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outros objectos tem dito cousas muito boas, mas sobre isto não podem ser admittidas as suas razões pois que não são coherentes; para o objecto que o artigo requer he necessario que seja um homem de inteira confiança dos moradores daquella freguezia para que as amostras não sejão falsificadas: ora o illustre Deputado diz que seja nomeado pela camara aquelle que tiver maior numero de pipas. Façamos de conta que este homem esta entrevado! Srs. não ha outro meio senão deixar que os moradores daquella freguezia escolhão o seu provador, o homem que elles acharem de maior probidade.

O Sr. Castello Branco: - Apontar as cautellas e providencias para que as provas se fação com toda a imparcialidade possivel pertence áquelles que tem conhecimento deste negocio particular. Sobre isto pois nada falarei. Entretanto no artigo 5.º ha uma idéa á qual eu me opporei em quanto ella prescreve, que a eleição destes provadores de freguezia seja popular. Se alguma cousa ha em o nosso systema actualmente adoptado, que no futuro me faça desconfiar algum tanto de que elle afrouxará, he sem duvida a multiplicidade de eleições, a que os povos são obrigados. He um mal necessario, e que nós poderiamos substituir por alguma outra medida; entretanto ninguem deixa de vêr que he um daquelles males que liga com o nossa systema, não se póde prescindir delle; o caso he animar por outros meios o espirito publico, porque certamente aos povos sempre lhe serão incomodas as eleições porque se obrigão a incomodos reaes; isto que não póde negar-se, he tambem uma consequencia necessaria, que nós não devemos sem absoluta necessidade relativa ao bem publico aumentar, ainda estas eleições. Ora esta necessidade do bem publico não vejo eu nas eleições de que aqui se trata. He uma unica classe de interessados em que os provadores sejão capazes, taes são os proprietarios de vinhos, que tem vinhos a approvar, ou a repprovar. O resto da população não tem nisto maior interesse. Por isso apoio a opinião dos illustres Preopinantes que tem dito, que a esta eleição devem concorrer os proprietarios de vinhos sómente, e que o paragrafo nesta parte seja reformado.
O Sr. João Victorino: - Eu convenho no que acaba de dizer o Sr. Castello Branco, mas he necessario que sendo eleitores sómente os proprietarios de vinhos, que haja uma declaração prefixa que não venha a excluir nenhum proprietario, de maneira que ou elle tenha um grande numero de pipas, ou uma só, entre na eleição. Portanto dado o caso que se faça esta approvação dos provadores, insisto na idéa que acaba de dizer o illustre Preopinante, que he necessario que se eleijão os proprietarios todos. Neste plano das provas, o unico objecto he para evitar o dolo nesta materia, e elle póde-se commetter de duas maneiras, ou quando o vinho sáe dos toneis, ou depois.
As cautelas para evitar o dolo do segundo modo, parece que estão estabelecidas no projecto, mas as que são necessarias para o evitar no primeiro, não estão lá. Por isso he necessario que o provador se eleja com as mesmas formalidades com que se elegem as camaras, que se eleja um fiscal que tenha de fazer o que diz o illustre Preopinante, isto he, lançar o vinho dos toneis nas garrafas, lacrar e sellar as mesmas, mettelas em frasqueiras, de que deve ter uma chave, outra o commissario, e outra o escrivão; e depois fazerem-se ir para a casa, de que deve haver tambem tres chaves, e daqui vem que este artigo tem alguma relação com o artigo 11, e por isso falarei nelle. Diz o artigo 11: Os commissarios da Companhia terão já tirado as amostras (leu), isto he que me parece se deve tirar daqui; porque estas provas não devem ser preparadas pelos commissarios de modo nenhum, aliás tudo he ilusorio, visto que os commissarios tinhão na sua mão o poder fazer o que quizessem, até misturarem o vinho bom em lugar do máo. Approvo pois o artigo 5.º debaixo das idéas propostas, e quererei que o artigo 11 se tirem as palavras, e os commissarios da Companhia até ao fim.
O Sr. José Liberato:- Levantei-me para apoiar o artigo (leu). Creio que he muito util que cada freguezia eleja um provador, e por isso estou pela eleição popular. Ouvi dizer a um illustre preopinante, que não gostava das eleições populares; eu digo que gosto destas eleições, por isso mesmo que a base da nossa Constituição está nellas fundada. He preciso acostumar os povos ás eleições populares, e quando nós os tivermos habituado por meio das eleições geraes, gostarão dellas, e por isso approvo muito que a eleição dos provadores seja feita na freguezia, e sejão eleitos popularmente. Tambem vejo que não ha difficuldade em que haja dois provadores da mesma freguezia, que a camara tenha um provador, e o concelho outro: aqui não ha inconveniente nenhum, porque se as garrafas são desconhecidas, e os provadores quando vão não sabem se os vinhos pertencem a esta ou áquelle, não póde haver perigo de que dois provadores da freguezia fação conloio para approvar esta ou aquelle vinho. Conseguintemente esta duvida não póde ter lugar, e o artigo deve approvar-se.
O Sr. Castello Branco:- Attribui-se-me o ter disto que não gostava das eleições populares: não he o que eu disse. Toda a Nação sabe que eu fui dos primeiros que apoiei as eleições directas para Deputados de Cortes, e por consequencia as que se podem dizer populares em toda a extensão da palavra. Pôr na minha boca uma tal proposição, he pôr na minha boca uma proposição odiosa, e contraria ao systema adoptado. O que eu disse foi que não gostava que sem necessidade se multiplicassem as eleições populares, porque seria um meio de as fazer aborreciveis aos povos, e por isso um meio de fazer aborreciveis as eleições essenciaes de que depende a felicidade publica, e que eu apoiarei sempre, porque as julgo absolutamente necessarias para a felicidade geral.
O Sr. José Liberato: - Nunca foi meu intento dizer cousa alguma que escandalizasse o illustre Preopinante. Entendi perfeitamente que dizia que o ser