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SESSÃO DE 16 DE JANEIRO DE 1888 103

as informações que tenho, até este momento, está restabelecida a ordem em todo o paiz.

Não posso dar outras informações á camara, nem mais, porque as não tenho.

Sr. presidente, affirmo a v. exa. que estou no proposito de não sonegar nenhuma das informações que tenha em relação á alteração de ordem publica, e já outro dia disse que se entender que por motivos de ordem publica é conveniente não ler na camara qualquer telegramma ou participação que eu receba, terei a franqueza de me dirigir aos illustres deputados da opposição, participar-lhes as noticias que recebi, e pedir-lhes que me não façam perguntas, nem me dirijam interpellações a tal respeito.

Portanto, estou no firme proposito de não occultar nada á camara.

Vozes: - Muito bem.

(S. exa. não reviu as notas tachygraphicas.)

O sr. Consiglieri Pedroso: - Disse que, como foi um dos deputados que na sessão passada pedira a palavra para dirigir algumas perguntas ao sr. ministro do reino, acerca da alteração da ordem na ilha da Madeira, e como o acaso da inscripção fez com que a palavra lhe viesse a caber depois do sr. presidente do conselho ter respondido ao sr. Azevedo Castello Branco, que tivera o mesmo intuito, depois d'essa resposta tão cabal julgara não dever pedir mais explicações.

Mas agora, á vista das explicações trocadas entre o mesmo sr. deputado e o sr. ministro do reino, com franqueza o declarava, estava convencido de que o sr. ministro illudíra a camara, e não só a illudíra, mas entendia que o seu procedimento era menos proprio do alto logar que occupava.

Dizia o sr. ministro que não declarára ter havido mortes e ferimentos na ilha da Madeira, porque não se lhe tinha perguntado por isso.

Parecia-lhe que uma tal defeza não era digna da camara nem do sr. ministro, e que s. exa. devia primeiro que ninguem dar conta dos factos passados com toda a lealdade e lisura.

Se e governo tivesse vindo declarar com toda a franqueza o que se passava na ilha da Madeira, isso seria motivo para o louvar pela sua lealdade.

Dissera na ultima sessão o sr. presidente do conselho que o que a opposição queria era derribar o governo; era-lhe indifferente que no poder estivessem os actuaes srs. ministros ou outros, mas o que tinha direito de reclamar por parte dos srs. ministros, qualquer que fosse a sua bandeira ou o credo politico em que commungassem, era o respeito devido á representação nacional.

O sr. ministro viera dizer que a ordem estava restabelecida na ilha da Madeira e o facto era que uma tal affirmação não se tornava verdadeira; hoje ainda s. exa. vinha fazer a mesma affirmação, e desejava saber quaes foram os actos que se empregaram para se chegar a tal conclusão.

O illustre presidente do conselho de ministros, declarando que respondeu unicamente ao facto sobre que a opposição o interrogára, confessava claramente que sabia de outros factos, e, se sabendo-os os calou, uma tal questão reputava-a muito séria e grave. Ferry, presidente do conselho do governo francez, tambem n'uma dada occasião occultára á camara, onde tinha grande maioria, alguns telegrammas, e os seus amigos entenderam que acima de tudo estava a honra nacional, e Ferry caíra por ter occultado á camara a noticia dos desastres do Toukim.

Ora um facto que em França originou a queda de um governo, não podia ser considerado em Portugal como uma cousa regular.

O sr. Presidente do Conselho de Ministros (Luciano de Castro): - Pedi a palavra unicamente para dizer ao illustre deputado que eu não illudi a camara. (Muitos apoiados.)

Eu respondi apenas ás perguntas que me foram feitas.

Perguntou-se-me se a ilha da Madeira estava em estado de desordem demagogica, ou se a ordem estava restabelecida, e eu respondi que tinha havido tumultos, os quaes haviam tornado necesario que para ali fossem mandados 250 soldados, mas que a ordem estava restabelecida, segundo as noticias que n'aquelle dia tinha recebido. (Apoiados.)

Se os illustres deputados queriam saber se os tumultos se tinham dado n'um ou n'outro logar, e, se queriam saber quaes eram as consequencias d'esses tumultos, podiam perguntar-m'o que eu responderia com a mesma franqueza e com a mesma lealdade.

Eu não quiz occultar nada á camara. Se o quizesse fazer, não punha á sua disposição todos os telegrammas.

(Muitos apoiados).

(Apartes.)

Repito, eu não quiz occultar nada á camara. Se eu quizesse occultar-lhe alguma cousa, não tinha posto á sua disposição todos os telegrammas. (Muitos apoiados.)

Se os illustres deputados os não examinaram foi porque não quizeram. (Muitos apoiados.) Eu pul-os todos á sua disposição.

Não se póde dizer que eu queria illudir a camara. (Muitos apoiados.)

E porque é que eu não respondi directamente acerca dos factos de que fallou hoje o sr. Azevedo Castello Branco?

Porque me pareceu sufficiente uma resposta generica a uma pergunta tambem generica que se me fazia; mas eu disse tambem que quantos telegrammas e, documentos officiaes o governo tinha estavam á disposição dos srs. deputados, para os virem examinar. (Apoiados.)

E porque é que não os vieram examinar? Para terem o direito de me accusarem agora? (Muitos apoiados.)

A culpa foi sua.

E não diga o illustre deputado, a quem muito respeito, que eu illudi a camara, nem venha citar factos occorridos em outros paizes em condições muito differentes. (Apoiados.)

Aqui não se póde dizer que um ministro, presidente do conselho ou não, quiz illudir a camara; o que elle fez foi responder com verdade e desassombradamente ás perguntas que lhe foram feitas. (Apoiados.)

Se os illustres deputados queriam outros esclarecimentos, porque os não pediram?

Se queriam mais alguma cousa, se desconfiavam da verdade com que eu estava fallando, viessem a esta mesa examinar os documentos, ou mandassem-m'os pedir por um continuo, que eu lh'os mandava todos.

Vozes: - Muito bem.

(S. exa. não reviu as notas tachygraphicas.)

Vozes: - Deu a hora, deu a hora.

(Apartes. - Susurro.)

Uma VOZ: - Eu tinha pedido a palavra.

Vozes: - Deu a hora.

O sr. Presidente: - Já deu a hora.

(Susurro. - Apartes.)

O sr. Presidente: - A ordem do dia para ámanha é a continuação da que estava dada, e mais o parecer n.° 6, que modifica a contribuição industrial.

Está levantada a sessão.

Eram. seis horas e dez minutos da tarde.

Redactor = Rodrigues Cordeiro.