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DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS
o ratificou e vae assignar. = Pereira = Bernardo Augusto de Abranches Pinto e Pina.
17.ª
Francisco do Gouveia e Cunha, casado, proprietario, de cincoenta e cinco annos de idade, morador em S. Gião, testemunha devidamente ajuramentada, prometteu dizer a verdade. E perguntado ácerca dos factos constantes do auto retrò, que lhe foi lido por elle administrador syndicante, disse que o capitão Bayão durante a sua residencia na freguezia de S. Gião dera ali sempre mostras de pertencer ao partido da opposição, e sómente mostrava agrado aos influentes d'esta. Que na noite do dia 13 para 14 de outubro findo houvera tumulto na casa da assembléa eleitoral d'aquella freguezia, promovido pela gente da opposição, com o fim de assaltarem e roubarem a uma, e que, pretendendo o furriel da força armada obstar a elle, ordenára á sentinella que estava postada á porta travessa ou lateral da igreja que chamasse ás armas, porém esta não satisfizera tal ordem senão depois de lhe ser intimada com ameaças pela terceira vez pelo mesmo furriel, chamando então ás armas com voz fraca e quasi inintelligivel e voltando-se para o lado opposto aquelle em que se achava a guarda, ouvindo elle depoente dizer que a mesma sentinella obrára por esta fórma em virtude de instrucções que anteriormente lhe haviam sido dadas pelo dito capitão Bayão, mostrando-se este sempre negligente no serviço que lhe estava incumbido. E que nada mais tinha a dizer, e sendo-lhe lido o seu depoimento o ratificou e vae assignar. = Pereira = Francisco de Gouveia e Cunha.
18.ª
João Diogo Galvão, casado, proprietario, de trinta e oito annos de idade, morador em S. Gião, testemunha devidamente ajuramentada, prometteu dizer a verdade. E perguntado ácerca dos factos constantes do auto retrò, que lhe foi lido por elle administrador syndicante, disse que, pelo presencear, sabe que o capitão Bayão durante a sua residencia em S. Gião fôra sempre negligente no cumprimento dos seus deveres, dando sempre mostras de pertencer ao partido da opposição, sendo publico e notorio que estivera em casa do padre José Lopes Freire, d'aquella povoação, e ali dera vivas ao mesmo partido. E mais não disse, e sendo-lhe lido o seu depoimento o ratificou e não assigna por dizer que não sabia escrever. = José Pereira Monteiro.
19.ª
José Mendes de Abreu, casado, proprietario, de sessenta e quatro annos de idade, morador em S. Gião, testemunha devidamente ajuramentada, prometteu dizer a verdade. E perguntado ácerca dos factos constantes do auto retrò, que lhe foi lido por elle administrador syndicante, disse que o padre José Lopes Freire, da sua freguezia, que foi influente da opposição na ultima lucta eleitoral, dissera a elle depoente que o capitão Bayão estivera em sua casa e ali bebera vinho, dando vivas ao partido opposicionista, e declarára que a elle pertencia. Que o mesmo capitão durante o tempo que estivera n'aquella freguezia fôra sempre negligente no cumprimento dos seus deveres. E mais não disse, e sendo-lhe lido o seu depoimento o ratificou e vae assignar. = Pereira = José Mendes de Abreu.
