O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

ia vergonha aquém fabricando esta astúcia tivesse alguma considerarão pelo seu credito. 'Em resultado as eleições saíram a favor do Governo; mas a escolha eleitoral está em Opposição manifesta com as próprias disposições do Governo. Todos os Srs. Deputudos devem ter conhecimento da Portaria de 21 de Abril , que determinava que o domicílio dos Km pré orados Públicos fosse a Se'de da sua residência. A face desta Portaria, e de outras disposições reiteradas para a sua execução, em Aveiro saiu Eleitor o Administrador Geral, e o Secretario p<_->r Estarreja, por Ilhavo saiu Eleitor um Empregado da Administração Geral; por Angeja saiu Eleitor creio que o Major da Guarda Municipal; por Mira taiu Eleitor o Administrador Geral dê Coimbra, que estava em Coimbra; por Eixo saiu Eleitor outro Empregado da Administração Geral. Em Oliveira de Azeméis o processo foi bello e interessante: este circulo dividiu-se em dois, em nenhum delles houve fraude, mas houve força arrna-da : no circulo de Oliveira de Azeméis primeiro sai-ram os Empregados da Justiça , fazendo correrias por aquellas povoações, ameaçando com prisões e fazendo effeeti vãmente algumas, no acto das eleições npvesentou-se toda a policia armada, viu que os Eleitores da Opposiçâo estavam reunidos em grande numero, cm numero talvez de cento è tantos; os influentes na eleição conheceram bem que a. perdiam , e então naquelle acto, rnesmo já depois de começado, quizerasn fazer um novo recenseamento ; recolhera m-se á casa da Gamara Municipal, e começaram a fazer esse recenseamento; alguns dos Eleitores da Opposiçâo dirigiram-se alli, e manifestaram quanto era escandaloso sitnilhante procedimento, e protestaram que elles se conservavam unidos, e que haviam de assistir á eleição e tomar parte no acto eleitoral torno Eleitores, sendo absolutamente impossível aos seus contrários ganhar a eleição: o Presidente da Assembléa desappareceu nesie momento; mas, Sr. Presidente, não se recolheu a casa, não desistiu do seu empenho eleitoral ; correu corno mrn General , e foi a outra parte da linha aonde se estava fazendo a outra eleição; po« rétu encontrando ahi o mesmo desgosto,, a mesma impossibilidade de vencer, então deu voz á policia que estava armada « carregar-marcha. n Entrou pela igreja dentro e venceu a eleição no seu circulo.

Por estes meios e outros sirnilhantes fez-se a eleição do Porto, e parece-me que já vi aqui algumas Auclorídades de Aveiro que foram eleitas.... algumas Auctotidádes de Aveiro... aquclla gente (riso.)

Sr. Presidente, á visla destes factos que aponlt-i altesladamente , á vista destes factos que são todos positivos e terminantes, á vista destes factos que se sviccederam e" repetiram em diversos logares, como é possível achar alguma sancção de moralidade ,na polilica das eleições ?

Sr. Presidente, as instrucções do Governo dadas para as tleiçõ^s foraaí as seguintes: — «façam-se todas as falsificações nos recenseamentos; se isso não .pod- r vingar, empreguem-se meios violentos,, e quando com o concurso de todos estes meios não se poder triuinphar, então fujaro os Presidentes das Mesas e deixem de fazer-se as eleições. — » Não podemos duvidar de que estas foram as instrucções, porque de todas ellas encontramos vestígios--, em VOL. l.0 —JULHO —1843.

certos logareà a falsificação do recenseamento —erh outros todos os meios de coacção moral — em outros todos os meios de coacção física—em outros o emprego absoluto da força — em outros o desappa-recimento dos Presidentes.

Sr. Presidente, quando não soubesse isto pela minha própria inquirição, quando não visse estes documentos , tenho a certeza moral do que elles existiam pela combinação dos factos com estas mesmas presumpções. Em Lisboa por exemplo , onde muitas considerações não perrnitiiàtn ao Governo usar destes meios, o emprego da força publica, da força militar, foi feito com certa decência.j com certa cautella, mas não foi só hò Concelho de JWcssejana onde ella teve logar; a força appareceu. em Rio Maior, no Barreiro ; a força appareceu no Cartaxo, e em muitas localidades.

Sr. Presidente, em Messejaria um Sargento se apresentou com a força armada, esse Sargento disse abertamente que ia encarregado de evitar o suborno das/eleições !!.. Em que Constituição , em que Lei está similharite principio, similhante theoria ?!!... O Sargento apparece.ú em Messejana , e o {Ilustre Visconde de Fonte Arcada perguntou-lhe — «estes soldados são ainda d,is linhas do Porto e de Lisboa 55 = u Não sei donde 'elles-são, o que sei é que venho aqui fazer eleições e o que lhe digo é que se retire 55 !! .

Sr. Presidente, todos estes factos , os quaes certamente senão contrariam, todos estes factos se per-tendem explicar por argumentos absurdos, por combinações de datas que não podem ter applicação, por exemplos que não têem concludencia, pala exhi« bicão de doutrinas que não podem entender com os mesmos factos.

Sr. Presidente, ern 1838 já se disse que lactavam dois partidos, e que o Governo se linha tornado neutro ; e um destes partidos qilsí entrou nalucta com o seu adversário , pediu a esse Governo que o viesse desaffrontar das offensas que.lhe tinham sido feitas pelo outro partido, e foi então ajudado-pela aucloridade publica.

Em 1838 um partido qiie foi á eleição tinha decaído um pouco da opinião que representava ; esse partido ia no seu decrescente ; porque a todos os partidos que governam, se diminuem os meios de energia rrioral em todos os paizes, e particularmente no nosso, porque todos elles não têem a força suficiente para poderem satisfazer essa sede de ordem , de liberdade, de paz, que tem este paiz, e que ha muito tempo se promette satisfazer, e não se satisfaz.