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102 IARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

mum para que convergem os seus esforços, o de fazer cair o gabinete (Apoiados.) por não estar á altura da situação.

Uma VOZ: - Á altura da gravidade. (Riso.)

O Orador: - A altura da gravidade, diz muito bem. Nunca esta phrase teve tão perfeito cabimento (Apoiados.) como agora, porque nunca n'este paiz foi tão grave a situação do povo como n'este momento; (Apoiados.) nunca, para se manter a pertinacia insistente e impertinente do gabinete e a vaidade do chefe de uma situação, se matou tanta gente em paiz nenhum do mundo como n'este se tem feito. (Muitos apoiados.)

O boletim dos acontecimentos nefastos que têem ensanguentado o paiz dá já 18 mortos e perto de 90 feridos. (Apoiados.) É muito para desgraça da nação, (Apoiados.) è pouco para a vaidade do sr. presidente do conselho. (Apoiados.)

O meu pedido é para que s. exa desse conta á camara dos telegrammas expedidos pelo governador civil da Madeira desde o dia 9 até hoje.

Vozes: - Muito bem.

O sr. Presidente do Conselho e Ministro do Reino (Luciano de Castro): - Sr. presidente, pedi a palavra, não para discutir com o illustre deputado nem para responder ás suas considerações, mas unicamente para responder ao ponto principal a que s. exa. se referiu.

O illustre deputado accusou-me de ter faltado á verdade na resposta que dei á pergunta que s. exa. me fez ha poucos dias, quando se dirigiu a mim na sessão de 11 perguntando-me o estado da Madeira.

O sr. Azevedo Castello Branco: - V. ex. permitte-me que o interrompa?

Eu não o accusei. Disse que, ou v. exa. faltou á verdade, ou foi mal informado. Se foi mal informado, devia demittir immediatamente o governador civil, e se faltou á verdade, v. exa. sabe o que deve responder. (Apoiados.)

O Orador: - Pois eu não faltei á verdade nem fui mal informado. (Apoiadas.) E para provar que nem faltei á verdade nem fui mal informado, passo a ler a pergunta que s. exa. me fez e a resposta que eu dei.

Perguntou-me o illustre deputado na sessão de 11:
"Consta que lavra grande agitação na ilha da Madeira, e que aquella ilha está em completa revolta demagogica. "As noticias vindas d'aquella ilha ultimamente revelam factos extraordinarios, que para não cansar a camara não relatarei, e como me consta que o governo tem telegrammas e informações sobre isto, desejo que o sr. presidente do conselho de ministros informe a camara e o paiz do estado em que se encontra a ilha da Madeira."
E eu respondi-lhe:
"Emquanto á Madeira, tenho a dizer que effectivamente tem havido alguns tumultos em varios pontos d'aquella ilha.
"Os motivos d'essa agitação, segundo as informações officiaes que tenho presentes, são a repugnancia que os povos dos differentes concelhos d'aquella ilha têem mostrado á posse das novas juntas de parochia. Esta é a causa, pelo menos occasional, d'estes tumultos. Os povos parece receiarem que as novas juntas de parochia lhes lancem impostos parochiaes, e por isso têem procurado destruir todos os papeis d'aquellas juntas e obstar a que ellas tomassem posse e inaugurassem os seus trabalhos. D'ahi resultou a necessidade de mandar sair do continente do reino uma força de 250 soldados, que foi no transporte Africa, que já desembarcou ha dias na Madeira, para auxiliar as forças que estão ali estacionadas, que podiam não ser bastantes, se a agitação se generalisasse a todos os concelhos d'aquella ilha.
"As noticias que tenho presentemente são que o socego está restabelecido.
"Ha ainda agitação em alguns concelho do districto, mas na capital da ilha ha ordem.
"Agora mesmo acabo de receber um telegramma do governador civil, datado de hoje, era que me assegura estar restabelecida a tranquillidade publica em todos os pontos da ilha, e apenas se receia, vista a agitação que ha em algumas freguezias, a alteração de ordem no concelho de Porto Moniz, em virtude do que se tinha feito uma requisição de 150 praças, que já para lá tinham marchado, unicamente para prevenir qualquer alteração de ordem, porque n'aquelle concelho tinha havido tumultos."
De maneira que, tendo-me perguntado o sr. Azevedo Castello Branco se na ilha da Madeira havia tumultos, e se estava ou não restabelecido o socego publico, respondi a s. ex.ª com as informações que tinha, isto é, disse que tinha havido tumultos em vários pontos d'aquella ilha, mas que a ordem tinha sido restabelecida.
Pelas informações que tinha recebido hoje (n'aquelle dia) disse eu, a ordem estava outra vez ali restabelecida.
Essas informações eram os telegrammas que tinha recebido n'aquelle mesmo dia.
(Leu.)
Aqui têem s. ex.as alguns outros telegrammas recebidos n'esses e nos dias seguintes; todos no mesmo sentido. Eu fallava aqui no dia 11 e no dia 10, mesmo no dia 11 eu tinha recebido telegrammas assegurando-me que a ordem estava restabelecida.
Se s. ex.ª tivesse feito uma pergunta determinada, por exemplo, se eu tinha recebido algum telegramma a respeito de tumultos havidos em determinados pontos da ilha, eu podia responder com os telegrammas que tinha. Como s. ex.ª perguntou só pelo estado da revolução demagogica, e se a ordem estava restabelecida, eu limitei-me a dizer a s. ex.ª que tinha havido tumultos em varios pontos da ilha, que tinha para lá mandado perto de 250 soldados para manterem a ordem, mas que ella já estava restabelecida segundo noticias que tinha recebido n'aquelle dia.
Eu não tenho culpa, se s. ex.ª queria fazer alguma pergunta mais determinada com relação a certas desordens de que e. ex.ª tinha noticia, que s. ex.ª não fizesse.
Eu respondi precisamente á pergunta que s. ex.ª fez e nos termos em que ella foi feita.
Eu não faltei á verdade á camara. (Muitos apoiados.) Já outro dia me offereci para pôr á sua disposição e exame todos os diplomas que tinha recebido d'aquella ilha. Se os srs. deputados não se utilisaram, não digo d'esse favor, mas d'esae direito, foi porque não quizeram. Eu não quero negar-lhes nada, nem tenho o menor interesse.
Ora realmente, sr. presidente, eu tinha uma grande vantagem e o governo um grande proveito em demorar por vinte e quatro horas uma informação que os telegrammas e os jornaes do dia seguinte communicaria a s. ex.as! Seria uma politica tão pequena, tão errada e tão improductiva, que eu nem sei como s. ex.as se lembraram de que eu podesse fazel-o.
Os illustres deputados suppõem que o paiz está ardendo em uma vasta conflagração.
É um engano que eu não lhes levo a mal; o que posso assegurar á camara, segundo informações que tenho de toda a parte, e eu ponho á disposição de s. ex.as todas as noticias que tenho; o que s. ex.as podem verificar, se quizerem, é que a ordem está restabelecida em todo o paiz.
E possivel, que no momento em que fallo haja alterações da ordem em um ou outro ponto, mas eu não posso adivinhar.
O sr. deputado Franco Castello Branco até queria, ha dias, que eu, na occasião em que estava fallando, lhe desse conta do que estava succedendo n'esse momento.
O sr. Franco Castello Branco:-Não era n'esse momento, era na vespera.
O Orador: -Á mesma hora disse s. ex.ª
S. ex.ª queria que eu adivinhasse! Isso não posso eu fazer.
Tenho muito prazer em assegurar á camara, que segundo