciso que nos lembremos, que, se entrarmos a pôr duvidas a respeito da legalidade e disposições dos Decretos Eleiloraes, invalidamos a nossa presença nesta Casa. E este proceder de não prestar promplo leconhecimento a certas disposições do Decreto eleitoral não e exclusivo de um lado da Camará, e peço perdão a um illustre Deputado para lhe observar, que lambem do outro lado da Camará (o Esquerdo) parece não se prestar muito credito á existência de um certo Decreto: fallo do de QG de Julho, porque tenho ouvido aqui repelidas vexes citar disposições antetiores ao Decreto de 26* de .Julho, disposições, que pelo Decreto de 26 de Julho foram derogadas ; lenho ouvido por mais de uma voz citar disposições do Decielo de 20 de Jutiho, disposições que foram drogadas, ampliadas, restringi-las

A respeito da questão principal, isto e, do Requerimento em discussão declaro, que voto contra, porque assim voto contra a nova verificação de poderes do Deputado já proclamado. Não intendo, não com-prebendo esta transformação de um Deputado eleito depois de ser de novo proclamado. O Requerimento veiu aqui por motivos de delicadeza da parte do il-lustre Deputado, que o apresentou, porem isso com quanto seja motivo bastante para S. S.a assim proceder, não o é para a Camará ir entrar n'uina questão que está sufficiente e legitimamente resolvida, e que não admitle nova discussão (Apoiados). Por tanto voto contra o Requerimento, porque vota contra a nova verificação de poderes do Sr. Deputado (Apoiados).

Ó Sr. Corrêa Caldeira: — Sr. Presidente, não quero tomar muito tempo á Camará, e declaro que tornei a palavra unicamente para responder a duas allusôes sobre motivos máos, que me fora u» feitas do lado Esquerdo da Camará. O Sr. José Estevão, cujos talentos são por todos reconhecidos, querendo transviar a questão, veiu lançar sobre mim um desfavor com relação ao que se linha passado com a Companhia do Gaz, quando ella começou, notando que eu nessa occasiâo tinha sido Secretario Geral do Governo Civil de Lisboa. Peço perdão ao illu-tre Deputado, para lhe dizer, que não merecia este Iradamente e proceder que teve para comigo. Em primeiro logar, eu naquella época nào era Secretario Geral do Governo Civil, e por tanto já se vê que nessa qualidade nunca tive nem directa nem indirectamente a mais leve interferência a respeito da orgaiiisação da Companhia do Gaz; e antes pelo contrario extra-

officialmente, aproveitando-me das minhas relações pessoaes, tive occasiâo de pedir que se desse a favor da Companhia do Gaz tudo quanto podesse concorrer para que ella se organisasse.

O illustre Deputado tem entre os seus amigos muitos que o podern infoimar da exactidão disto que acabo de di/er, portanto nada lenho com a queslão de azeite da Camará Municipal, nem sei dessa questão cousa alguma. Quiz a Companhia do Gaz, trabalhei alguma cousa para que ella se organisasse, porque queria que esta cidade tivt-sse uma ilIumiiMçno conforme á sua grandeza, á sua situação, á sua hel-leza, e á sua população (/ípoiados). Não sei por tanto para que veiu o illustre Deputado lançar uni desfavor que eu não merecia, sobre as minhas palavras; e por tanto a allusão é incompetente, e como tal a rejeito.

Em quanto aos escrúpulos daquelle lado da Camará, eu repetirei o que disse, e foi : que scnlia que os Si>. Deputados do lado Esquerdo du Camará tivessem tido tantos escrúpulos, quando se tractou dos Deputados, que não eram dos seus princípios polili-cos, e não tivessem os mesmos a respeito dos Deputados que estavam nas mesmas circumstancias que os outros, mas que pertenciam á sua parcialidade política, e que de ceilo se tivessem havido iguaes escrúpulos, não leria hoje apparecido no Diário do Governo a declaração que rielle se acha publicada, e já referida na discussão. Se sobre esta questão do Sr. Biaamramp s o tiverem visto e examinado todos os documentos; se se tivessem empregado os mesmos escrúpulos, que se empregara») para a questão do Sr. Costa Lobo, questões puramente idênticas, de certo se leria resolvido com mais conhecimento de causa.

Dis^e um illustre Deputado — Que o lado Direito da Camará vinha agora suscitar questões, que tinham origem em restricções ruenlaes, sobre objectos que não podiam questionar-se, e estavam já definitivamente resolvidos, e que não tinha tido a coragem de apresentar esta questão na occasiâo do discussão piin-cipal deste objecto.—A faltar u verdade não sei que a isto se podesse chamar coragem, nem medir .por isto a coragem de qualquer. Se eu acreditasse que a medida da coragem do illustre Deputado era esta, havia de suppôr que era muito pequena. Como havíamos nós tomar a palavra nesta questão; e fazer uma Moção relativa ao Sr. Braamcamp sem quebra dos nossos princípios?.. Este lado d;i Chamara não fez essa Moção, nern podia faze-la. Este lado da Camará não podia dizer áJunta:—Olhai que o Sr. Braamcamp não pôde ser Deputado, porque é Diíector da Companhia do Gaz, nem o Sr. Carlos Marques Baptista, porque é Arrematante do Subsidio Litterario do Concelho da Merceana. Não o podia fazer pelo motivo de não reconhecer no Decreto as restricções que elle tem ; por nào reconhecer no Decreto Eleitoral o que elle tem de constituinte econliario á Lei Fimdame.n-lal do Paiz ; e não o reconhecendo, nada tem com as disposições desse Decreto.