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10 DIAEIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

mente nesta casa separado de qualquer compromisso partidario.

E assim, falando só em meu nome, e tendo accrescentado apenas uma nota essencialmente pessoal ao com de justos louvores enunciados tão brilhantemente, terminarei dizendo que me associo com todo o enthusiasmo aq voto proposto por V. Exa., Sr. Presidente, pois que a homenagem aqui prestada hoje á memoria de Alexandre Herculano representa a homenagem de toda a nação portuguesa, da qual certamente o grande escritor na hora do seu passamento poderia ter dito, parafraseando o poeta:

"Eu d'esta gloria só morro contente
que á minha terra quis e á minha gente".

(Apoiados).

O Sr. Anselmo Vieira: - Diz que é a primeira vez que na sua vida parlamentar, que não é das mais curtas, pede a palavra numa sessão d'esta natureza, e confessa que por um impulso do seu espirito esteve para desistir d'ella, mas lembrou-se que foi Alexandre Herculano quem primeiro refulgira na sua alma com todo o seu brilho, com todo o seu poder e com toda a sua suggestão. Arrependeu-se - sinceramente o confessa - de ter pedido a palavra, em virtude da insufficiencia de recursos para, embora individualmente, se associar a uma homenagem tão justa e tão merecida a um vulto proeminente da historia portuguesa. Com essa homenagem nobilita-se, enaltece-se, alevanta-se o Parlamento português, e assim se glorifica dignamente o professor insigne, o escritor poderoso, o romancista inegualavel, o poeta luminoso, o historiador immorredoiro. Mais alto e mais grandioso patriota jamais Portugal teve. Tinha o coração e a alma portugueses, como portuguesa foi a sua obra.

É justo, pois, que o Parlamento Português faça essa commemoração e se encha de bençãos o nome de Herculano.

Emquanto a luz da civilização indicar o destino d'este país, Herculano ha de ser coberto pelas bençãos de todos os homens de alma limpida e que em seu peito concentrem todo o puro amor da pátria.

Não acha o momento opportuno para traçar o perfil de Herculano e a Camara já decerto está cansada, mas não existe ninguem que não admire o gigante poderosissimo da ideia.

O orador alonga-se ainda em considerações, apreciando a obra monumental de Alexandre Herculano.

Termina, porque sente necessidade de terminar, sentindo ao mesmo tempo que a estreiteza do tempo, que o cansaço e fadiga da Camara não lhe permittam continuar a fazer a analyse da obra do grande mestre.

(O discurso será publicado na integra quando o orador enviar as notas tachygraphicas).

O Sr. Presidente: - Está esgotada a inscrição. Em vista da manifestação da Camara, julgo interpretar os seus sentimentos, considerando a minha proposta approvada por acclamação. (Apoiados geraes).

Agora, vae passar-se á ordem do dia. Os Srs. Deputados que tiverem papeis a mandar para mesa podem fazê-lo.

O Sr. Senna Barcellos: - Mando para a mesa o seguinte

Requerimento

Requeiro que, pelo Ministerio da Marinha e Ultramar, me seja enviada uma relação contendo: datas, nomes, nacionalidades de individuos que obtiveram concessões de terrenos na provincia de Moçambique, para exploração agricola e industrial, durante os tres ultimos annos de 1907 a 1909.= Christiano José de Senna Barcellos.

Mandou-se expedir.

O Sr. Teixeira de Azevedo: - Mando para a mesa o seguinte

Requerimento

Requeiro que, com urgencia, me sejam enviados pêlo Ministerio do Reino os seguintes documentos:

a) Copia de todas as informações das repartições e da Direcção Geral de Instrucção Secundaria, Superior e Especial relativas ao provimento, durante o corrente anno lectivo, do logar de professor interino de desenho no Lyceu de Faro, e dos despachos ministeriaes que sobre ellas recairam.

b) Copia, do requerimento em que Carlos Augusto Lister Franco pediu para ser nomeado professor interino de desenho do referido lyceu, bem como das informações da repartição e da direcção geral e do respectivo despacho ministerial. = José Francisco Teixeira de Azevedo.

PRIMEIRA PARTE DA ORDEM DO DIA

Eleição de commissões

O Sr. Presidente: - Vae proceder-se á eleição simultanea das commissões de commercio e de agricultura. Convido os Srs. Deputados a formularem as suas listas.

Faz-se a chamada.

O Sr. Presidente: - Convido para escrutinadores os Srs. Deputados Diogo Peres e Alexandre de Albuquerque.

Corrido o escrutinio para a commissão de commercio, verificou-se terem entrado na urna 63 listas, saindo eleitos os Srs.:

Abel de Mattos Abreu.
Alberto de Castro Pereira de Almeida Navarro.
Anselmo Augusto Vieira.
Antonio de Almeida Pinto da Motta.
João Henrique Ulrich.
João José da Silva Ferreira Netto.
João de Sousa Calvet de Magalhães.
Joaquim José Pimenta Tello.
José Maria de Oliveira Mattos.

Para a commissão de agricultura entraram igualmente na urna 53 listas, saindo eleitos os Srs.:

Alfredo Carlos Le Cocq.
Alfredo Pereira.
Amadeu de Magalhães Infante de La Cerda.
Antonio Maria Dias Pereira Chaves Mazziotti.
Francisco Limpo de Lacerda Ravasco.
Francisco Miranda da Costa Lobo.
João Henrique Ulrich.
José Maria de Oliveira Simões.
Luis Gama.
Manuel Francisco de Vargas.
Visconde de Coruche.

O Sr. Presidente: - Como, visivelmente, não ha numero na sala para a Camara poder proseguir nos seus trabalhos, vou encerrar a sessão.

A seguinte é amanhã, á hora regimental, com a mesma ordem do dia.

Está encerrada a sessão.

Eram 5 horas e meia da tarde.

O REPACTOR = Luis de Moraes Carvalho