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Que fez esse Governador Civil de Castello Bran-r co, quando se tractou das eleições ? expediu urna circular em que dizia, que era chegado o momento de se elegerem os Deputados da Nação, "Deputados que mais que nunca deviam exprimir o voto nacional, que o povo devia eleger uma verdadeira representação nacional, e não uma representação nacional supposta e imaginaria, e que se empregassem todos os meios que o Governo facultava para cohibir as violências e as fraudes, que d^saffrontassern a urna, e deixassem chegar a ella todos os indivíduos que tivessem sido recenseados, e estivessem nascircum-slancias da Lei, e tudo isto, Sr» Presidente, assim se fez; naqueJIe Districto havia tropa, mas nesse dia ninguém a viu, nern um só soldado, nem um só ófficial marchou , ou conlramarchou , as eleições fizeram-se com socego, com IranquillidaHe , em todas as Assembleas primarias não houve um só desgosto, uma só amargura, isto passou-se no Dislrí-cto Administrativo de Castello Branco, esta e a verdade , a Commissão a reconhece (apoiados).

Mas disse-se aqui — «esse Governador Civil quiz intervir nas eleições» — Oh ! Sr. Presidente, isto custa a acreditar ! Esse Governador Civil intervir nas eleições! ! J . . . Os seus .inimigos, (porque tem muitos naquell;; Província e fora delia) quizerarn que elle sahisse Eleitor por Castello Branco, disseram-lhe—« e neces-sario que V. Ex.a saia Eleitor, isso imporia um grande serviço para a Província « -—e elle respondeu — «eu reconheço que alguns serviços posso fazer; ruas também reconheço que, na qualidade de primeira nucloridade administrativa ia compromptler esta aucloridade sahindo Eleitor por Castello Branco »> — assim o entendeu, e assim o fez, não houve forças humanas que o fizessem mudar de opinião; não sói se fez bem ou mal, só digo o facto como elle é.

Sr. Presidente, um hoiríem tão austero, de uma •virtude a toda d prova, que não quer ser Eleitor, porque julga compromettida a auctoridade que lhe tinha sido confiada, corno e'possível que se atrevesse a querer tirar uma lista a i;rn Eleitor; porque não •votava nelle'!!!.. Sr. Presidente, torno a dizer, invoco o testemunho do Sr. Rodrigo, do Sr. Aguiar e do Sr. Ministro do Reino debaixo de cujas ordens elle esteve já ; o que se lhe imputa é uma falsida-, de, e' uma calumnia.

Pore'm o que desagradou geralmente a Castello-Branco foi o procedimento do Governador Civil da Guarda; pode-se dizer, Sr. Presidente, que o socego publico ia estando compromettido, porque Castello-Bran.co não estava costumado a tão insólito procedimento, f-lizmente "a tranquilidade não se alterou, as auctoridudes ainda tiveram energia, ainda tiveram coragem; o Governador Civil de Castello-Btanco julgou e entendeu (não sei se recebeu ordem para isso) que devia fazer um relatório de todas as occorrencias durante as eleições , fez esse relatório, e enviou-o para a Secretaria do Reino (não sei se haverá difficuldade em se apresentar aqui, mas talvez que faça um requerimento para nos ser presente) no qual ao mesmo tempo quede-sapprova e censura o procedimento do Governador Civil da Guarda , lambem censura o procedimento de uma auctoridade judiciaria , que elle entende se tinha excedido e abusado do seu poder interferindo nas eleições da maneira que interferiu: não sei se

com effeito elle se excedeu, mas sei que récahiu na censura do Governador Civil.

Eis-aqui tem, pois, S. Ex,a a maneira como se portou o Governador Civil de Castello Branco, e por consequência tenho dado a minha explicação de facto, no caso de ser segunda vez provocado novamente pedirei a palavra a V. Ex.a

O Sr. Gorjáo ffenriques:— Sobre a ordem , e é para um requerimento.

O Sr. Rebello Cabral:—*Sr. Presidente, eu sou Deputado eleito daquella Província, e não ppsso dispensar-me de desaggravar a sua honra offendida, e por quem era menos de esperar.

O Sr. Presidente: — E' dos precedentes desta Camará, e' o que sempre se tem praticado dar a palavra em primeiro lugar a quern a pede para requerimento, e então depois de feito o requerimento do Sr. Deputado, darei a palavra para explicações de facto.

O Sr. Gorjáo H enriques :—Sinto muito não ter cedido agora da palavra, e encontrar assim os desejos de muitos dos meus amigos políticos, e de outros que rnilitam em um campo opposlo ; mas, Sr. Presidente, para mim as considerações do decoro e bem geral, valem rnais que o receio de algum desagrado.

Sr. Presidente , não pôde consentir-se que se discuta de sitnilhante maneira nesta Assemble'a ; não pôde, Sr. Presidente, porque isto e'contra as Leis do decoro, e consideração pelo bem do paiz e peia nossa própria moralidade (Apoiados) contra a Lei escrípta que nos rege.