4 DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS
turas de espinha que deante de factos e de homens se fazem. (Apoiados).
E por isso que ponho acima da sua individualidade como historiador, literato, romancista e polemista, o seu caracter inquebrantavel, que não se curvava perante ninguem e perante facto algum que elle não entendesse digno de si.
Alexandre Herculano foi não só um grande amigo de um grande Rei de Portugal, D. Pedro V, como também seu mestre.
Nelle, encontrou sempre conselhos e lição D. Pedro V, que, sendo uma figura digna dos respeitos e veneração de todos os portugueses, é possivel e pode-se dizer que é certo que ao seu ensinamento deve parte de haver sido um Rei modelo. (Apoiados).
No seculo passado avultam na historia da nossa literatura quatro grandes vultos: Alexandre Herculano, Garrett, Castilho e Camillo Castello Branco.
Cada um, dentro da sua forma e da sua individualidade, honraram o país.
De entre elles distinguimos aqui, hoje, a figura de Alexandre Herculano, que o um dos vultos mais queridos do nosso país como se reconhece pelas homenagens que se lhe teem prestado.
Disse V. Exa. ha pouco que não propunha, para não atrasar os nossos trabalhos, que esta sessão se encerrasse, ás palavras proferidas pelos representantes de todos os lados da Camara sobre a memoria de Alexandre Herculano.
Não farei tambem eu a proposta, mas espero, ainda, que haja alguem que a faça, que esta sessão se encerre, como uma prova de que esta casa do Parlamento tem pela memoria de Alexandre Herculano o respeito que elle impõe a todos os portugueses e aquella veneração que um vulto d'aquella altura deve merecer a todos aquelles que o apreciaram. (Vozes: - Muito bem).
(O orador não reviu).
O Sr. Rodrigo Pequito: - Sr. Presidente: em nome dos Deputados regeneradores meus amigos e em meu nome associo-me á proposta que V. Exa. acaba de fazer.
Sr. Presidente : eu não sei, em meia duzia de palavras apenas, nem teria, por certo, merito para o fazer, pôr em relevo os grandes serviços prestados ao seu país pelo egregio escritor que se chamou Alexandre Herculano.
Os seus estudos historicos, os seus profundos trabalhos sobre a historia de Portugal, affirmam a existencia de uma nacionalidade.
Os seus romances, as suas poesias, ao mesmo tempo que revelam o engenho d'aquelle eminente homem de letras, são tambem verdadeiros monumentos que manifestam a pujança e a riqueza da lingua portuguesa.
É por isso que os meus amigos e eu prestamos a nossa homenagem a quem honrou tanto a sua patria e nos associamos á proposta de V. Exa.
Tenho dito. (Vozes: - Muito bem, muito bem).
O Sr. Pereira dos Santos: - Em nome do partido regenerador associo-me á proposta que V. Exa. acaba de fazer.
São sempre merecedoras de applauso todas as manifestações que se refiram á consagração de todos os grandes homens publicos.
Em Alexandre Herculano encontramos salutares exemplos e modelo para nos orientarmos, tanto mais que, como representantes do país, prestando esta homenagem, patenteamos a nossa gratidão aos serviços relevantes que esse homem illustre prestou.
Ninguém mais do que o grande português que se chamou Alexandre Herculano merece as nossas consagrações.
Não me proponho fazer uma synthese, nem sequer pretendo traçar o perfil intellectual e moral d'essa grandissima individualidade, nem para isso eu tenho competencia, nem realmente seria capaz de procurar, no bellissimo idioma português, palavras que traduzissem tão alta e elevada missão.
Tambem julgo desnecessario, não só pelas vozes eloquentes que se teem occupado d'este nobre assunto da tribuna parlamentar nas assembleias e ainda pelas pennas brilhantes de muitos dos nossos escritores, que teem feito o elogio de Alexandre Herculano tão digna e tão nobremente; tambem julgo desnecessario, repito, acrescentar mais algumas palavras, porque tudo quanto eu pudesse dizer ficava muito abaixo de, tudo quanto se tem produzido.
Todavia, Sr. Presidente, eu não quero deixar de, ao prestar a minha homenagem, fazer ligeiras referencias ás circunstancias que principalmente em mim dominam para que eu renda verdadeiro, completo culto, a essa grande individualidade.
Eu presto culto e homenagem ao nobilissimo e alevan-tado caracter de Alexandre Herculano, que procurou sempre, através de tudo, orientar a sua vida pelo caminho do dever; presto culto e homenagem á independencia e integridade d'esse elevado caracter que, durante toda a sua vida, soube afastar todos os embaraços que se lhe oppunham, para só seguir o que elle considerava cumprimento estricto do seu dever; presto culto e homenagem á independencia e altanaria d'esse caracter, que soube prestar relevantes serviços á literatura do seu país, com um desinteresse absoluto, repudiando até as honrarias que lhe eram offerecidas e que por tantos são apetecidas.
Presto igualmente culto e homenagem á superior devoção civica do cidadão illustre que para a sustentação das ideias que julgava necessarias para o progresso do seu país, o estabelecimento das liberdades publicas, se sujeitou á soffrer as agruras do exilio, e mais tarde, por acto espontaneo seu, arriscou a vida em batalhas em pró do desejo superior de bem servir o seu país.
E, ao mesmo tempo que presto esta devida homenagem ao caracter e devoção civica de Alexandre Herculano, eu não posso tambem deixar de testemunhar homenagem aos altos serviços que elle prestou ás letras patrias com as suas notabilissimas obras primas, cujo superior quilate cada vez vae sendo mais e melhor apreciado.
Citarei apenas a sua Historia de Portugal, que elle estudou sob um ponto de vista inteiramente moderno, desfazendo as lendas com que andava obscurecida e fazendo resaltar a verdade pura e nitida dos factos.
Assim consagro minhas homenagens e as do partido que represento á memoria do illustre cidadão que se chamou Alexandre Herculano.
Eu estou de acordo com V. Exa., Sr. Presidente, no que respeita ao encerramento da sessão. Sem duvida poucas vezes se terá encerrado uma sessão do Parlamento com razão tão superior como agora, mas os trabalhos parlamentares estão por tal forma atrasados que eu, apesar do meu desejo de prestar mais essa homenagem á memoria de Alexandre Herculano, não faço essa proposta simplesmente por attender a essa consideração.
(O orador não reviu).
O Sr. João de Menezes: - Em nome da minoria republicana associa-se ao voto proposto pelo Sr. Presidente, e desde já declara que não proporá o encerramento da sessão, como esperava o Sr. Antonio Cabral.
É justissima a homenagem prestada pelo Parlamento á memoria de Alexandre Herculano; é um dever que elle cumpre, e honra os parlamentares o associarem-se ás manifestações que se estão produzindo em homenagem a esse grande homem.
No periodo de decadencia em que nos encontramos é justo que se commemore aquelle que na historia portuguesa ficou como um nobre exemplo de caracter para os