O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

¦( io )
vadora da creação,dos Batalhões, è oexemplo do assassinato do Administrador do concelho de Valladn-res. Ora pergunto eu, têem os illustres Deputados a certeza deque íom a creação desses Batalhões cessam esses assassinatos? Ainda mais, podem os illustres Deputados asseverarque aonde ha esses Batalhões, não se praticam laes assassinatos? Os Srs. Depulados sabem muilo bem que se commelleram, e horrorosos, que se se assassinaram homens e mulheres em terras aonde havia Balalhõcs, e os Batalhões não o impediram: por consequência o argumento não colhe. E sendo eu daquelles que entendem não dever transi-gir-se com os assassinos, estando prompto, todas as vezes que me demonstrarem a efficacia dos meios para os acabar, a votar por elles, parece-me todavia que o meio indicado não é o mais efficaz.
Um Sr. Depulado que fallou a favor do. Projecto, disse quedava este voto de confiança ao Governo, mas pedia-lhe que tivesse todo o cuidado no emprego de tal medida que era perigosíssima. Eu pergunto ao illustre Depulado que tem esle receio, e vê que pôde haver perigo na adopção deste medida, se tem consciência de que ella pôde ser prejudicial, e se len-do-a, pormuila confiança que lhe mereça o Governo, pôde nesse caso merecer-lhe mais do que o seu próprio sentimento? Sr. Presidenle, se o eslado do paiz é como o pintam, se a anarchia eslá tão derramada, sé as paixões estão tão exaltadas, aonde ha de 0G0-verno ir fazer esses Batalhões?... De maneira que aqui ha contradicçâo flagrante: se o paiz se vê no eslado em que o pintam SS. Ex.as, acho coherente a medida (ainda que talvez nâo a approve pela maneira por que é feita) "'do desarmamento geral; mas por'isso mesmo não voto pelo armamento; pois se o Governo mandou tirar as armas aos individuos que as tinham, pelo receio de fazerem mao uso delias, como é que vamos agora armar esses mesmos individuos de quem receiamos ? Mas diz-se — o Governo ha de crear esses Batalhões aonde o espirito publico possa auclorisar tal creação — isto é, o Governo quer crear Batalhões aonde não são precisos, ou os Batalhões devem ser feitos, e inutilisados. iminediat.a-menle. . ¦;'.¦>
Tulo isto são questões graves. Ou se ha de fazer o recrulcmento, e levar a effeito a sua organisação, ou se hade tractar dos Batalhões. Mesmo entre os illustres Depulados que approvam o Parecer, não ha unanimidade: alguns Senhores declararam que o alistamento era voluntário, mas essa opiuião, que dimi-nue consideravelmente o que eu acho de utilidade no Projecto, não é partilhada por outros Senhores. Também sobre o modo da sua execução lodos elles sentem, e têem a consciência de que votam uma medida gravissima, e perlendem na discussão àltenua-la com explicações que dão; mas essas explicações nada absolutamente significam na disposição do voto que elles concedem ; significam unicamente bons desejos de SS. Ex.", mas bons desejos na occasião cm que mostram a esterilidade delles.
Disse-se — «No nosso paiz ha grande repugnância a pegar' em armas, veja-se, por exemplo a França, onde o proprietário, o artista pega na sua espingarda, vai fazer a sua guarda, volta ao seu officio, no exercicio das suas funeções sem achar que lhe fica mal.s»—Mas porque ha entre nós essa repugnância! Porque entre nós a instituição militar resente-sc da natureza do volo de confiança que nós aqui concede-SessÃo N." 11.
mos; porque ha pouca cousa fixa na nossa organisação militar; porque desgraçadamente (e o Sr. Ministro da Guerra tocou neste ponto) algumas leis de recrutamento que se têem votado, não tem tido execução; e S. Ex." lamentou c aceusou até algumas auctoridades a respeito da execução destas medidas. Oh! Sr. Presidente, pois se esta é a verdade, e é, e eu lenho ouvido a muitos distinctos militares de quem faço toda a fé, e por quem lenho toda a deferência, aceusar a relaxação, e mais alguma cousa, a venalidade de muitas auctoridades nos meios que empregam para se effectuar o recrulanienlo, não mandando para os corpos senão individuos incapazes para recrutas e illudindo deslamaneira completamente o efleilo da lei: pois se isto é verdade, porque havemos de ir dar uma auctorisação larga que nos desprende de uma das nossas atlribuiçôes para formar corpos, a respeito dos quaes não ha nada fixo, nem o numero? Ecitou-se um facto escandaloso, escandalosíssimo, que^eu li referido em jornaes de differentes cores polilicas. Eu li nos jornaes de differentes cores polilicas doPorlo, que ultimamente um regedor tra-ctando de fazer um recrutamento, não sei que questão teve com um dos recrutas, desfechou e maton-o: isto aconteceu no dislricto de Braga, dizem-no jornaes polilicos, alguns delles que não podem ser suspeitos. Ora vamo-nos entregar á disposição destas auctoridades que matam as recrutas, que fazem recrutamentos atirando sobre os recrutados, e vamos fazer esses Batalhões sem limite! ... (Sussurro) Pois, Sr. Presidente, Iodas as vezes que se tem aqui fi)liado dealgum atuso praticado por um individuo dejal-guma corporação, immediatamente lenho visto que os Senhores pertencentes a essa corporação tomam a palavra para a defender ; quando se diz—Um militar com-metleu esle ou aquelle erro, vejo que pede a palavra um illustre membro do exercito, e diz — a corporação militar é digna de todos os elogios, a corporação militar tem feito grandes serviços ao paiz—e o que se diz a respeito da corporação militar, lem logar a respeito de muilas oulras corporações: e quando se diz constantemente—O povo não tem obediência ás auctoridades, faz resistência a tudo; o povo não quer pagar, não lhe imporia com cousa nenhuma; o povo é uma crennça que é preciso castigar — ninguém pede a palavra para dizer que o povo ás vezes nas suas travessuras tem razão, tem alguns motivos; se não tem razão nos meios (e quasi sempre se engana nos meios, e ha muito quem se engane) ó povo ás vezes tem razão para se queixar.