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DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

Presenceára mais, que entre os chefes da opposição, Antonio Hortensio Ferreira da Fonseca, Thiago de Albuquerque, Antonio de Frias e Agostinho Viegas, havia uma altercação com o presidente da assembléa, Amandio Eduardo da Motta Veiga e o referido administrador, na qual aquelles sustentavam o direito, que lhes assistia, a fiscalizarem o escrutinio e todas as operações eleitoraes, e estes, negando-lh'o, os intimavam para se afastarem da mesa e saírem d'ali, aliàs que seriam presos; e affirmando o Hortensio que d'ali só saía feito em postas, foi então que o referido administrador o fez saír violentamente, empurrando-o para fóra das alas da tropa, d'onde não era possivel vigiar o referido escrutinio.

Depois destes factos todos a opposição declarou que abandonava as operações eleitoraes, e que saía da igreja, visto que não podia fiscalisar aquellas. N'esta occasião elle testemunha fixou o presidente, e viu e presenceou, que a uma estava um pouco inclinada para o mesmo presidente, o que este com os olhos fixos nas pessoas, que estavam ao fundo da igreja, repetidas vezes metteu as mãos na mesma uma tirando listas, que, sem ler, rasgava e lançava no chão.

Que faziam parte da mesa, alem do presidente já mencionado, Antonio de Almeida Mello e Sousa, José Marrão e Antonio de Brito Freire Vasconcellos, não se recordando se d'ella tambem fazia parte um Fernando José da Silva, por alcunha o Lindinho.

Que nunca mais voltára á igreja, mas que é publico e notorio, que a referida infanteria estivera cercando a uma, como já disse, dentro da igreja até o fim das operações eleitoraes.

Disse finalmente, que em roda da igreja durante as operações eleitoraes constantemente andou uma patrulha de cavallaria, e sabe isto por ver e presencear, e por ser publico e notorio. E mais não disse, e sendo-lhe lido o seu depoimento, o achou conforme e o ratificou.

6.ª

José Saraiva Claro, casado, sapateiro, de trinta e cinco annos de idade, morador em Pinhanços, jurou aos Santos Evangelhos dizer a verdade e aos costumes disse nada.

E sendo interrogado á materia dos artigos da petição do folhas 2, que elle juiz lhe leu e explicou, disse ao primeiro artigo, que é publico e notorio, que o relogio da igreja, fôra adiantado meia hora no dia 15 com o fim de poder o grupo, protegido pela auctoridade, organisar a mesa á sua vontade. E mais não disse, d'este. Ao segundo disse que sabe a materia d'este artigo por ver e presencear. E mais não disse d'este. Ao terceiro artigo disse nada, por ignorar a sua materia. Ao quarto artigo disse que no dia 15 do corrente, seriam nove horas da manhã, viu e presenceou elle depoente, que conjunctamente com o administrador d'este concelho entrára a força publica aqui estacionada, em força não inferior a quarenta praças, para dentro da igreja matriz, formando-se em duas alas e a uma entre ellas; que tendo entrado para dentro da igreja os eleitores Hortensio, Thiago, Agostinho e Frias antes das nove horas para assistirem a um exame judicial e por ordem d'este juizo, lá se conservaram, e elle depoente os viu junto da uma já depois da tropa formada, e antes de começar a extracção das listas o administrador do concelho lhes deu ordem para que saíssem, ao que replicaram, dizendo, que queriam fiscalisar a eleição, porque, estavam no seu direito; que o administrador insistia, que saíssem, aliàs que iam presos para a cadeia; que o queixoso Frias se dirigiu ao commandante da força, pedindo providencias, o qual se dirigiu para junto da mesa, e n'este acto ouviu dizer em voz alta ao dr. Amandio, presidente da mesa, para o capitão commandante que elle ali não mandava nada, e que estava debaixo das suas ordens.

