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O Sr. Fonseca Magalhães: - Desejava que não se discutisse nem a Mesa de S. Bartholomeu, nem o escrutinador de S. Isabel; o escrupulo do Sr. Deputado, que acabou de fallar e se assenta daquelle lado, é muito attendivel; em quanto a mim, entendo que só depois da se conhecer que realmente se praticou um facto, com máo intento, e que as circumstancias que o revestem, o caracteristicas de malicioso, e criminoso, é que podemos lançar uma censura sobre seu auctor; por ora não nos convem entrar em outra discussão; e se o requerimento for approvado, não ha mais nada que fazer, senão esperar que venham os esclarecimentos. Por esta occasião peço perdão ao nobre Deputado, que acabou de fallar deste lado, para lhe pedir que não sentencêe tão geralmente a immoralidade do nosso Paiz; uma profunda immoralidade em todo este Paiz?! Sr. Presidente, este golpe é uma injustiça que se faz ao nosso Paiz; o mesmo Sr. Deputado comigo convem que é muito difficil clarificar de criminoso um partido politico; e por consequencia classificar de criminosas acções que pertencem a partidos politicos; ora se isto assina e, não se póde chamar immoralidades, alguns factos, que das desintelligencias entre taes partidos trazem a sua origem. Então pedia eu que nos abstivéssemos de avançar taes asserções, e que fizéssemos justiça aos nossos compatriotas. Se acaso alguma vez falsarmos á exactidão, seja antes louvando-os, de que censurando-os em demasio. Talvez nisto seja menos medido o meu zelo, mas receio muito de que offendamos a Nação inteira pelo uso de uma frase, que sahe ás vezes do calor de um debate, sem intenção de que signifique o que realmente quer dizer.

O Sr. Deputado me fará a justiça de acreditar sincero o que acabo de dizer; e fará tambem a justiça de se persuadir que o que acabo de dizer e tão sincero, como o proprio que elle expressou.

O Sr. Passos (Manoel): - Sr. Presidente, eu quero rectificar algumas das minhas expressões. Eu folgo dever a justiça, que fez o nobre Orador que me precedeu, da moralidade da Nação Portugueza, e folgo com ella, porque vejo que S. Exa. julga o Povo Portuguez capaz deter liberdade. (O Sr. Fonseca Magalhães: - Apoiado). Eu quando disse que a Nação Portugueza estava profundamente immoral, assentei o meu juizo sobre dois pontos: um a immoralidade do selvagem, que desde 1834 se tem espalhado por todo o Paiz, a qual tem existido até boje, ainda que todos sabemos os motivos della, e para provar a existencia desta immoralidade, basta mencionar os assassinatos que se teem commettido durante este tempo; o outro ponto, em que me baziei é a corrupção de certas pessoas, que para servirem um partido, seja elle da cor que for, mudam os nomes das listas, queimam actas, viciam letras, e roubam votos; este crime, Sr. Presidente, e em Inglaterra punido de força, e tambem e é pelas nossas antigas leis. Eu quero que todos influam nas eleições, mas com moralidade, e sem usurparem os direitos de ninguem, mas esta corrupção é tamanha, mesmo porque muitos com o desejo de servirem um partido, não veem nestes actos a immoralidade, que ha; porem convem obstar della, e que orneio de obstar, visto que era mui difficil saber-se quando uai partido era immoral, era estigmatizando aquelles que taes actos praticavam, para que nunca mais se repetissem.

O Sr. Leonel: - Sr. Presidente, eu desejo que nós empreguemos aqui o tempo nas necessidades do nosso Paiz, e não que o empreguemos em outra cousa; eu não venho aqui deffender causa minha, venho deffender a causa dos que aqui me mandaram: mas quando eu vir que se pertende privar aos procuradores o deffender os direitos dos seus constituintes, hei de sustentar os actos por elles então praticados, e isso não se póde levar a mal; pelo contrario, se eu fizesse outra cousa, é que seria máo procurador (apoiado); em consequencia, quando eu vir que se attaca alguma das eleições, não digo a minha, mas a dos outros, hei de usar da todos os meios que a minha razão me dictar, para deffender essas eleições: não e por mira, mas como já disse, em deffesa dos que aqui me mandaram; e dou a minha palavra de honra, que não hei de personalisar ninguem; e tanto não uso esse methodo de deffesa, que como procurador, agora vou empregar outro muito differente, qual e por meio do requerimento, que tenho a honra de offerecer, e é o seguinte - Requeiro que se peçam ao Governo por cada uma das Secretarias d'Estado copias de todas as communicações, que nellas se recebessem das differentes auctoridades do Districto Administrativo de Vianna, sobre a invasão armada do Guerrilheiro Guilhade na época das eleições para Senadores, e Deputados.

O Sr. Alberto Carlos: - Eu posso certificar que na Commissão ha uma grande correspondencia, da qual consta tudo isso que o Sr. Deputado requer, e talvez assento eu ser escusado o estar a importunar as Secretarias, pois talvez entre os documentos que hontem chegaram, estejam os dos dous Administradores Geraes respectivos, contando o que se passou com as eleições. Então o Sr. Deputado poderá ir vêr o que quizer, e provavelmente ficará satisfeito.

O Sr. Leonel: - Sr. Presidente, sabe Deos quantos requerimentos eu poderei fazer ainda durante o decurso da discussão! Pode ser que apresente quarenta, ou cincoenta. Ora agora diz o Sr. Deputado que o Sr. Ministro do Reino já satisfez, é verdade, não duvido que mandasse todos os documentos, que tivesse na sua Repartição; mas póde ser que haja o mesmo na da Fazenda, Guerra, Marinha, Estrangeiros, e Justiça; o meu requerimento senão faz bem, tambem não faz mal, e por isso deixem-no passar.

O Sr. Midosi: - Sr. Presidente, não póde haver inconveniente era se satisfazer ao requerimento do Sr. Leonel, nem disto devemos fazer questão: nas diversas Secretarias de Estado ha mais alguma cousa a este respeito do que está ahi sobre a Mesa: faculte-se isso pois, e defira-se ao requerimento, sem esperdiçar mais tempo com esta discussão.

Não havendo mais quem pedisse a palavra foi posto á votação, e approvado o requerimento do Sr. Leonel.

O Sr. Secretario leu tambem os seguintes requerimentos - Requeiro que antes de se votar sobre o requerimento do Sr. Seabra, se resolva que a demora na remessa das actas pedidas não estorva de qualquer modo a decisão da questão da verificação de Poderes. = José Estevão.

Julgou-se prejudicado.

Requeiro que se declare que a demora na remessa das actas pedidas não ha de produzir effeito suspensivo na decisão da verificação de todos os Poderes. -José Estevão.

Julgou-se igualmente prejudicado.