20.ª
Antonio Alves da Rocha, solteiro, negociante e proprietario, de trinta e quatro annos de idade, morador em S. Romão, testemunha devidamente ajuramentada, prometteu dizer a verdade. E perguntado ácerca dos factos constantes do auto retrò, que lhe foi lido por elle administrador syndicante, disse ao primeiro que, pelo ver e presencear, sabe que a uma não fóra roubada na assembléa eleitoral d'esta villa, apesar dos esforços que a gente pertencente ao partido da opposição fizera e empregára durante a noite do dia 14 e no dia l5 de outubro findo para o conseguir, e que assistindo ao escrutinio presenceára tambem que elle fóra feito pela fórma que a lei determina, não havendo na leitura das listas substituição de nomes, dando-se a cada um dos candidatos o numero exacto de votos que tinham obtido, e se continham dentro da mesma uma. Disse mais que o partido do governo nenhuma necessidade tinha em praticar o roubo da uma, por isso que logo que a votação terminou sabia que a eleição estava vencida por uma grande maioria a favor do seu candidato; e por este motivo empregou a gente do mesmo partido toda a attenção e cuidado em não deixar roubar a uma. Ao segundo disse que não houvera ordem legal para que a força armada entrasse na casa da assembléa eleitoral, e se ali entrou foi por arbitrio do capitão commandante, e que o presidente da mesa e administrador do concelho o consentiram por se convencerem que se tramava contra suas vidas como anteriormente tinham sido avisados, e do que tinham tambem prevenido o referido capitão. Ao terceiro nada disse por ter já respondido. Ao quarto disse que a força armada entrára na casa da assembléa quando ali havia indicios de tumulto, promovido pelos caudilhos da opposição que ali se achavam rodeados de gente assalariada, suspeita e de má fama, apresentando-se todos com maneiras provocantes e ameaçadoras. Ao quinto disso que as posições que a força armada tomára na casa da assembléa eleitoral depois de ali entrar foram-lhe indicadas pelo capitão, sendo completamente estranhos a este facto o presidente da assembléa e administrador do concelho. Ao sexto disse que assistiu a todo o acto eleitoral, e por isso sabe que é falso ter sido preso na casa da assembléa um cidadão eleitor. Ao setimo disse que perante a mesa e o administrador do concelho não houvera protesto algum, e se a opposição saíu da casa da assembléa foi em virtude do administrador do concelho declarar que pretendia apalpar a todos para, verificar se sim ou não estavam armados, e que não querendo elles lhes fossem encontradas as armas por que se faziam acompanhar, se retiraram indo depois protestar perante o poder judicial; ouvindo elle depoente dizer que o verdadeiro motivo da saída não fôra este, mas sim para irem combinar o plano de assaltarem á força a casa da assembléa e conhecerem os meios de que podiam dispor para isto, tendo-se ainda mandado vir gente do Sandomil, que em numero superior a cem pessoas fôra retida por uma senhora, irmã do candidato da opposição, nas proximidades da catraia de Torrozello, que lhes applicára que não viessem a esta villa porque davam cabo de seu pae. Ao oitavo disse que a mesa estava aonde sempre esteve para actos identicos, que de qualquer ponto da igreja podia ser vista, podendo qualquer eleitor chegar até ella, sendo sómente prohibida a estada de qualquer pessoa por detrás da cadeira do presidente pelo motivo d'este receiar ser assassinado. Que a uma estivera sempre de pé sobre a mesa, e sómente era inclinada pelo presidente quando tinha de extrahir d'ella as listas, collocando-a em seguida na primitiva posição. Ao nono disse que o capitão Bayão, pelo que elle depoente presenceára, mostrára bem que não era imparcial e desapaixonado, e pelo contrario deu sempre mostras de pertencer ao partido da opposição, com cujos caudilhos privava, constando lhe que com elles conferenciava em casa do dr. Agostinho Viegas, d'esta villa, e do padre José Freire, de S. Gião. E perguntado por elle administrador syndicante ácerca de que partido politico tinha feito parte durante a ultima lucta eleitoral, respondeu que havia seguido o partido do governo, mas sem a menor animosidade para com o da opposição. E mais não disse, e sendo-lhe lido o seu depoimento o ratificou o vae assignar. = Pereira. = Antonio Alves da Rocha.
21.ª
Emygdio José de Pina, casado, proprietario, de cincoenta e tres annos de idade, morador em S. Romão, testemunha devidamente ajuramentada, prometteu dizer a verda-