O dito commandante retirou-se da mesa, e, dirigindo-se aos já mencionados eleitores disse-lhes:

Que tinham de saír, porque eram essas as ordens que tinha, e que não lhes podia valer;

Que o eleitor Thiago declarou então, que o que o obrigava a saír, eram tres creanças que tinha em casa. Que postos assim fóra das alas violentamente os eleitores da opposição, e sem que se deixasse romper as alas de tropa, que ali se achava, viu elle depoente, que o referido presidente da mesa, tirando da uma uma lista, a lêra em voz alta, contendo o nome de José de Abranches, que immediatamente rasgou, e em seguida, tirando outra, tambem a leu, contendo o nome de Motta Veiga; e em seguida a isto, viu e presenceou, que o mesmo presidente metteu a mão na urna por duas vezes, formando maços de listas, e que as rasgou sem serem lidas;

Que em presença d'estes factos, voltára se para individuos que ali se achavam, dizendo-lhes que estavam roubados, e por isso saíu d'ali indignado.

Depois d'isto, elle depoente entrou por algumas vezes dentro da igreja, durante as operações eleitoraes, e continuou sempre a ver a tropa formada, e como já referiu, sem que junto da uma, se approximasse ou podesse approximar pessoa alguma;

Que todas as portas da igreja se achavam fechadas, á excepção da porta lateral, que estava meio aberta. Quando saíu da igreja, viu postados junto da referida porta dois cavallarias com a espada desembainhada, e em roda da igreja constantemente uma patrulha de cavallaria.

E mais não disse, e sendo-lhe lido o seu depoimento, o achou conforme e o ratificou.

7.ª

Antonio José Monteiro, casado, proprietario, do logar de Pinhanços, de trinta e seis annos de idade, jurou aos Santos Evangelhos dizer a verdade, e aos costumes disse nada. E sendo interrogado á materia dos artigos da petição de fl. 2, que elle juiz lhe leu e explicou, ao primeiro artigo disse nada.

Ao segundo artigo, terceiro e quarto, que lhe foram lidos, disse:

Que, na qualidade do regedor substituto em exercicio, acompanhára alguns eleitores no dia 13, e assistira á eleição até que votou a sua freguezia, reconhecendo elle depoente e o seu vigario a identidade dos eleitores, e que se retirára sendo quatro horas da tarde;

Que no dia 15 de manhã, dirigindo-se para a mesma igreja, viu e presenceou, que a força publica aqui estacionada, em numero do 40 praças, pouco mais ou menos, entrou dentro da igreja, e ali formou em duas alas e a uma entre ellas, e no extremo para o lado do altar mór;

Que a tropa, entrou antes dos eleitores, excepto os eleitores Hortensio, Thiago, Agostinho e Frias, porque estes foram intimados por elle juiz, para assistirem ao exame judicial, que se fez antes da tropa entrar, e por isso ficaram na igreja;

Que, entrando na igreja, e estando a tropa como já disse, presenceou uma altercação entre os eleitores acima mencionados, que estavam ao pé da uma, com o administrador do concelho Elisiario Vaz Preto Casal, dizendo este, que se não se retirassem para fóra da ala da tropa, os prendia;

Que depois de ver dar um empurrão ao queixoso Frias, este se dirigiu ao capitão da forca, pedindo providencias, o qual se dirigiu á mesa, mas não ouviu o que lá se passou, sendo certo que o capitão, voltando para o seu logar, dissera em voz alta para os já mencionados eleitores, que não podia deixar de cumprir as ordens recebidas, e que o unico auxilio que lhes podia dar, era dizer-lhes «que estava prompto para ser testemunha», e que por esta fórma e á força foram os referidos individuos expulsos de junto da uma, e apenas passaram a ala da tropa, saíram da igreja, declarando que iam protestar por esta violencia;

Que no entender d’elle testemunha, a tropa tinha ordem de não deixar entrar para o pé da uma, eleitor algum, e

Sessão de 13 de janeiro de 1879