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(II)
ás exigências injustas como as concessões opportunas (Apoiados); nada, Sr. Presidente. E nolc-se bem, as concessões opportunas são uma cousa com que se illude muita gente; ha muitos homens de Estado-que acham que sempre é tempo de fazer concessões, que sempre é tempo de fazer justiça;-e que neste ponto seguem a opinião do príncipe de Talleyrand (pie dizia — Nunca façamos hoje o que podemos fazer amanhã:,— muitas vezes amanhã é tarde. Ta nadem sou daquelles que entendem (e em mim mesmo o justifico, poiqne sou governamental e estou na Opposição), que se pôde ser governamental estando na Opposição: lêem estado na Opposição homens muito dist inetos, de idéas muito moderadas, como, por exemplo, um dos primeiros escriptores da França, Chateaubriand ; e sabe V. Ex.a que este homem nào entendia senão as Opposiçôes systemalicas ? Nole-se bem, um dos homens das tendências mais monar-chicas, do respeito mais profundo para com o soberano o que dizia elle? «—Não enlendo senão as Opposições systematicas; porque a Opposição sysle-matica faz-se a um systema que se tem por errado, e quando o systema é errado por muilos remendos que se lhe perlendam deilar, não pôde produzir bom effeito.»
¦ Sr. Presidente, peço licença a V. Ex.a para fazer uma outra reflexão. Muitas vezes quando se Iracta aqui de tomar uma medida importante, ouço eu dizer — Nós queremos a Carta e a Rainha. Oh ! Sr. Presidente, eu entendo que é em muitas occasiôes inop--portuno, ha grande inconveniência em invocar semi-llianles nomes. Quando ha discussão, quando ha divergência, não tragamos aqui o nome da Pessoa que nos deve ser Ião respeitável. Da-se mesmo o quer que é de coacção moral para áquelles que combatem uma opinião, porque nós leremos de estar a cada instante a descortinar a deferência que temos para a Augusta Pessoa, para com oChefe do Estado: tere-. mos de dar documentos das nossas convicções mo-narchicas. Eu pela minha parle não preciso; respeilo a Monarchia porque estou convencido da impossibilidade ¦ da existência de outra cousa; e enlão quando se está convencido por principios, não é necessário entrar em invocações a similhanle-respeilo. Mas essas invocações naturalmente são resultado de um exclusivo do que estamos penetrados: dizemos a cada instante — «Nós os cartistas, nós os defensores da Rainha» — isto poderá ser bom para nós individualmente, mas não queiramos de maneira nenhuma ir diminuir o numero dos súbditos de Sua Magestade. E citarei á esle respeito b dito de um homem dislinclo de um dos primeiros paizes da Eu-Topa, Mr. Thiers quando seoceupavam alguns Membros da Opposição de serem desaífectos á pessoa do Rei, que disse elle a esse respeito? —«Se isso fosse verdade, deviam-se calar.» — Sr. Presidente, o nosso caso não é esle, não tracto de me justificar a mim porque' não preciso, mas tracto de desfazer o mais que fòr possivel a importância que isto poderá ter aos olhos de muitas pessoas ;• muitas pe-soas suppòein que urn individuo que pertence a outro partido differente, ipso facto é inimigo jurado de todas as nossas convicções, quer defender o que nós atacamos, e ataca o que nós defendemos; e não é assim. Uma das grandes desgraças da siluação actual é o afastamento em que nos achámos: quantas vezes nos encontrámos com homens de outro parlido que repu-SesiíÃo N." 11.
làinos contrários em tudo, porque este afastamento cm que vivemos, nos dá a entender que em tudo hão de ser absolutos os homens que não pensam exactamente como nós, e depaiàmos com lanlo bom senso, com tantas idéas boas, com tanta razão em differentes pontos!.. E nós não devemos nem concordar com elles quando tèetn razão? Oh! Sr. Presidente, isso não servq a ninguém, o exclusivismo não apiovcita nem ao paiz, nem verdadeiramente ao parlido que o lem. Eu digo mais alguma cousa: nós nâo estamos em paiz aonde possa haver exclusivo; eu entendo que na nossa Nação não ha homens snflicienles; somos uma Nação pequena, e não pôde haver em tudo o numero preciso dê especialidades como n'uma nação grande; porque falta a essas especialidades o emprego necessário para que ellas existam: este paiz tem precisão de ser menos exclusivo que nenhum outro. Nós nâo lemos os partidos montados de maneira tal que lenhamos em cada um delles,' todos os Administradores dc.Concelho necessários, todos os Juizes de Direilo necessários, todos os OtTiciaes Militares necessários; que cada partido quando entrar para o Poder possa dizer—« Ora tudo o- mais não presta, eu tenho de casa todo o serviço necessário.. .» — não tem tal, nâo ha essa prata de casa. Os partidos lêem lodos necessidade de servir-se uns dos outros: ha pessoas muito competentes em certos assumptos, e esses individuos não os tem lodos os partidos; por isso é necessário que venhamos a um accordo. E para que trago eu aqui eslas reflexões? E a que propósito se poderá dizer islo tra-clando-se dos Batalhões?.. Eu fallo de exclusivismo, porque enlendo que o mal está em alguns pontos do systema politico trilhado até agora, e que em quanlo esses pontos políticos se não corrigirem, em quanlo a Politica não fòr outra a alguns respeitos, não fazemos nada em volar esle Projecto ; — esle Projecto não é efficaz.